Rio de Janeiro, 06 de Dezembro de 2021

Nexialista

Que o mercado de trabalho tem se transformado de forma cada vez mais acelerada, e o nível de exigência por profissionais talentosos é crescente dentro das empresas, todo mundo já sabe; não é verdade?

Se reinventar é a palavra de ordem do mundo atual, tão complexo e imprevisível, que a única certeza é a da mudança.

A pessoa que não tem essa competência bem desenvolvida e não é capaz de se adaptar aos variados contextos e situações está fadada ao fracasso na sua carreira. Não é à toa que o termo do momento é o nexialista.

Isso mesmo!

O profissional de hoje e do futuro é exatamente esse, ou seja, plural, com perfil que pode se encaixar em diferentes grupos de trabalho, que lida muito bem com a diversidade nos variados aspectos e consegue contribuir e engajar times distintos.

Além disso, reúne conhecimentos múltiplos, bem como uma tenacidade voltada para a solução de problemas, agregando a tecnologia e as pessoas para a entrega dos resultados.

Para quem gosta de entender a origem dos termos, a palavra nexialista apareceu, pela primeira vez, no livro de Alfred E. Van Vogt, intitulado “Voyage of the Space Beagle”, em 1950.

De acordo com o dicionário informal, o nexialismo foi moldado por Walter Longo como sendo a capacidade de dar sentidos e nexo a assuntos diferentes. Logo, nexialista é a palavra que designa alguém que consegue interligar as mais diversas áreas do conhecimento. Assim, esse profissional possui a grande habilidade de se conectar com pessoas de níveis hierárquicos variados e, ao mesmo tempo, engajá-las com facilidade.

Por não dominar todos os temas – o que é praticamente impossível –, sabe a quem acionar para dar o direcionamento adequado à demanda. Não é o especialista nem o generalista. Pode-se dizer que o nexialista estaria no meio dos dois, mas com alto poder de persuasão e conexão.

Ao analisar o atual contexto “Vuca”, ou seja, complexo, incerto, volátil e ambíguo, não é exatamente desse talento que qualquer empresa precisa?

Ele se contrapõe aos especialistas, pois enquanto estes se limitam a opinar sobre um tema específico, com profundidade, os nexialistas são quase generalistas: nem sempre conhecem todas as respostas ou têm profundidade em todos os assuntos, mas apresentam a habilidade de encontrar o nexo nas informações. Assim, desenvolver a soft skill (competência e habilidade) de multidisciplinariedade é muito importante.

Isso significa conseguir articular relações, envolvendo temas distintos, relacionando conteúdos e encontrandosoluções, por meio da combinação de diferentes abordagens, com ou sem a tecnologia envolvida, mas colocando à disposição o melhor de cada pessoa.

O nexialista, em geral, reúne competências pessoais, sociais, comerciais, técnicas, gerenciais e de liderança, embora não ocupe, necessariamente, essa posição. E já que falamos em adaptação a mudanças, ele é exatamente aquele que promove a transformação no ambiente corporativo e que cria oportunidades. Usualmente, é questionador, está sempre atento ao que pode ser modificado e coloca o status quo – o modo como, tradicionalmente, os processos são feitos – em “xeque-mate”, sempre que possível. Dessa forma, promove a tão desejada inovação.

Parece que o profissional nexialista é o “Super-Homem” ou a “Mulher-Maravilha”; não é mesmo?

A verdade é que as organizações estão cada vez mais atualizadas e exigem colaboradores analíticos e capazes de solucionar problemas complexos.

E ter os nexialistas no quadro de funcionários é trabalhar com pessoas que criam conexões interessantes com outros mercados, sugerem revisão de processos, lançam novos produtos e serviços e, consequentemente, elevam a companhia a altos níveis de excelência.

É por isso que eles são disputados pelas empresas.

Evidentemente, atrair esses talentos requer uma mudança de mindset de muitas corporações, que ainda precisam modernizar suas práticas de gestão de pessoas para contratarem os melhores do mercado.

Do mesmo modo, construir uma carreira exitosa já não segue o mesmo padrão de um passado recente, no qual bastava ter uma graduação e MBA, com fluência no idioma inglês, e o indivíduo estaria bem direcionado.

Hoje os processos e informações têm se transformado com grande velocidade.

Acompanhar todas as evoluções é um papel árduo, mas necessário.

E cada um, com protagonismo, precisa exercer.

Muitas são as discussões a respeito do futuro do trabalho. Mas o que é o futuro, senão o que fazemos hoje?

Independentemente em qual posição hierárquica cada um esteja, é de vital importância criar relevância, para construir credibilidade e, consequentemente, destaque no mundo corporativo.

Para isso, o profissional deve reunir competências, como atitude, curiosidade, ousadia e mente aberta. Afinal, quanto mais conhecimento generalizado ele obtém, mais plural se torna. Logo, ganha consistência para lidar com adversidades com mais facilidade e propor soluções criativas para problemas correntes, com maturidade emocional, mesmo diante do caos.

 

 

* David Braga é CEO, board advisor e headhunter da Prime Talent. É também professor convidado da Fundação Dom Cabral (FDC) e autor do livro “Contratado ou Demitido – só depende de você”. Ele atua, ainda, como conselheiro de RH da ONG ChildFund e da ACMinas.

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Jaqueline da Mata

Fonte:Link Comunicação