Rio de Janeiro, 17 de Agosto de 2017

Botox: como e quando?

Estima-se que a toxina botulínica movimente mais de R$100 milhões de reais por ano no país, graças à explosão de consumo que ocorreu a partir do ano 2000, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária—Anvisa—liberou a comercialização da substância no mercado brasileiro.

Independente da especificidade do botox é bom esclarecer que, nem tudo pode ser corrigido com o produto que parece ter surgido como o salvador da pele (literalmente) de muitas mulheres.

Algum tempo atrás, quem quisesse atenuar as marcas do envelhecimento se submetia ao “corta, puxa e costura” da cirurgia plástica.

Hoje, o ramo da estética oferece opções variadas e específicas para cada imperfeição cosmética.

Quem imaginou que as rugas de expressão desaparecessem com apenas uma picada de agulha?

E mais: sem intervenção cirúrgica nem anestesia.

Com a toxina botulínica, ou o popular botox, a especulação virou realidade.

O segredo é que a substância interfere nos músculos, região que a cirurgia plástica não alcança.

O consumo do botox colocou o Brasil em segundo lugar no ranking, perdendo apenas para os EUA.

Segundo a Dra Deusa Pires Rodrigues, especialista em cirurgia plástica e membro efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, anteriormente, a substância era usada apenas para fins terapêuticos.

“Aplicava-se o botox para aliviar dores de cabeça intensas. Como efeito colateral notava-se nos pacientes a atenuação das rugas de expressão. Daí, não demorou para que a toxina fosse usada para objetivos estéticos.”, conta a especialista.

A aplicação da substância dura aproximadamente 10 minutos, com uma leve picada de agulha em cada ponto do rosto.

A  paralisia muscular causada pela aplicação volta ao normal em cerca de 6 meses, sendo necessária uma nova aplicação para manter a paralisia.

“Isso acontece não porque o botox perde o efeito. Na verdade, ele obstrui os receptores musculares e fica lá para sempre; mas depois de um tempo o músculo forma novos receptores e volta a contrair-se”, explica a Dra Deusa.

De acordo com a médica, novas aplicações não devem ser feitas em menos de 6 meses, já que o uso freqüente do botox pode  estimular a produção de anticorpos. Quanto aos efeitos colaterais, a especialista tranqüiliza: “Se utilizada corretamente, a toxina não traz prejuízo para a saúde, nem toxicidade, uma vez que a dose é pequena. O máximo que pode acontecer é a substancia infiltrar-se em regiões adjacentes, causando a queda da pálpebra, por exemplo”.

A médica lembra que a utilidade do botox não pode ser confundida com outros procedimentos.

“As finalidades da intervenção cirúrgica e do botox são diferentes. Existem problemas que a toxina não soluciona, e outros que a cirurgia não pode corrigir. Por essa razão, é preciso distinguir quais os casos mais adequados para cada aplicação”, explica.

A flacidez da pele decorrente do envelhecimento, por exemplo, demanda uma intervenção cirúrgica.

Quando a pele perde a sustentação, a única maneira de corrigir o problema é com a cirurgia plástica, que vai cortar e eliminar o excesso cutâneo, esclarece a Dra Deusa.

Já o uso do botox está relacionado com a ação dos músculos faciais, que são responsáveis pelos diferentes aspectos da mímica do rosto humano.

“Esses músculos servem para demonstrar emoções. Porém com o passar dos anos, as contrações causam sulcos na pele que podem tornar-se permanentes, conhecidas como rugas de expressão”, afirma.

De acordo com a médica, esse problema pode ser corrigido, atenuado ou prevenido com a aplicação do botox, que causa a paralisa destes músculos.

Já as rugas finas e manchas na pele, decorrentes do envelhecimento pela exposição prolongada ao sol, não podem ser corrigidas por plástica nem por botox.

“Os pequenos sulcos e a má distribuição da coloração cutânea só podem ser atenuados com um lixamento da superfície da pele, conhecido como peeling”, explica a especialista.

 

 

 

Crédito:Anna Elizabeth

Autor:Vera Morais

Fonte:Vera Morais