Rio de Janeiro, 24 de Agosto de 2017

Envelhecimento

A população brasileira está envelhecendo

Completar 100 ou 120 anos de vida será um fato comum, em um futuro próximo.

Hoje, os avanços da ciência possibilitam a vida mais longa e o desenvolvimento de tecnologia genética para prevenir doenças é uma promessa.

Os produtos farmacêuticos de última geração, os antibióticos, a melhor qualidade da nutrição e os avanços nas medidas de saúde pública permitem que um indivíduo ocidental, em condições normais de saúde, tenha hoje uma expectativa de vida maior do que 80 anos.

No início do Século XX, a expectativa de vida ficava entre os 40 e 50 anos. Esse fato é um dos temas que mais preocupam os cientistas de todo o mundo, porque viver muitos anos, sem qualidade de vida, pode se tornar uma tortura.

“A forma com que se envelhece é determinada por causas genéticas, ambientais e pela história de cada organismo. Porém, os seres humanos podem atuar sobre seu próprio envelhecimento, protegendo-se contra os fatores de risco e adquirindo hábitos saudáveis desde a infância” diz o geriatra Espedito Carvalho, Membro da Sociedade Brasileira de Geriatria-RJ.

Segundo ele, a expectativa de vida da população vem crescendo em todo o mundo.

“Entre 2009 e 2015, segundo o IBGE, a esperança de vida aos 60 anos cresceu, mostrando que uma pessoa que chegasse aos 60 anos poderia viver em média até os 85 anos, contra os 76 de vida média nos anos 80. Porém, não importa a idade ou o sexo, os cuidados com a saúde devem iniciar-se desde cedo” explica.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), já reconheceu a importância de as pessoas idosas continuarem a fazer parte da sociedade e, com isto, alcançarem condições mais saudáveis para si.

Abaixo, Espedito Carvalho, responde uma série de perguntas que envolvem saúde, longevidade e comportamento relativos ao envelhecimento.

O que acontece com as pessoas que atingem idades muito avançadas?

A saúde física é sempre acompanhada da saúde mental?

À medida que as pessoas envelhecem, ocorre uma deterioração geral da função do tecido, como, por exemplo, problemas de visão e audição, artrite, e também uma diminuição da massa muscular, conhecida como sarcopenia.

 A deterioração da cognição também é um fenômeno típico, porém não é, necessariamente, o envelhecimento normal. Nesse caso, as mudanças nas funções cognitivas de uma pessoa, como, por exemplo, a perda de memória de curto prazo, deveria ocorrer gradualmente, ao longo de muitos anos.

O bem-estar físico favorece a cognição, em seu conjunto?

Hoje em dia, há grandes evidências de que a condição física está diretamente ligada à preservação das funções cognitivas.

Especificamente, uma caminhada emprega todos os níveis do sistema nervoso, do cérebro aos músculos, coordenados em uma variedade de formas complexas, e esse exercício é uma maneira muito eficiente de beneficiar a cognição.

Assim, embora muitas formas de exercício sejam recomendáveis para manter a saúde, em geral, o maior benefício vem das caminhadas. As normas atuais recomendam que cada adulto caminhe 10 mil passos por dia, a fim de preservar ao máximo seu cérebro.

Como a pessoa deve abordar o próprio envelhecimento?

Manter-se ativo, tanto física como cognitivamente, é essencial para melhorar as probabilidades de um envelhecimento tranquilo.

Se uma pessoa chega à idade da aposentadoria normal e já considera que seu trabalho não é gratificante, deve buscar outra atividade.

Isso não significa que a pessoa deva, necessariamente, encontrar outro trabalho (ainda que essa possa ser uma boa opção para alguns).

Existem várias atividades que podem ser praticadas depois da aposentadoria, como dedicar mais tempo para tocar um instrumento musical (ou aprender a tocar um), à aprendizagem de um idioma estrangeiro (ou reaprender algum que já foi estudado na escola), fazer exercícios (como sugerido acima) e fazer trabalho voluntário (por exemplo, um engenheiro aposentado pode se tornar um tutor de estudantes de ensino médio com dificuldades em matemática).

Quaisquer que sejam as atividades, não devem incluir assistir televisão.

Essa “atividade”, como já foi demonstrado em vários estudos, se correlaciona diretamente com a deterioração cognitiva. Claro que um programa ou outro é normal, mas devem recorrer a outras ações.

Há pensamentos na medicina que associam a longevidade não apenas à continuidade da vida, mas principalmente a se manter a saúde e a qualidade de vida?

O conceito de “qualidade de vida” é complicado, já que significa coisas diferentes para pessoas diferentes, incluindo os médicos. Embora alguns escolham a opção de fazer tudo o que é medicamente possível para manter uma pessoa viva, como, por exemplo, colocar um paciente da doença de Alzheimer em um ventilador mecânico, outros (entre os quais me incluo) preferem instruir as famílias a não manter a vida de pacientes, caso se tornem cognitivamente incapacitados, utilizando suportes vitais como o ventilador ou um tubo de alimentação, etc.

O vital para um indivíduo é satisfazer seus desejos no “fim da vida”, temas inequivocamente claros para sua família e para o médico que cuida do paciente.

Há estatísticas que mostram quanto às pessoas mais velhas podem viver?

Atualmente, 120 anos parece ser a vida útil máxima que um indivíduo pode, teoricamente, atingir.

 

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Crédito:Luiz Affonso

Autor:Mirian Barbosa

Fonte:Universo da Mulher