Rio de Janeiro, 17 de Outubro de 2019

Uma mão lava a outra

Era uma vez um dedo. Ele vivia sem saber nada de si,
porque olhava somente para fora.
 
Ele foi muito bem cuidado por mãos bem maiores.
Essas mãos lhe deram carinho e alimento, deram-lhe também um nome: Neném.
O dedo repetia o que as mãos lhe falavam.
Aprendeu o nome delas: Mamãe.
 
Começou a descobrir outras mãos.
Mas a mais importante era sempre a Mamãe. Sentia-se o centro das atenções.
Neném adorava dormir envolvido por ela. Neném e Mamãe eram um só sentimento.
Gostava mesmo era de ser agradado. Detestava quando Mamãe sumia.
Parecia que ele mesmo também não existia.
 
Olhou-se e percebeu ele tinha outros dedos irmãos. Que alegria poder mexê-los todos.
Logo entendeu que todos faziam parte da mão.
 
Um dia, a mão quis se lavar.
Por mais dedos que tivesse, não conseguiu.
Por maior que fosse um dedo, também não conseguiria.
 
Precisou da ajuda de outra mão. Que fácil, e que gostoso:
uma mão lavar a outra!
Ambas são importantes uma para a outra.
 
Assim a mão viveu seu primeiro relacionamento.
Depois vieram outros...
Quando surgiram os hormônios sexuais, a mão constatou quão incompleta era.
Afetiva e sexualmente solitária...
Sozinha não era nada. Precisava encontrar sua mão complementar.
 
Entregou-se ao AMOR.
 
Um amor tão intenso, tão sentido, tão realizável
que parecia até um corpo a unir as duas mãos.
De tão grandioso as mãos e o corpo viraram uma só Trindade, que é unidade.
 
Sem amor, as mãos não se unem.
 
Com afeto, quando uma delas cresce,
o amor se multiplica.
E se outra enfraquece, o amor a fortalece.
Forte e sensível, resiste a temporais,
mas desaparece quando uma não quer.
 
Delicado e tão fértil
"O AMOR SE REALIZA NA FELICIDADE DAS MÃOS GERANDO NOVAS MÃOZINHAS..."
 

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Içami Tiba

Fonte:Universo da Mulher