Rio de Janeiro, 07 de Julho de 2020

Cirurgia de mamas: dossiê completo

Esclareça todas as suas dúvidas sobre a cirurgia plástica de seios

 

1)Quando é preciso reduzir as mamas..

As brasileiras se renderam à moda dos seios fartos e as próteses de silicone já entraram para a lista de objetos de desejo de muitas. Algumas mulheres, porém, têm de seguir o caminho inverso para se sentirem felizes com o próprio corpo e, em vez de aumentarem os seios, precisam diminuir o seu volume. A cirurgia plástica de redução ou mamoplastia redutora é indicada não só para quem deseja diminuir o tamanho do seio, mas também para quem está descontente com a forma da mama. “Muito além de ser apenas uma preocupação estética, muitas mulheres procuram a cirurgia por uma questão de saúde. O excesso de peso das mamas pode causar dores nas costas e até mesmo problemas de coluna. Há ainda aquelas que sofrem com assaduras na parte inferior do seio e com dores e machucados constantes nos ombros por causa da alça do sutiã”, explica o cirurgião plástico Ruben Penteado, diretor do Centro de Medicina Integrada.

2)Como definir se a mama realmente é grande demais e a cirurgia se faz necessária?

Segundo Ruben Penteado, que é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, não há como fazer este cálculo matematicamente e a decisão final é mesmo da mulher. "A paciente deve informar ao médico se a mama é motivo de desconforto. A queixa pode ser baseada em uma questão puramente estética ou em incômodos físicos. Por exemplo, ela pode perceber que está ficando corcunda, pode apresentar dores freqüentes nos ombros, ou, ainda querer que o seio fosse menos flácido. Todas as informações são avaliadas pelo cirurgião", diz o médico.

3)Momento apropriado para reduzir as mamas...

Para muitas mulheres, o incômodo surge desde cedo. No entanto, as adolescentes precisam ter calma antes de buscar a solução na mesa de cirurgia. “Isso porque, na adolescência, a mama ainda está em desenvolvimento. Os especialistas dizem que, em geral, essa etapa fisiológica vai até os 16 anos, mas, em algumas mulheres, a mama pode crescer até os 20 anos. O ideal é que se observe se a mama já alcançou seu tamanho definitivo, para então avaliar a necessidade de cirurgia", defende Ruben Penteado. Aos 16 anos, por exemplo, muitas garotas ainda estão em fase de desenvolvimento físico, e as formas e os tamanhos de partes de seu corpo podem mudar, como no caso das mamas. “Quanto mais tarde a menina entra na puberdade, mais tempo demora para finalizar as mudanças em seu corpo e para alcançar o tamanho final das mamas. Durante a adolescência pode acontecer também um crescimento desigual dos seios. Em geral, até o final da puberdade, essa diferença se equilibra e os seios tendem a ficar semelhantes. Tudo isto precisa ser dito à adolescente para aplacar a sua ansiedade”, explica Ruben Penteado.No entanto, no caso das mamas muito grandes, chamadas de gigantomastias, a cirurgia pode ser feita mesmo precocemente, aos 15-16 anos, ou até antes, quando constatado que o grande tamanho dificulta o desenvolvimento  adequado do restante do corpo.

4) No caso da redução de mamas, como definir o tamanho ideal dos seios?

Quando o tamanho dos seios não agrada e incomoda, a paciente não deve se preocupar em estabelecer um novo tamanho desejado para os seios. "É papel do médico fazer simulações para que a paciente indique como gostaria que os seios ficassem e, na cirurgia, buscar este resultado. O que mais importa não é o quanto se deve tirar, e sim como será o resultado final. Tudo é pensado para proporcionar harmonia ao biotipo da paciente. Muitas vezes, temos de tirar quantidades diferentes de tecidos dos seios", explica o médico.

5) Cicatrizes da mamoplastia redutora...

Entre as mulheres, há uma grande preocupação quanto à cicatriz deixada pela operação. Novamente, isso dependerá da técnica usada pelo médico, do tipo de mama e da quantidade de tecido a ser retirado. É possível deixar cicatrizes bem discretas, mas os especialistas alertam que a técnica empregada varia de caso para caso. "Usamos técnicas diferentes, já que as mamas das mulheres não são iguais. Sempre escolhemos a técnica que corrija a mama da melhor forma e tenha a menor cicatriz possível. Quanto mais glândula e pele tiverem de ser retiradas, maior será a cicatriz", explica Ruben Penteado. Uma técnica muito utilizada é a que deixa uma cicatriz em torno da auréola, chamada periareolar. Em boa parte dos casos, a mama tem de ser suspendida e a auréola muda de posição. As cicatrizes podem ser ainda em forma de "T" invertido, na parte inferior da mama ou em formato de "L" e "I" . “É importante saber que as cicatrizes passam por diversas fases de transformação até atingirem seu estado final. Então, é preciso controlar a ansiedade. Em geral, apenas depois de um ano pode-se observar o aspecto definitivo da cicatriz, quando ela se tornará mais clara e menos consistente”, informa o cirurgião plástico.

