Rio de Janeiro, 26 de Março de 2017

O primeiro beijo

O primeiro beijo
Falar de puberdade sem falar de “ficar”, de beijo e de amasso não é falar de puberdade. Muitos pais entendem que essas experiências são necessárias, mas ficam muito ansiosos para que seus filhos sejam bem sucedidos neste aspecto.
 
A maioria dos pais não sabe como se posicionar, não sabe se comenta o assunto ou mesmo se questiona os filhos sobre suas experiências correndo o risco dos mesmos se sentiram pressionados, arredios ou se deixam o jovem à vontade para comentar suas experiências ou não quando elas acontecerem.
 
Os pais sempre consideraram a tarefa de orientar seus filhos sexualmente uma ação muito difícil e delicada. Quando um filho entra na puberdade  sabemos que a infância ficou para traz e, para todos os  pais principalmente para os mais apegados aos seus “bebês” este momento é sentido como um luto. Apesar de dizerem que seus filhos estão crescendo, muitos deles não se sentem  suficientemente preparados para administrar as mudanças que cada fase do desenvolvimento impõe.
 
A puberdade é uma fase de extrema importância, pois nela a criança se despede da infância rumo a adolescência que é o grande laboratório da maturidade e da adultes.
 
Este rito de passagem  é caracterizado por muitas sensações novas, tanto físicas quanto emocionais que levam os jovens a uma dimensão de estranheza que irá provocar muitos sustos, medos, indecisões, conflitos e duvidas. As expectativas da natureza neste momento seriam que mente e corpo andassem juntos para o desenvolvimento do jovem, mas não é o que acontece normalmente.
 
Quando o corpo de uma criança é saudável todos os pré-requisitos fisiológicos para que este ser humano se desenvolva são seguidos a risca, pois o tempo de vida do indivíduo é o grande gatilho de seu  crescimento e desenvolvimento. Da mesma maneira entende-se que cada etapa do desenvolvimento físico corresponde também a uma etapa do desenvolvimento emocional e que isso acontece ao mesmo tempo. Essa afirmação é quase verdadeira, pois cada ser humano tem seu tempo emocional para galgar as etapas de  sua maturidade emocional e isso é muito particular.
 
De todas as experiências sexuais da puberdade, olhar o próprio corpo, descobri-lo e senti-lo, o primeiro beijo na boca é uma experiência única e coberta de muita fantasia e expectativa. Primeira troca sexual, é capaz de provocar muitas sensações a que o jovem não está acostumado e pode tanto selar a melhor de todas as impressões como decepcionar e, com isso, adiar por mais um tempo as experiências sexuais envolvendo o outro. Quando falamos de experiências sexuais estamos nos referindo aos beijos e amassos, pois relações sexuais não são desta fase do desenvolvimento e sim da adolescência.
 
Todos os jovens iniciantes têm muita curiosidade em experimentar o tal beijo e ter beijado ou saber beijar é um status a ser conquistado.
As meninas, até mais que os meninos, se sentem muito pressionadas pelas amigas a viver a experiência, muito porque para vive-la terão que testar seu prestigio entre os meninos e conquistá-los.
 
O “ boca virgem”, ou os que ainda não beijaram,  são sempre vistos com desdém pelos colegas e podem se sentir excluídos do grupo ou mesmo inadequados. Neste sentido muitos mentem para os colegas para se livrarem das gozações e terem sossego para encontrar o melhor momento para suas experiências.
 
Para se beijar alguém pela primeira vez  é preciso ter coragem  e essa coragem é negociada com a auto-estima. O primeiro beijo necessita de um aparato de preparação e maturidade para que o jovem não se sinta muito constrangido com a vivência.
 
Os jovens precisam se sentir preparados para suas experiências e o tempo que isso vai levar depende muito da maturidade emocional deste jovem, de sua educação, além da influência cultural e social.
 
Seja como for, os jovens não deveriam ser pressionados a viver suas experiências para que elas pudessem ser bem vividas. Os pais, para ajudar, poderiam adotar uma conduta mais neutra e mencionar suas experiências correspondentes a cada fase e esperar que, com isso, o filho se encorajasse a mencionar seus medos, angústias, ansiedades e experiências naturalmente.
Afinal, o primeiro beijo a gente não esquece... 
 
Silvana Martani é psicóloga da Clínica de Endocrinologia da Beneficência Portuguesa - CRP 06/16669
 
 

Crédito:Renata Rebesco

Autor:Silvana Martani

Fonte:Materia Prima