Rio de Janeiro, 25 de Maio de 2022

O desejo pelo sexo e a procura do orgasmo pela mulher

O desejo pelo sexo e a procura do orgasmo pela mulher

Queixas femininas

De acordo com pesquisas desenvolvidas pela coordenado do Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas, cerca de 45% das mulheres brasileiras têm dificuldades para se excitar.
Outras 35% sentem desejo, mas não têm orgasmo. E finalmente, 30% delas não sentem nem desejo.
 
A psiquiatra da USP deu ainda um número alarmante: 20% das mulheres sentem dor durante a relação.
 
A pesquisa foi feita em 13 cidades brasileiras, com 1500 mulheres.
 
O ginecologista e terapeuta sexual Nelson Vitiello deu ainda os números da Sociedade Brasileira de Estudos Sobre Sexualidade Humana.
 
Segundo ele, 56% das mulheres do país sofrem de alguma disfunção sexual.

Homens X Mulheres

Vitiello disse que as reclamações masculinas são bem diferentes das femininas.
 
“Os homens geralmente enfrentam problemas orgânicos”. Segundo ele, 95% das disfunções femininas têm fundo psicológico, que surgiram de má e repressora educação.
 
“Tudo começa em casa, com a família. Os pais precisam passar para os filhos que sexo é algo bom e feliz”, disse. O ginecologista disse que a liberdade sexual de hoje está muito mais na palavra do que na atitude. “O pai diz que não tem nada contra a homossexualidade, mas não quer ter um filho gay”.
 
No caso das mulheres, a repressão é ainda maior. “ É o típico exemplo: as meninas precisam sentar de pernas fechadas para não mostrar as genitálias. A etiqueta é uma fantasia da repressão sexual”.

Os segredos do orgasmo feminino

“Orgasmo feminino não é simplesmente penetração”, disse a psiquiatra.
 
Segundo ela, há dois tipos de orgasmo feminino: o clitoridiano e o vaginal.
 
“Muitas mulheres passam a vida se torturando tentando se excitar apenas com a penetração e não conseguem sentir nada”.
 
Carmina disse que boa parte do sucesso na cama depende de um bom relacionamento com o parceiro. “É uma relação de confiança e autenticidade.
 
A mulher precisa aprender a desenvolver a sua sexualidade”, disse. Segundo a psiquiatra, as mulheres estão mais livres do que em décadas anteriores, mas o preconceito masculino ainda impera. "Os homens gostam de mulheres mais experientes, mas ainda se preocupam com a moral e com os princípios".

Saturado de sexo

Apesar da falta de orgasmo continuar sendo o principal problema enfrentado pelos casais, a falta de desejo já está atingindo patamares alarmantes.
 
“As pessoas estão saturadas de sexo por causa da superexposição”, disse o ginecologista.
 
Segundo Vitiello, a disfunção do desejo é mais difícil de tratar do que a disfunção do orgasmo. “A falta de desejo é um problema sério, mas que tem solução”, afirmou.
 
O especialista aproveitou o gancho para explicar como funciona a escalada de prazer.
 
“É uma escada de três degraus. Primeiro vem o desejo, depois a excitação e, por último, o orgasmo”.

A rotina na cama

Os especialistas disseram que um dos maiores problemas da falta de desejo ou de orgasmo seria a rotina do sexo e a falta de criatividade dos casais.

“Cada um deveria acordar todos os dias e pensar o que vou fazer para reconquistar o meu amor”, disse Vitiello.
 
O ginecologista comparou o namoro com o casamento e explicou os motivos da queda do desejo.
 
“Antes a mulher ligava para dizer que estava morrendo de tesão, agora liga para dizer que a máquina de lavar enguiçou”.
 
Com três palavras, Vitiello descreveu uma cena típica de casais: "sexta-feira, camisola de seda e sexo".
 
O ginecologista disse que a previsibilidade é capaz de acabar com qualquer casamento. “Não é a secretária que roubou o marido, a mulher que não soube segurá-lo”.
 
Nestes casos, o ginecologista disse que a convivência acaba transformando o casal em "irmãozinhos". "É aí que surge a terceira pessoa", concluiu.

Bugigangas do amor

Os especialistas opinaram sobre os novos aparelhos e medicamentos que apareceram no mercado para estimular o desejo feminino e masculino.

Falaram sobre o Eros, uma espécie de vibrador que succiona o clítores e estimula a irrigação sanguínea da região. “É um aparelho que ajuda na excitação, mas que deve ser usado como complemento.
 
Nada substitui a excitação espontânea.
 
A psiquiatra complementou: “Se a mulher não estiver feliz consigo mesma ou tiver algum bloqueio, não há aparelho que faça milagre”.
 

Superdoses de testosterona

 

A psiquiatra disse que o tratamento com o hormônio masculino deve acontecer em casos em que há comprovação de problemas biológicos.
 
Segundo ela, a mulher também tem testosterona no organismo, só que em menor quantidade.
 
“É ele que é responsável pela excitação”. Carmita disse que a aplicação deste hormônio acontece, geralmente, em mulheres que entraram na menopausa. O ginecologista complementou que pessoas que possuem um baixo nível de testosterona no organismo não conseguem nem imaginar fantasias sexuais.
 
Mas ele também discorda com a aplicação do hormônio em excesso. “Pessoas que possuem um patamar mínimo do hormônio no organismo não precisam ser medicadas”. Segundo Vitiello, tudo acima deste nível mínimo é desnecessário e não aumentaria nem o desejo, nem a excitação.
 

As mulheres e o Viagra


Os especialistas também disseram que não há nenhuma comprovação científica sobre os efeitos de medicamentos como Viagra e Uprima no orgasmo feminino. “Estes remédios estimulam a ereção.
 
Do ponto de vista técnico, nada indica que ele funcionaria em mulheres”, disse o ginecologista.
A psiquiatra completou: “Nem os próprios laboratórios indicam os remédios para as mulheres”.
 
 

A solução

 


Os especialistas disseram que, por enquanto, a única solução eficaz para as pessoas que enfrentam dificuldades na cama seria a terapia.
 
“Há centros especializados no assunto que podem resolver boa parte das dúvidas”, disse Carmita. Vitiello disse que a terapia sexual é nova. “Primeiro o terapeuta procura resolver os problemas imediatos ligados ao sexo, mas depois pode chegar em problemas mais profundos e até da infância”.
 
Quem quiser mais informações sobre o assunto pode entrar em contato com os profissionais do Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas ou da Sociedade Brasileira de Estudos Sobre a Sexualidade Humana nos seguintes sites:


http://www.sbrash.org.br/ - Soc. Bras. Estudos Sobre Sexualidade Humana

http://www.portaldasexualidade.com.br/- Projeto Sexualidade do HC

E também pelo telefone de informações do Prosex do Hospital das Clínicas - 0800.162044

 

 

 

 

 

Crédito:Paula Vasconcellos

Autor:Paula Vasconcellos

Fonte:Universo da Mulher