Rio de Janeiro, 18 de Novembro de 2017

Saudades...

Saudades...

Não há quem não sinta ou que um dia dela não tenha sido aluno. Saudades de um tempo que não volta, de um alguém que mora longe, de uma época que ficará na memória... Defini-la é tarefa difícil, quando não impossível. Um aperto no peito, uma lágrima do tempo, um sorriso que relembra entre suspiros um momento que ficou para trás, um grito preso na garganta pedindo ao mundo que traga de volta o complemento que falta. É esta a definição de saudade? Creio que não nos cabe a pureza de defini-la.

 

Talvez seja uma palavra nascida apenas para ser admirada, sentida, tocada, jamais conceituada. Afinal, se a definirmos acabamos com a mágica que a permeia e tudo que a representa.

 

No fundo sentimos uma tristeza aguda, um misto de dor e solidão. Paramos a pensar na pessoa ou momento como se com isso pudéssemos diminuir a distância entre o tempo e o objeto da saudade. Choramos pela ausência sem perceber que a saudade não é somente motivo de tristeza, mas algo também para festejar.

 

Se hoje sentimos saudade não é somente porque perdemos algo, mas também porque tivemos momentos de felicidade na vida. Se agora choramos pela lacuna que algo (alguém) nos deixou é porque um dia sorrimos pela presença disso em nossas vidas. Afinal, sentir a falta de algo ou alguém é também motivo para comemorar. Não digo sorrir pela distância, mas pela certeza que estamos no caminho certo dos sentimentos. Amamos, sofremos, choramos, “sentimos” a falta e hoje temos saudades.

 

Assim como ficamos frágeis quando a sentimos, a saudade também concentra em si a inconstância dos sentimentos. Se ela propicia uma lembrança feliz, assim também faz conosco com uma lamentação do passado. Se a saudade marca algum erro, algum deslize, a reflexão é sempre bem-vinda. Vemos que outro dia, outra hora, outro gesto, outra palavra eram talvez mais importantes do que pensávamos na época, mas hoje, apenas com as saudades como companhia, sabemos do real valor do que tínhamos e não valorizávamos. Talvez seja justamente este sentimento do “se” que hoje aumenta a saudade. E talvez seja este tal talvez que torna mais conflitante o sentimento que temos.

 

Quem sabe numa próxima oportunidade possamos repensar e transformar o “se” num sim e a saudade num abraço, num beijo, num sentimento mais real. E que a saudade continue presente, mas não seja mais a nossa única companhia.

 

 

Contato: mayarapaz@hotmail.com

 

Crédito:Mayara Paz

Autor:Mayara Paz

Fonte:Universo da Mulher