Rio de Janeiro, 04 de Dezembro de 2021

As principais atitudes de famílias tóxicas

*Por Dra. Silvia Queiroz
Psicóloga clínica, Especialista em Gestão Estratégica de Pessoas e Mestre em Teologia
 
Na psicologia existe um conceito que mostra quatro tipos de família:

(I) Famílias emaranhadas - aquelas em que não há preservação do senso de identidade, todos "têm" que pensar e agir em conformidade ou aglutinadas;

(II) Famílias uniformes - aquelas com total rigidez na forma de funcionar, inclusive no molde da identidade de cada membro;

(III) Famílias isoladas – onde o padrão é o do distanciamento afetivo e físico, a individualidade é o ponto central e restando pouco para planos coletivos;

(IV) Famílias integradas - aquelas em que os aspectos grupais e individuais são equilibrados, com padrões flexíveis e respeito mútuo.

É sabido que o funcionamento de cada uma delas pode interferir em nossa saúde relacional e, consequentemente, na nossa saúde emocional.

Bem, vocês devem ter percebido, na breve explicação do início deste texto, que as famílias emaranhadas, uniformes e isoladas são contextos muito propícios para abusos e toxidade familiar, embora nem todas se tornem tão hostis assim.

Famílias tóxicas são, geralmente, aquelas em que há desconforto em um ou mais membros dela.

Por vezes, pessoas sofrem em emaranhamento familiar sozinhas, por serem as únicas que percebem a disfuncionalidade desta.

Em outros casos, mais de um membro familiar consegue enxergar a realidade, e assim, a busca por melhoria se torna mais eficiente.

O fato é que em grupos familiares disfuncionais e tóxicos, há desconforto e invalidação emocional, inferiorização, agressões verbais e/ou físicas, xingamentos, humilhação e outros tipos de abusos.

Mas, quando saber se uma família é tóxica?

Existem 10 atitudes principais e quero compartilhá-las com vocês.

1 - Problemas de comunicação:

A comunicação é fundamental para compreendermos o outro e para informarmos e expressarmos nossos pensamentos e sensações. Assim, numa família onde não há uma comunicação saudável, problemas sérios podem acontecer.

Por vezes, a expressão do que sentimos e pensamos é substituída por manipulações, palavras abusivas e passivo-agressivas (como sarcasmo e ironia) ou até mesmo agressões verbais com descaso total aos sentimentos alheios. São formas desesperadas e não adaptadas de se expressar, que apenas distanciam os membros da família.

2 - Distanciamento emocional:

Acontece quando as necessidades afetivas dos filhos e cônjuges não são atendidas. Embora elementos essenciais como alimentação sejam providenciados, não há espaço para demonstração de carinho, afeto físico e expressão de sentimentos.

Não se valoriza a validação dos sentimentos nesse cenário e os membros do sistema podem se tornar carentes emocionais ou pessoas extremamente frustradas e que poderão reviver padrões afetivos distantes e frios em outras relações.

3 - Manipulação:

Quando se torna "natural" o uso da chantagem emocional ou mesmo de condições para que o afeto ou demais necessidades sejam atendidas. Por vezes, crianças são condicionadas a desgostar de alguém ou são "enroladas" para que mintam em nome da família ou dos pais.

O ganho secundário pode se tornar moeda de troca. A pessoa abre mão de algo que lhe importa porque "ganha" algo com isso. A manipulação tem efeitos devastadores nas emoções, na personalidade e até no caráter das pessoas.

4 - Troca de papeis e funções:

Quando as famílias são disfuncionais, por vezes, percebemos que os pais podem parecer mais imaturos que os próprios filhos, que se veem obrigados a assumir posturas e funções que não lhe competem. Isso traz pesos e responsabilidades que não deveriam ser da criança ou do jovem, tornando seu ambiente hostil.

5 - Ambientes onde não há confiança:

Em famílias tensas e tóxicas os abusos e disfuncionalidades podem ser tão sofridos que provocam a sensação constante de insegurança e medo em seus membros, o que pode tornar as relações sensíveis e até impossíveis, em alguns casos. 

Nestes cenários, pessoas vivem como "gatos escaldados com medo de água fria", temendo as manipulações e mentiras.

6 - Controle excessivo:

Famílias tóxicas impedem pessoas de desenvolver independência de pensamento, opinião e decisão. Essa forma de lidar com os filhos (e com os cônjuges) pode levar pessoas ao desenvolvimento de dependência e emaranhamento emocional.

Pais que tentam controlar o novo núcleo familiar de seus filhos, por exemplo, impedem que estes desenvolvam e encontrem suas próprias soluções. A dependência financeira de alguns jovens casais aos pais é um agravante neste sentido, já que pode favorecer situações de controle.

7 - Dependência de álcool e outras drogas:

Além do comportamento alterado provocado pelo uso destas substâncias, não é incomum que famílias tenham problemas financeiros e dificuldades emocionais quando há uso excessivo por um dos membros delas. Infelizmente, grande parte dos casos de violência doméstica acontece quando há alcóolatras e drogados envolvidos. Nestes casos, a intervenção profissional não é apenas necessária, mas urgente.

8 - Invalidação das emoções:

As famílias tóxicas não prestam atenção aos sentimentos e emoções de seus membros.

As pessoas têm que aceitar as circunstâncias, "dar um jeito", sem considerar o como estão se sentindo a respeito. Isso ocorre, em parte, por falta de educação emocional transgeracional e, em parte, por medo de não saber lidar com as emoções.

9 - Sensação de desamparo, insegurança:

Embora saibamos que a família deveria ser o nosso lugar seguro no mundo, nem sempre é assim. A falta de sensação de segurança e amparo é um indício importante para se avaliar a toxidade de um contexto familiar.

E o pior é que esses padrões podem se tornar um padrão comportamental e emocional de vida. Pessoas que vivem com a constante sensação de que a vida é uma eterna ameaça, podem vir de famílias assim.

10 - Ansiedade, angustia e depressão:

Pessoas que vivem em ambientes tóxicos e que não encontram soluções, são propensas a desenvolver transtornos de humor. Sentir-se ansioso diariamente, angustiado "sem motivo aparente" e depressivo são indicativos de uma possível naturalização de um ambiente tóxico.

Viver em uma família onde não há respeito, não há validação emocional e onde conflitos são uma constante pode favorecer a sensação de que algo ruim pode acontecer a qualquer momento, o que leva a níveis de angústia profundos.

Existem outras formas de se perceber que uma família é tóxica, como quando há agressividade física. Porém, quis trazer elementos que podem ser facilmente confundidos com algo "normal" apenas porque são familiares.

Espero que lhes ajude a ter uma vida mais feliz!

 

 

*Silvia Queiroz é Psicóloga Clínica, Especialista em Gestão Estratégica de Pessoas, Mestre em Teologia, Coach e Analista DISC pela SLAC, Escritora, Palestrante e Membro Toastmasters Internacional. www.silviaqueiroz.com.br
 

 

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Silvia Queiroz

Fonte:Plus Comunicação