Rio de Janeiro, 07 de Dezembro de 2021

Conversas e luta com Deus

Em um dos meus livros, “O Monte Cinco”, o personagem principal rebela-se contra os desígnios de Deus, e não quer mais escutá-lo.
 
Inspirei-me em uma passagem bíblica, quando Jacó luta com Deus dentro de uma tenda, e só o deixa partir depois que Ele o abençoa.
 
 
Da mesma maneira que um jovem sadio precisa ter uma dose de rebelião necessária para enfrentar-se com seus pais e impor sua Lenda Pessoal, Deus também deseja que exerçamos, a cada minuto de nossas vidas, o poder de nossas decisões.
 
É muito fácil ficar transferindo a responsabilidade para os outros (e para Ele), só para depois culparmos o mundo pela injustiça a nossa volta, e o fracasso dentro de nós.
 
Mas aonde isto nos leva?
 
A lugar nenhum.
 
Deus nos escuta. Deus nos leva a sério. Vale a pena relembrar aqui um outro episódio bíblico onde esta faculdade está claramente descrita:
 
No livro do Gênesis (18:22-33), o Todo Poderoso resolve avisar a Abraão que irá destruir Sodoma e Gomorra.
 
Abraão não aceita: por que os inocentes devem ser sacrificados junto com os pecadores?
 
Abraão vai mais além.
 
Diz: - “Como ousa o Senhor fazer tal coisa, matar o justo junto com o ímpio?” - E exige que Deus se comprometa a não destruir a cidade, se ali viverem 50 justos.
 
Deus se compromete.
 
Abraão começa a barganhar, dizendo que seria absurdo, caso faltassem apenas cinco para formar 50, que Ele tomasse tal decisão.
 
Deus aceita não destruir a cidade se ali viverem 45 justos, ou 30, ou 20, ou dez…
 
Deus aceita cada um dos argumentos de Abraão, e vai prometendo mudar de idéia.
 
Sabemos que, na Bíblia, Deus termina destruindo Sodoma e Gomorra, salvando apenas uma família.
 
Mas, antes de tomar esta decisão, Ele estava aberto ao diálogo.
 
Temer a Deus não significa ter medo de Deus.
 
Deus está muito mais aberto para uma conversa do que imaginamos; é só começar o diálogo, e ficaremos surpresos com os resultados.
 
 

 

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Paulo Coelho

Fonte:Universo da Mulher