Rio de Janeiro, 06 de Dezembro de 2021

DNA da honestidade

Ethiene, uma cara-de-pau que opera a sangue-frio. O motivo do assalto foi o dinheiro da venda de uma propriedade do pai guardado no cofre de casa.
 
Para se defender, a pré-balzaquiana alegou precisar de tratamento psiquiátrico, mentindo descaradamente sobre namorar um bandido menor de idade com passagens pela polícia.
 
Namorou por pena dele e da mãe viverem de cheque-cidadão.
 
É a primeira vez que programas sociais do governo servem de álibi. Mesmo sendo ameaçada pelo namorado para consumar o roubo, continuava sonhando em se casar com ele. Canastrona que só ela, fez toda uma encenação quando foi encontrada pela polícia, chegou até a simular um desmaio.
 
O pai se orgulha da filha criada com o DNA da honestidade, ao mesmo tempo em que cai na contradição da dor da decepção, maior que a das facadas. A solução para livrá-la da cadeia é considerá-la mentalmente insana, condicionada ao aval do Pinel.
 
Tudo indica que o papel de grande vilão vai parar nas mãos do namorado. Mais palatável para a sociedade associar uma ação criminosa e premeditada a um menor com histórico duvidoso. Afinal, Ethiene possui o DNA que só os filhos das classes média e alta estão autorizados a possuir. Ninguém a questiona de ter empurrado o neguinho para o caminho do mal.
 
Murilo Salles no seu filme “Seja o que Deus quiser” aborda a mesma questão.
 
A condição de pobre vai empurrá-lo de encontro a uma punição exemplar para ensinar esses favelados a nunca mais se meter com “gente de bem”. O pessoal da comunidade não pensa assim. Bandida é ela, que planejou tudo. Como pôde fazer isso com os próprios pais?
 
Aquela carinha de artista não engana a ninguém.
    
Será que é o amor, mesmo travestido de sexo, sensualidade e atração fatal, que junta os pedaços da cidade partida de Zuenir Ventura?
 
Ou é a miscigenação que avança inexoravelmente para se vingar das macumbas de brancos que jogam água no chope de vitoriosos no amor?
 
E por que através do trambique, do assalto à imagem de pai e mãe, desonrando a família como um todo?
 
Será que a estima da “gente de bem” baixou em função de tanta falta de ética para manter seus falsos privilégios?
 
Ou será que subiu o elevador da estima dos renegados à sua própria sorte e começaram a cruzar o Mar Vermelho rumo à Terra da Promissão?
 
 
 

Crédito:Antonio Gaio

Autor:Antonio Gaio

Fonte:Universo da Mulher