Rio de Janeiro, 25 de Maio de 2022

Disfunção sexual é obstáculo para tratamento da depressão

Disfunção sexual é obstáculo para tratamento da depressão
Um dos maiores obstáculos ao tratamento da depressão está nos sintomas da própria doença.
 
A falta de vontade característica dos depressivos repercute no combate ao mal, principalmente se os efeitos colaterais dos medicamentos oferecem prejuízos ao paciente, levando 80% deles ao abandono do tratamento.
 
Segundo especialistas, um dos fatores dessa alta desistência pode estar relacionado à interferência dos medicamentos na atividade sexual do paciente.
 
Aproximadamente 10 milhões de brasileiros, ou 5% da população em geral, sofrem de depressão.
 
Embora a doença possa afetar as pessoas em qualquer fase da vida, a incidência é maior na meia-idade, fase em que a atividade sexual é maior.
 
O tratamento, geralmente longo (que leva de seis meses a vários anos), é feito com a associação de psicoterapia e antidepressivos.
 
Os medicamentos mais prescritos hoje em dia são os chamados inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRSs), neurotransmissor produzido pelo cérebro.
 
O mecanismo de ação dessa classe de antidepressivos leva, com freqüência, ao surgimento de disfunções sexuais, aumentando as chances de desistência do tratamento.
 
Segundo estudos realizados pela University School of Medicine, de Detroit, nos Estados Unidos, medicamentos deste tipo chegam a afetar o orgasmo, o desejo sexual e, em menor grau, a excitação, em até 50% dos casos.
 
Ninguém escapa a esses sintomas. "Homens e mulheres de todas as idades que se utilizam desse tipo de medicação estão sujeitos a apresentar efeitos adversos na sexualidade.
 
Quanto mais jovem for o paciente, maior o impacto, por ter uma vida sexual mais ativa.
 
Diminuição do desejo, retardo da ejaculação masculina ou do orgasmo feminino são os efeitos indesejáveis mais comuns e que podem contribuir para o aumento do número de pacientes que interrompem o tratamento da depressão", afirma Dra. Carmita Helena Najjar Abdo, Professora da Faculdade de Medicina da USP e Coordenadora do Prosex (Projeto Sexualidade).
 
A diminuição do interesse sexual já é uma das conseqüências da depressão.
 
Estudos mostram que a diminuição da libido está presente em 70% dos pacientes.
 
Somado isso ao fato de a maioria dos antidepressivos apresentarem repercussões negativas na vida sexual, os pacientes se vêem em uma encruzilhada. Se utilizarem o medicamento, sua doença poderá ser extinta mais rapidamente.
 
Porém, enquanto esse dia não chega, o agravamento dos problemas na área sexual será mais uma pedra no sapato.
 
O que fazer?
 
Alternativa segura
 

Segundo o psiquiatra Dr. André Luiz Iorio, mestre em Medicina pela USP, uma boa estratégia para minimizar o problema é escolher bem o tratamento a ser seguido.
 
Hoje há três caminhos para quem deseja minimizar esses efeitos colaterais durante o combate à depressão.
 
"Geralmente recomendam-se as chamadas "férias de medicação" (breves paradas na utilização dos medicamentos), ou a adição de antídotos, substâncias que atenuam as disfunções sexuais decorrentes do uso dos medicamentos. Outra saída é a utilização de antidepressivos que afetam menos a atividade sexual, como a bupropiona, afirma o médico. Em sua versão de liberação prolongada (SR - slow release), o princípio ativo oferece a mesma eficácia e segurança das outras classes de antidepressivos. Entretanto, diferentemente dos inibidores seletivos de recaptação de serotonina, os efeitos adversos da bupropiona na esfera sexual são mínimos.
 
Um estudo internacional, publicado pela Clinical Pharmacology & Terapeutics, comparou a repercussão dos antidepressivos ISRSs, em comparação com a bupropiona, na esfera sexual.
 
Mais de cem pacientes com depressão foram questionados sobre o impacto do uso dos medicamentos na libido, na excitação, no tempo entre a excitação e o orgasmo, intensidade e duração do orgasmo.
 
Dos entrevistados, 77% dos usuários da bupropiona registraram melhora em pelo menos um aspecto da função sexual.
 
A bupropiona é um agente antidepressivo da classe aquinetonas, considerada como inibidor seletivo da recaptação da noradrenalina e da dopamina, neurotransmissores responsáveis por manter o humor normal, o estado de alerta, a energia, a atenção, a motivação e a sexualidade.
 
A Libbs Farmacêutica lançou recentemente no mercado brasileiro o Zetron que traz a bupropiona SR como princípio ativo.
 
Atualmente considerada a primeira escolha no tratamento da depressão, a bupropiona SR possui uma excelente tolerabilidade, reduzindo, além dos efeitos adversos na área sexual, o aumento de peso.
 
A apresentação de Zetron é feita em blisters com 30 comprimidos de 150 mg do princípio ativo. Além do tratamento da depressão, o medicamento também é indicado como primeira opção no combate farmacológico à dependência do cigarro.
 
 
 

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Ana Carolina Prieto

Fonte:Segmento Comunicação Integrada