6) Após a mamoplastia redutora, os seios podem voltar a crescer?

Algumas mulheres temem que após a cirurgia, os seios voltem a crescer. Isto vai depender dos hábitos de vida de cada uma, após a operação. Na adolescência, o seio é constituído principalmente de glândula mamária. Conforme a mulher envelhece, ocorre a transformação de parte da glândula em gordura. Por isso, a mama tende a ficar mais flácida. “A cirurgia de redução das mamas retira parte da glândula e também da gordura, já que não é possível definir exatamente o limite entre elas. A glândula não volta a crescer após seu período de desenvolvimento, mas a gordura pode voltar a se acumular na área. Se a paciente engordar, vai haver acúmulo de gordura no corpo todo, inclusive nas mamas", alerta Ruben Penteado.

7) Após a gestação, a mulher pode fazer uma mamoplastia redutora?

A gravidez é um importante fator na aceleração da ptose mamária. A mamoplastia de redução tem como objetivo reverter este quadro, suspendendo a mama e retirando o excesso de pele e tecido mamário existentes. “É indicada para a redução de mamas volumosas e para suspensão de mamas ptosadas (caídas). Pode também ser indicada para correção de assimetrias entre as mamas”, explica Ruben Penteado. Após a cirurgia, “o movimento dos braços fica bem limitado e as atividades físicas moderadas normalmente são liberadas dois meses depois da cirurgia. Será necessária uma ajuda extra para cuidar do bebê”, diz o médico. A paciente deverá ficar afastada de esforços por 30 dias, evitando elevar os braços nos primeiros 14 dias. Deve-se também usar um soutien, sem aros e sem renda, por aproximadamente um mês. A prática de esportes poderá ser retomada após dois meses.

8) E uma mamoplastia de aumento?

A mamoplastia de aumento, conhecida como cirurgia da prótese de mama, é indicada para as pacientes com mamas pequenas ou que após a amamentação tiveram uma grande redução do volume mamário, sem que houvesse ptose da mama (queda da mama). Há vários tipos e modelos de próteses de mama, cada uma com uma indicação, dependendo do tipo de mama da paciente e do plano a ser colocado: subglandular ou submuscular. “A escolha da prótese de mama será feita com a orientação do cirurgião, visando produzir o melhor resultado para o aumento das mamas, o que em cada mulher é diferente”, explica Ruben Penteado.

9) No casos da mamoplastia de aumento, uma nova gestação pode alterar significativamente os resultados da cirurgia?

A prótese de silicone em si não sofre alterações com uma nova gravidez ou com um novo período de amamentação. Tanto a prótese colocada submuscularmente, quanto a submamária ficam situadas abaixo da glândula mamária, não interferindo no crescimento mamário durante a gravidez e a amamentação. “Como a mulher deve evitar esforços nos 30 primeiros dias após a cirurgia e também não pode movimentar os braços em excesso, ela irá precisar de auxílio para tomar conta do bebê”, alerta o diretor do Centro de Medicina Integrada.

10) Quando a mastopexia é indicada?

A cirurgia é indicada para quem deseja apenas levantar a mama, sem reduzir ou aumentar o volume. Neste procedimento, o cirurgião remove o excesso de pele e modela a glândula mamária. A operação dura de duas a quatro horas e a anestesia também pode ser local com sedação, peridural ou geral, e a alta, na maior parte das vezes, ocorre no dia seguinte. “A recuperação é similar a de quem faz a cirurgia para reduzir o tamanho das mamas: limitação nos movimentos, repouso por conta das cicatrizes e ginástica, só no segundo mês”, explica o diretor do Centro de Medicina Integrada.

11) Um dos pontos mais polêmicos, hoje, em relação à mamoplastia de aumento é o tamanho das próteses...

Quando o assunto é o tamanho das próteses, o que deve prevalecer é o bom senso. “Não há um limite definido para o tamanho da prótese de silicone a ser implantada. A questão a ser considerada é se a prótese escolhida é compatível com o biotipo da paciente”, explica o cirurgião plástico.

