Rio de Janeiro, 20 de Setembro de 2017

A árvore bem aventurada

Meu nome é Cátia, tenho 39 anos e sou solteira.
Tenho uma vida normal: trabalho, cuido da minha casa, das minhas coisas e sou independente.
Porém algo parece que não está tão dentro do controle e da normalidade.
Já tive namorados e, em sua maioria, não foram duradouros.
 
Sou feminina, vaidosa, mas não sinto muita atração por homens.
 
Na minha adolescência sentia uma afinidade estranha com uma amiga que morava na minha rua.
 
Na faculdade isso também aconteceu.
 
Mas nunca aconteceu nada físico ou emocional entre nós.
 
Hoje, faço um curso de aperfeiçoamento para garantir uma promoção na empresa em que trabalho e junto comigo foram
escolhidos outros três funcionários.
 
Nesse curso, acabei me aproximando de uma funcionária, que eu não conhecia e sequer tinha visto na empresa.
 
Nós fomos nos conhecendo, frequentando a casa uma da outra, e de repente rolou. Começamos a nos ver todo dia, almoçamos juntos na empresa e ela disse que está apaixonada e quer compromisso.
 
Eu me sinto muito bem ao lado dela, penso nela e gosto dela.
 
O problema é que agora, com tudo o que aconteceu, percebo que sou lésbica, sempre fui e não estou lidando muito bem com isso.
 
Afinal, esse tempo todo, nunca tinha vivido algo que me confrontasse tão claramente com o que eu sou.
Cátia / São Paulo
 

A árvore bem aventurada.

Procure um lugar que tenha uma árvore.
 
Mas não uma árvore qualquer, e sim uma que lhe pareça bastante antiga.
Observe seu caule, suas raízes.
 
Você verá que está desgastado, provavelmente possui algum pedaço ruído e, olhando rápido, pode até parecer feio e sem vida.
 
Continue sua observação e olhe para a copa, as folhas, flores.
 
Quanta vida, quanta cor, quanta felicidade!
 
Nossa sexualidade pode ser encarada como uma árvore antiga que, à primeira vista, pode não parecer atrativa, transparente, mas, olhando com calma, encontraremos algo que nos dá sentido, que signifique algo.
 
Você mesma aponta o fato de na adolescência ter uma relação estranha; na faculdade, o mesmo aconteceu.
 
A grande questão agora é que você, de uma maneira real, foi convidada pela vida a viver quem você realmente é, a viver o que a sua sexualidade diz.
 
Assim como uma árvore antiga, você tem história, e essa historia define quem você é.
 
A árvore finalmente chegou à maturidade e está pronta para florescer, dar bons frutos.
 
Acredito que já está na hora de você deixar brotar as flores desse desejo, e colher uma relação de verdade.

Nossa sexualidade não está apenas no universo do que pensamos, muito pelo contrario, está no universo do sentido, do vivido, do experimentado.
 
Permita-se florescer, sem maiores julgamentos ou porquês.
 
Afinal, são as flores e os frutos que definem uma árvore como bem aventurada!
 
E não o caule velho, desgastado ou torcido.
 
Seja quem você for, seja você e seja feliz!
 
 
Envie seu e-mail para o psicólogo Thiago Spinelli responder.
E-mail thiago.spinelli@universodamulher.com.br
 

 

 

 


 

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Thiago Spinelli

Fonte:Universo da Mulher