Rio de Janeiro, 25 de Setembro de 2020

Destaque para as sobrancelhas

Destaque para as sobrancelhas
Depilação com linha.
 
A primeira impressão é de total espanto, mas, quem já experimentou a nova técnica, jura que não quer mais saber de cera ou de pinça.
 
Com grandes olhos negros — mais árabe impossível — e mãos ágeis, a jovem iraquiana Mareana Basem Essa, de 21 anos, reproduz no Rio, para sobreviver, o que aprendeu como técnica caseira de depilação no Iraque.

— Só não serve linha de náilon, que quebra os pêlos — contou Mareana, num ralo português adquirido nos nove meses de Brasil.

 
Longe da suavidade, muito preto para os olhos
 
Com qualquer pedaço de linha, Mareana é capaz de fazer buço, virilha, perna, axila e de modelar sobrancelhas, sua especialidade.
 
Em poucos minutos, a iraquiana tece uma expressão luminosa e profunda.
 
Ela garante que as sobrancelhas ralas de grande parte das ocidentais não são problema e exibe várias de clientes e alunas que, mesmo com poucos pêlos, ganharam olhares marcantes.
 
Segundo Mareana, as árabes já usavam a linha para se depilar no Império Babilônico, na Mesopotâmia entre 900 a.C. e 600 d.C. Ela contou que a técnica tem conquistado também as alemãs.

Refugiada da miséria do Iraque, Mareana ensina a técnica de depilação e a maquiagem árabe na Vila do João, no Complexo da Maré, em Bonsucesso, para futuras depiladoras.

— A cera é usada na Síria, no Líbano, na Jordânia, na Palestina e no Egito. Mas as famílias se depilam com linha, por exemplo, no Iraque e no Kuwait. A linha não dói, limpa mais e não deixa a pele flácida, o que é uma grande vantagem no caso das pálpebras — disse Mareana, desta vez, com a ajuda da amiga e tradutora a tiracolo, Mônica Brahim, atriz de “O clone”, que faz Dúnia, mulher de Ali. A própria Mareana já fez figuração na novela e aproveita a curiosidade pela cultura árabe:

— As ocidentais gostam de maquiagem natural. Para as árabes, o importante é parecer mesmo maquiadas. Gostamos muito do preto nos olhos. Ensino a usar e abusar do preto.

Católica, nascida em Bagdá, Mareana nem pensa em voltar para o Oriente Médio:

— O Brasil é maravilhoso.

Ela dá aulas e atende na Avenida Nossa Senhora de Copacabana 71, telefone 2541-2402, e no salão da Vila do João (mantido pela Ação Comunitária do Brasil), telefone 2280-5546.


Crédito:Fatima Nazareth

Autor:Leticia Matheus

Fonte:O Globo