Rio de Janeiro, 25 de Maio de 2022

Orgasmo pode provocar dor de cabeça

Orgasmo pode provocar dor de cabeça
A desculpa da dor de cabeça para evitar uma relação sexual nem sempre é levada a sério.
 
Mas o que dizer de dores que aparecem durante o ato e persistem após o mesmo?
 
O problema tem nome: cefaléia orgásmica e é mais comum do que se imagina.
 
Esse tipo enxaqueca afeta igualmente homens e mulheres.
 
Segundo dados da Associação Brasileira para Prevenção da Enxaqueca, 70% dos pacientes com cefaléias relacionadas à atividade sexual queixam-se dos sintomas.
 
A chamada "cefaléia orgásmica benigna" caracteriza-se por uma dor de cabeça intensa, de início súbito, poucos minutos antes do orgasmo.
 
Atinge o pico de intensidade no momento do orgasmo e desaparece várias horas depois.
 
De acordo com o clínico geral e presidente da Associação, Alexandre Feldman, a causa do problema está associada a um mau gerenciamento das informações dolorosas no cérebro.
 
"É como se os neurotransmissores de um cérebro que está em desequilíbrio químico interpretassem essa situação como sendo uma situação de dor", diz.
 
Nesse caso, o orgasmo passa a ser um fator desencadeante da cefaléia, assim como a alimentação, a falta de sono e o stress.
 
O mecanismo dessa cefaléia encontra-se vinculado às alterações físicas que acontecem durante a atividade sexual (ex: aumento na pulsação, na pressão arterial, na tensão muscular, na produção de serotonina).
 
As causas, segundo o médico, não são bem claras, mas geralmente o problema coincide com um(a) novo(a) parceiro(a) sexual, um novo local, uma nova posição.
 
"São situações que podem ser interpretadas como stress, ocasionando o problema".
 
A cefaléia orgásmica afeta mais pessoas que já sofrem de enxaqueca, mas, segundo o médico "mesmo quem nunca teve uma dor de cabeça pode vir a apresentar algumas crises". 
 
Assim como a enxaqueca, o tratamento da cefaléia orgásmica está associado ao reequilíbrio da química cerebral, o que pode ser conseguido por meio de mudanças no estilo de vida.
 
"Controlar o stress, dormir bem, fazer uma alimentação saudável e praticar atividades físicas são as principais orientações para quem quer se livrar do problema".
 
A cefaléia relacionada à atividade sexual tem muita importância, já que não apenas interfere na vida de quem a tem, mas também na do parceiro sexual.
 
"O problema é ainda maior porque muitos desses pacientes envergonham-se do sintoma e não procuram ajuda médica, imaginando que não há nada a ser feito por eles", alerta o clínico.
 
 
Mais informações sobre a doença podem ser obtidas no site www.enxaqueca.com.br.
 
 
 
Sobre o médico -
Dr. Alexandre Feldman pode ser considerado um dos poucos médicos brasileiros especializados em cefaléias (dores de cabeça).
 
Clínico geral, é membro ativo da Sociedade Americana de Cefaléia (American Headache Society), diretor da Clínica Alexandre Feldman, em São Paulo, e fundador da Associação Brasileira para a Prevenção da Enxaqueca, entidade que presta atendimento gratuito à população carente portadora da doença.
 
É também criador do site Enxaqueca.com.br (www.enxaqueca.com.br) e autor dos livros: Enxaqueca, Finalmente Uma Saída (recém-lançado pela Ed.Arx); Enxaqueca - Alívio para o Sofrimento (Ed. Siciliano); Dor de Cabeça - Esse labirinto tem Saída, (Ed. Paulinas) e Cefaléias Primárias - Diagnóstico e Tratamento (Ed. Artes Médicas), destinado a médicos.
 

Crédito:Juliana Miranda

Autor:Juliana Miranda

Fonte:Universo da Mulher