Rio de Janeiro, 18 de Novembro de 2017

Amizade

Amizade
Negro, loiro, albino, verde, cor-de-rosa. Alto, baixo, gordinho, narigudo. Não precisa ser gente, muito menos ser parecido com a gente. Não precisa ter dinheiro, sucesso ou status. Basta que seu ombro funcione e continue a ser aconchegante como há muito tempo e que de seus lábios continuem saindo críticas construtivas e palavras amorosas. É preciso somente que seu sorriso continue nos trazendo calma e alegria de sempre e que seus braços estejam sempre dispostos a nos abraçar como a formar uma corrente de ternura inquebrantável. É preciso que seja simplesmente amigo.

Em qualquer fase da vida temos amigos que nos tornam descobridores de quem realmente somos. Talvez possam até mesmo serem entendidos como uma extensão de nós mesmos. Quando crianças, possuímos amigos imaginários, mas somente aos olhos dos outros uma vez que para nós são amigos tão reais quanto qualquer outro de carne e osso. Ao crescermos nos deparamos com muitas etapas distintas e conflitantes em nossas vidas e ao olharmos para o lado encontramos outros tantos que passam pela mesma situação. Vemos então que se nós juntarmos forças e seguirmos juntos pulamos obstáculos mais rapidamente que agindo solitariamente.
Descobrimos que amizade não é somente ter um alguém sorridente ao nosso lado, com quem dividimos apenas bons momentos, mas, sobretudo, amizade é aquela certeza que sejamos quem formos, errando o máximo que pudermos, sempre teremos apoio e compreensão por parte do outro. Na fase adulta descobrimos que há algo mais além que sentimentos. Descobrimos que a razão não nos deixará em paz e tenderá, inclusive a se fortalecer mais e mais dentro de nós. A correria do dia-a-dia vai estreitando os laços e deixando de lado um dos sentimentos mais imprescindíveis para a vida. Conquistamos sucesso, temos dinheiro, possuímos o status tão almejado, mas, não tempos com quem dividir as alegrias das conquistas. O relacionamento afetivo nos torna mais fortes, com certeza, mas não nos completa totalmente.
Em determinada fase da vida vemos que aquela parte de nós, que na infância tanto valorizávamos - nosso amigo de todas as horas, faz falta – E como faz. Notamos que não dá mais para seguir em frente sozinho, sem as broncas certeiras, sem as conversas úteis ou inúteis - mas engraçadas de antes e sem o olhar de aprovação nos momentos felizes. Aí sim descobrimos que o amigo jamais poderá ser deixado de lado e será para sempre um complemento de nós mesmos. Concluímos então com a certeza que “poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos”.
 
 
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Crédito:Mayara Paz

Autor:Mayara Paz

Fonte:Universo da Mulher