Rio de Janeiro, 21 de Outubro de 2017

Tatuagens? Tô fora!

A tatuagem na pele sempre causou polêmicas em todas as épocas e em várias culturas.
 
 
Já foi símbolo de grupos que a usavam para distinguir-se dos demais, como uma marca registrada e permanente, ou, então, servia para fixar um conceito ou religião.
 
Também poderia ser utilizada como simples adorno estético, sem maior comprometimento, a arte pela arte.   
 
A impressão de pigmentos dentro da pele dava um caráter definitivo, pois era praticamente impossível removê-los totalmente.
 
As tentativas feitas no passado eram drásticas e deixavam certamente seqüelas semelhantes a queimaduras. Sempre sem estética e válidas para toda a vida.
 
Também era comum o desenvolvimento de infecções locais por bactérias após a introdução da tinta ou quando se tentava removê-la, pois não se conhecia a assepsia.
 
Nas últimas décadas, qualquer pretexto serve para se fazer uma tatuagem, até o nome do amado pode ser fixado à pele, mesmo sabendo que esse amor não será eterno.
 
Mais duradouro tem sido o afeto a um time de futebol que merece o brasão tatuado em local visível ao maior número de pessoas.
 
Observa-se um modismo na prática de tatuar-se, aliás, poucos ainda se autotatuam, pois há especialistas nessa prática.
 
E quando falamos em modismo, pensamos em algo passageiro e aí vem uma contradição, pois tatuagens subcutâneas são quase definitivas.
 
Outra implicação é a popularização e, conseqüentemente, a banalização dessa moda.
 
Os jovens que são mais vulneráveis, não pensam nas possíveis conseqüências deste ato e poucos discutem com seus pais ou responsáveis.
 
Normas demoraram a surgir e, assim mesmo, não são muito respeitadas aqui no Brasil.
 
Quantos adolescentes chegam em casa com essa “surpresa” para os pais?
 
Daí, começam os dramas familiares e batalhas para se permitir ou obrigar o jovem a remover a tatuagem.
 
Passada a adolescência, o jovem profissional percebe possíveis prejuízos no mercado de trabalho por possuir em seu corpo tatuagens carregadas de símbolos, nem sempre adequados à imagem da empresa.
 
Mesmo em áreas cobertas por vestimentas, chegará um momento de lazer que será inevitável mostrar a tatuagem.
 
Diariamente, ouvimos histórias, depoimentos e os motivos para remover a tatuagem que vão desde vergonha até necessidade psicosocial ou de saúde.
 
Recentemente, surgiu no mercado médico um aparelho de imagem para diagnósticos, sofisticado e em terceira dimensão.
 
Mas sua tecnologia provoca uma atração da energia ao pigmento da tatuagem contendo ferro, provocando queimaduras graves no local.
 
Impede-se assim que pessoas portando tatuagens utilizem esse importante aparelho que poderá ser útil para salvar vidas.
 
Há pouco tempo, médicos infectologistas diagnosticaram partículas do vírus da hepatite C em potes com pigmentos para tatuagem, havendo risco de infectar várias pessoas.
 
Não basta a agulha do aparelho de tatuagem ser descartável, é preciso que a tinta também seja descartável e de uso individual.
 
A tecnologia médica que utiliza o laser (por exemplo, ruby laser) para remover tatuagem, permite remover quase totalmente.
 
A energia emitida quebra os pigmentos e micropartículas que são removidas na crosta de pele que se forma e pelo sistema imunológico que fagocita esses restos de tinta.
 
Cada sessão de laser irá remover uma parcela e, quanto mais profundos os pigmentos, mais difícil será a remoção.
 
Resumindo: será necessário um maior número de sessões (que geralmente variam de duas a dez), sendo no mínimo uma a cada três semanas.
 
A luz do laser é atraída pela cor escura do pigmento e há dificuldade em remover tintas claras como amarelo, verde e vermelho, podendo restar alguma coloração na pele.
 
Quanto mais escura a tinta, melhor para será sua remoção. Há dor no local da aplicação, mas ela pode ser amenizada com o uso de creme anestésico.
 
O custo é elevado porque os aparelhos são importados e sofisticados para  não causarem dano à pele.
 
Assim, vale a pena falar mais uma vez: pense muito e bem antes de marcar sua pele com uma tatuagem! 
 
          

Crédito:Cris Sousa

Autor:Dr. Cid Sabbag

Fonte:Clínica Charles Yamaguchi