Rio de Janeiro, 22 de Julho de 2018

Inveja: todos têm, poucos admitem

Inveja: todos têm, poucos admitem
"Admitir ser ou estar (num determinado momento) invejoso é uma das confissões mais raras de se ouvir. Seria como admitir uma fraqueza e de fato, a inveja é a pior fraqueza do ser humano!", afirma a psiquiatra Ida Ortolani.
 
Hoje, a necessidade de "muito/mais e mais" se torna cada vez mais forte e aí começam as comparações, o descontentamento com o que se tem, o desejo de ter tudo aqui e agora, etc....
 
Esses são fatores que, quase sempre, levam à inveja.
 
Existe a tendência em se confundir inveja com ciúmes, porém, a primeira é uma emoção mais primitiva que a segunda.
"O ciúme baseia-se na possessividade. Ele pertence a uma relação triangular e, portanto, a um período da vida em que os outros são claramente reconhecidos e diferenciados. A inveja, por sua vez, é uma relação de duas partes, na qual a pessoa inveja o outro por alguma posse ou qualidade. Nenhuma outra pessoa precisa entrar nessa relação".

"A inveja é o ódio por nós mesmos, por não ser ou ter o que o outro é ou tem". Esse ódio esconde dificuldades que nos são muito dolorosas", completa.

O jornalista Zuenir Ventura, que integrou a série de livros 'Plenos Pecados" e que ficou com a incumbência de falar sobre a inveja, ezplica, logo nas primeiras páginas, que existe três distinções básicas sobre o tema. Segundo ele, o ciúmes é querer manter o que não se tem e a inveja é não querer que o outro tenha. "A inveja", continua, " é um vírus que se caracteriza pela ausência de sintomas aparentes. O ódio espuma. A preguiça se derrama. A gula engorda. A avareza acumula. A luxúria se oferece. o orgulho brilha. Só a inveja se esconde". Palavras de quem parece conhecer bem o assunto. Na seqüência, deste mesmo trecho, a emergente e socialite Vera Loyola, que, com certeza, também já sofreu muito com a inveja, dispara: "o verdadeiro amigo não é o que é solidário na desgraça, mas o que suporta o seu sucesso". É ou não é um pecaso para se respeitar?

A inveja, segundo a psiquiatra, é um sentimento destrutivo, principalmente para o invejoso.
 
Odiar o outro é uma forma de dependência, isto é, "damos ao outro um enorme poder sobre nós. O odiado estará na nossa mente a cada minuto, nos fará companhia, ali do nosso lado... sempre!"
 
Segundo o rabino Nilton Bonder em "A Cabala da Inveja", a melhor maneira de nos livrarmos dessa tortura é não invejar.
 
Alcançar a liberação da pesadíssima carga que o invejoso arrasta, requer disciplina, educação, valores morais, pois, para o invejoso é muito mais difícil curtir algo de bom que tenha acontecido a um amigo do que sofrer com ele!

Podemos aprender a transformar essa emoção tão "negativa" em "positiva", admirando uma qualidade, uma posse, um bem de alguém e usarmos esse alguém como modelo para alcançarmos o desejado.
 
"É muito natural termos alguém como modelo para conseguir algo ou um cargo como meta", diz Ida.
 
Alguns exemplos de inveja que pode destruir uma vida: fofoca, calúnias, insinuações maldosas, comentários venenosos, falsos testemunhos, entre outros.

A inveja também se manifesta de forma não reconhecida pela pessoa que a sente. Gestos, olhares, associações, comentários depreciativos.
 
Um exemplo: quando uma pessoa conta com alegria a aquisição de um carro novo e a outra lhe devolve o seguinte comentário: "Você vai ver a despesa que esse carro vai dar", ou então "Tirou na concessionária e já está valendo 30% menos".
 
"É importante estarmos sempre atentos a toda possível manifestação de inveja para podermos não só reconhecê-la mas, procurarmos ajuda especializada, pois, sozinhos não saberemos como descobrir o que há de errado em nós para sermos tão descontentes, insatisfeitos com o que temos e, isso trará paz e serenidade que inveja nenhuma poderá trazer", conclui a psiquiatra.

Todo mundo tem uma história sobre inveja para contar, já que ela é uma emoção natural e basicamente humana.
 
Seja como vítima, seja como sujeito da ação.
 
O importante e ter humildade suficiente para admitir os seus ataques e aprender a lidar com ela.
 

 

Crédito:Anna Beth

Autor:Carol Martins

Fonte:www.centralltda.com.br