Rio de Janeiro, 07 de Dezembro de 2021

A palavra que faltava

Havia uma mulher que amava as palavras.
Desde a meninice, elas exerciam sobre ela um grande fascínio.
Talvez por isso ela tenha aprendido a ler muito cedo.
Desejava decifrar aqueles sinais que preenchiam as páginas do jornal.
Gostava de apreciar a sonoridade das palavras, umas suaves outras mais agressivas, e de aprender o significado de cada uma delas.
Encantava-se em saber que as palavras têm o poder de representar o pensamento humano e estabelecer a comunicação entre as pessoas.
Descobriu que existem palavras doces e perfumadas, como flor, carinho, amizade, maçã; outras, tristes e angustiantes como lágrima, distância, saudade e algumas dolorosas como crime, fome, abandono, guerra.
Algumas alegres e descontraídas, como primavera, natureza, criança.
Verificou que existem palavras que soam como uma sentença de morte, como câncer; dá para imaginar o impacto que esse vocábulo é capaz de causar nos ouvidos de quem a ouve?
Um dia, no entanto, ela ouviu dos lábios do médico que acabara de examinar com muito cuidado uns raios-x, esta palavra e a achou muito feia.
Num momento, a paisagem se modificou, pareceu-lhe não haver mais luz, embora ainda fosse dia.
O sangue lhe sumiu das faces, dando lugar a um suor gélido.
O coração tentou fugir a galope.
Ela se lembrou de que, tempos atrás, fora convocada para uma batalha pela vida.
Agora, outra vez lhe competia empreender a luta pela vida.
Fruto da ignorância, o medo, sempre oportunista, se instalou e a insegurança a dominou.
O especialista foi lhe afirmando que havia muitas chances de melhora, graças às mais recentes conquistas da medicina.
Mas ela nem conseguia mais prestar atenção.
A voz do médico parecia distante.
O cérebro dela desenhava paisagens sombrias, comprometendo o equilíbrio.
De volta ao lar, um tanto mais calma, talvez inspirada por benfeitores invisíveis, ela se lembrou de orar.
Preparou sua alma para entrar em contato com Jesus e lhe rogar as forças necessárias.
Enquanto orava, pareceu ver o azul do firmamento, num cair de tarde, começando a salpicar de estrelas.
Dele se destacou uma luz radiante, abrangendo todo o espaço ao seu redor.
Alguém, de olhar sereno e sorriso cativante lhe estendeu os braços.
Caminhou em sua direção e um delicado perfume a envolveu.
Ela se sentiu aconchegar de encontro ao peito daquela criatura tão serena, como se fosse uma criança amedrontada.
Uma nova energia invadiu todo o seu ser e, então, como um canto divino ela ouviu dentro d'alma a voz melodiosa do mensageiro:
 
Filha, por que choras?
 
Entre todas as palavras que admiras, esqueceste a mais importante, a mais poderosa.
 
Ela se atreveu a perguntar: e que palavra eu esqueci, Senhor?
 
Ele se afastou um pouco, tomou o rosto dela entre suas mãos e olhando-a com doce ternura, respondeu: a palavra é Fé!

Fé é a mola propulsora que permite superar óbices e vencer obstáculos.
Fé é força motriz da alma que, assim alimentada, vence os percalços e avança, vitoriosa.
Por esta razão é que o Mestre de Nazaré ensinou, um dia: se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda, direis a esta montanha: move-te daqui para lá e ela se moverá.
 
E a montanha que todos precisamos mover para avançar na estrada da vida, chama-se dificuldade.
 
Pense nisso.

 

 

 


 
 
 

Crédito:Luiz Affonso

Autor:desconhecido

Fonte:Universo da Mulher