Rio de Janeiro, 22 de Outubro de 2021

Cirurgia plástica: Minimizando os riscos - pela Dra. Audrey Worthington

Cirurgia plástica: Minimizando os riscos - pela Dra. Audrey Worthington
Ao tomar a decisão de se submeter a um procedimento cirúrgico eletivo, como é o caso das cirurgias plásticas, o paciente deve estar ciente, tanto dos benefícios que terá, como dos riscos que pode correr. Assim como viver em uma cidade grande é estar sujeito a a ssaltos e seqüestros ou viajar de avião traz a possibilidade de acidentes, o mesmo ocorre com um ato operatório.
 
A primeira coisa a se ter em mente é a escolha adequada do profissional. Os cirurgiões, membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia plástica passam, obrigatoriamente, por dois anos de formação em cirurgia geral. Isto significa que, depois de terem operado tireóides, vesículas, intestinos, pulmões, tumores de vários órgãos, dentre outros, tornam-se aptos ao correto manejo de um paciente que se submete a um trauma cirúrgico, já que sabem como idar com todas as alterações metabólicas e eventuais intercorrências que cirurgias causam no organismo.
 
Depois desta formação, passam mais três anos praticando cirurgias reparadoras como lábios leporinos, malformações, alterações nas mãos, seqüelas de queimaduras, problemas crânio-faciais e, posteriormente, cirurgias com fins eminentemente estéticos.
 
Com a nova norma do CRM – Conselho Regional de Medicina, que exige formação em cirurgia geral por parte do médico que vai realizar uma lipoaspiração, é preciso certificar-se disto antes de optar. É fato que há médicos de diversas especialidades, sem experiência em cirurgia geral, realizando lipoaspirações.
 
Vários exames pré-operatórios devem ser solicitados, para que se investigue se o paciente não tem anemia, alteração da glicose, problemas cardíacos ou alergias. Caso seja portador de alguma patologia, deve trazer carta do médico que o acompanha clinicamente, explicando que está compensado (estável) e liberando-o para a cirurgia.
 
Se o paciente usa medicamentos, fuma, usa drogas, tem síndrome do pânico, reações alérgicas, está amamentando ou grávida, não deve, em hipótese alguma, omitir estes dados a seu médico.
 
A cirurgia escolhida deve ser minuciosamente explicada, bem como seus riscos a cada paciente. O ideal é que se assine um termo de consentimento informado, onde todas as informações pertinentes à cirurgia em questão são colocadas.
 
O local onde o procedimento será realizado deve ser um ambiente cirúrgico, isto é, asséptico e com condições de atendimento em caso de urgência. Quando a cirurgia tem maior porte como a abdominoplastia, onde se retira pele e gordura da região infraumbilical ou cirurgias associadas, o melhor é que seja feita em hospital com UTI (Unidade de Terapia Intensiva).
 
Quando o paciente é sedado, se faz imperiosa a presença de um anestesista para monitorá-lo a cada minuto e observar como as drogas reagem.
 
O ideal é que se coloque um cateter nasal que levará oxigênio ao organismo durante todo o tempo e isto é monitorizado por um aparelho chamado oxímetro de pulso que avalia a oxigenação do sangue.
 
O paciente deve ser adequadamente hidratado, por acesso intravenoso, principalmente em cirurgias maiores , nas quais o trauma do procedimento leva líquidos para os espaços entre as células e o interior dos vasos sangüíneos se esvazia. Este fato, associado a um tempo cirúrgico prolongado, pode levar à formação de pequenos coágulos que, eventualmente, migrem pela circulação.
 
Quando é possível, aconselha-se o uso de aparelhos de bombeamento do sangue das pernas, para ativar continuamente a circulação.
 
Os passos da cirurgia devem ser padronizados e criteriosos, principalmente nos casos de lipoaspiração, nos quais o volume máximo a ser retirado é de 5% do peso corporal. Com a gordura também é aspirado um pouco de sangue, já que a cânula lesa pequenos vasos sangüíneos e o paciente acaba também perdendo sódio e potássio que devem ser repostos caso haja necessidade.
 
No pós-operatório, se prescrevem antibióticos, anti-inflamatórios e medicamentos para dor e o paciente deve permanecer em observação por um período mínimo de duas horas. Não deve sair da clínica ou hospital antes de alimentar-se, urinar e levantar sem ter tonturas .
 
A equipe médica deve dar todos os contatos para que seja encontrada a qualquer hora do dia ou noite. Em caso de qualquer alteração como febre, dor intensa, sangramento, deve -se imediatamente comunicar ao médico ou equipe.
 
Por fim, o paciente deve estar calmo, seguro de sua opção e confiante no seu médico. Com todos os cuidados realizados e um pensamento bem positivo, conseguimos minimizar os riscos e melhorar a auto-estima de nossos pacientes.
 
 
 
 
* Audrey Katherine Worthington (CRM 75398) é cirurgiã-plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, pós-graduada em Medicina Estética pela Sociedade Brasileira de Medicina Estética.
 
É também membro da Academia Brasileira de Medicina Antienvelhecimento, fellow do Serviço de Cirurgia Plástica da Free University de Amsterdã, na Holanda. Atualmente é diretora da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia e coordenadora do curso de pós-graduação em Medicina Estética da FAPES – Fundação de Apoio à Pesquisa e Estudo na Área de Saúde.
 

 

Crédito:Clarice Pereira

Autor:Audrey Worthington

Fonte:Universo da Mulher