12) Outro questionamento recorrente em relação às próteses de silicone diz respeito à sua validade...

“Quanto a este ponto, antes que a paciente se submeta à cirurgia, é preciso que o médico esclareça que uma prótese de silicone não dura por toda a vida. O tempo de vida útil de uma prótese é algo imponderável e completamente individual. É preciso entender que o corpo encara a prótese como um transplante, e, em alguns casos, há rejeição à prótese de silicone”, explica o cirurgião plástico Ruben Penteado. Algumas vezes, acontece o encapsulamento da prótese pelo próprio organismo, “ou seja, o corpo cria um invólucro contra a prótese, deformando o seu formato. Esta reação do organismo pode causar dores e muito desconforto, fazendo com que a paciente procure novamente o cirurgião plástico para uma reavaliação”, diz o diretor do Centro de Medicina Integrada. “De uma maneira geral, aconselhamos que a cada ano após o implante, se faça uma revisão da prótese, pois a troca também pode se tornar necessária  em função da flacidez da pele ou do reposicionamento dos seios. Por exemplo, depois de uma gestação, o corpo da mulher passa por uma série de transformações, a troca da prótese pode ser feita para devolver o equilíbrio à silhueta”, explica Ruben Penteado.

13) Importância da cirurgia de implante de mamas para mulheres mastectomizadas

A mama é um dos símbolos da identidade feminina. A sua extração para tratar o câncer de mama significa muito, tanto do  ponto de vista físico quanto psicológico para a mulher. “Portanto, a sua reconstrução é  de suma importância para que a paciente recupere a auto-estima, auxiliando, assim, o tratamento do câncer e o restabelecimento do convívio social”, afirma o cirurgião plástico Ruben Penteado. Em pacientes submetidas a mastectomia, o objetivo maior da cirurgia reconstrutora é a reabilitação estética, retirando da paciente o estigma do câncer e da mutilação. O retorno à condição física pré-câncer é fundamental neste processo e a morbidade da retirada da musculatura não é desprezível. “A microcirurgia e os retalhos perfurantes constituem mais uma opção para as mulheres mastectomizadas pela menor agressão à parede abdominal e pelo retorno mais precoce às atividades habituais pré-operatórias. A ponderação entre estas vantagens e os riscos inerentes à complexidade do procedimento deve ser aventada, colocando-se assim a melhor opção de tratamento e reabilitação”, defende Ruben Penteado.

14) Como são realizadas as cirurgias para reconstrução de mama

O tipo de cirurgia para reconstrução da mama varia de acordo com o tamanho e localização do tumor, do biotipo da paciente e do volume da mama. “Pacientes magras e com mama contralateral pequena apresentam melhores condições para reconstrução da mama com expansor de pele e posterior colocação de prótese de silicone. Em mulheres obesas ou com mama contralateral grande, a reconstrução pode ser feita com expansor e prótese de silicone de maior volume ou com tecidos do abdômen ou das costas, com ou sem próteses”, explica o médico. Grande parte das cirurgias reconstrutoras são realizadas simultaneamente à retirada do tumor câncerígeno. “Dessa forma, diminui-se o tempo de internação e a reabilitação social é beneficiada. Quando a reconstrução é imediata, a paciente não precisa conviver com a mutilação parcial ou total do seio, a mastectomia. A experiência se torna menos traumática”, explica Ruben Penteado.

15) Plástica para reconstrução da aréola e do mamilo

Muitas vezes, a aréola e o mamilo também são retirados durante a mastectomia. Sua reconstrução se realiza, geralmente, entre 2 e 3 meses depois que se  reconstruiu a mama. A reconstrução do mamilo é feita, na maioria das vezes, com parte do mamilo da outra mama, cartilagem da orelha ou com a pele da própria mama reconstruída. “A escolha vai depender do tamanho do mamilo contra-lateral e das condições locais da pele”, explica Ruben Penteado. A aréola normalmente é reconstruída a partir da pele situada na região interna das coxas, que tem grande quantidade de melanina ou através de tatuagem. “Cabe ao cirurgião plástico avaliar as condições da pele e da técnica utilizada para reconstruir o mamilo e a aréola”, afirma o médico.


SERVIÇO:

 

 

Centro de Medicina Integrada
Endereço: Rua Tuim, 929
Moema
São Paulo-SP
Tel: (11) 5535 0830
Atendimento: de segunda a sexta-feira
Horário: 08:00 às 20:00.
www.medintegrada.com.br

Crédito:Cris Padilha

Autor:Márcia Wirth

Fonte:Universo da Mulher