Rio de Janeiro, 07 de Dezembro de 2021

Emissora passa pano quente

Emissora tem hábito de passar pano ao demitir assediadores quando situação fica insustentável

Dani Calabresa é mais uma vitima dos constantes assédios que acontecem dentro das dependências do grupo Globo. O caso da atriz, mais uma vez, vem mostrar que o maior conglomerado de mídia do país não tem estrutura para proteger suas funcionárias e, ainda pior, quando assediadas e denunciam o ocorrido, seus relatos são colocados em dúvida por superiores.

Os relatos de casos como o de Dani são antigos e os 'agressores' são sempre pessoas de altos cargos, como Marcius Melhem, que era diretor do departamento de humor da Globo. A emissora, mesmo sabendo deles, prefere acobertar e só lidar quando se torna impossível de jogá-los para debaixo do tapete.

Até hoje é sabido de um diretor de novelas - ainda contratado da casa - que sempre assediou atrizes. O jogo desse diretor sempre foi tão baixo, que chegou ao ponto de em uma novela uma atriz não querer aceitar suas investidas e, como retaliação, ele pedir para a autora da trama matar a personagem dessa atriz, alegando que ela estava dando muito trabalho. Essa autora só soube desse caso anos depois de romper relações com o tal diretor.

Outra atriz, que já foi protagonista na casa, chegou ao ponto - depois de muito ser assediada e ameaçada -  falar que iria denunciar o caso à direção da emissora. E sabe o que ela ouviu do diretor? "Você acha que eles vão acreditar em mim ou em você?". Ambas as atrizes pegaram aversão ao tal diretor e preferiram aceitar propostas para ir para a Record TV.

Não achem que a emissora não sabe dos ocorridos com essas atrizes - vale lembrar que a coluna soube do caso de outras muitas atrizes que relataram sobre as investidas do diretor citado mas, por medo, não quiseram falar abertamente. Ainda.

E não pensem que só homens fazem parte desse círculo vicioso nessa história. Dani Calabresa chegou a pedir ajuda a outras mulheres de cargos maiores para contar sobre o ocorrido, entre elas, Mônica Albuquerque, chefe do desenvolvimento e acompanhamento artístico, que em tese deveria dar apoio a atores com problemas, mas seu departamento pouco fez para ajudar Calabresa. Daniela Ocampo, braço direito de Marcius Melhem, que ao ouvir o relato da atriz, apenas aconselhou que Dani fizesse terapia e viajasse para o exterior, também foi outra mulher que escutou o relato de uma vítima e não teve a menor empatia. Vale lembrar que após a bomba vir a público, Daniela ainda organizou via Whatsapp um abaixo-assinado de apoio a Marcius.

Também é necessário lembrar o caso recente que aconteceu na editora Globo, onde Daniela Falcão - a toda poderosa da revista Vogue e até então diretora de núcleo de revistas - foi acusada por diversos funcionários por constantes assédios morais que aconteceram por anos.
 
E, mais uma vez, os superiores tentaram abafar a história para proteger um funcionário do alto escalão. Daniela só foi demitida - a comunicação do grupo disse que ela estava saindo para realizar projetos pessoais - após a situação se tornar insustentável.

A emissora dos Marinho tem, por hábito, demitir assediadores passando pano e enviando à imprensa comunicados elogiosos sobre os mesmos, contanto que os citados optaram por seguir outros projetos pessoais ou aposentar-se. Assinar um comunicado elogioso onde o envolvido é acusado de assedio não torna a empresa conveniente ao acontecido?

Será que o grupo Globo acha que a imprensa é idiota e não sabe os bastidores do que acontece em suas empresas?

A pergunta que não quer calar é a seguinte: Como a Globo irá lidar com outros casos de assédios que ainda acontecem dentro da emissora, se os assediadores estão sendo promovidos a altos cargos?

 

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Fábia Oliveira

Fonte:O Dia