Rio de Janeiro, 17 de Outubro de 2019

Tudo, menos abóbora

Tudo, menos abóbora
Duas personalidades que se encaixam na mesma mulher.
 
       
Uma paixão do tamanho da loucura de uma pisciana que faz o que quer... e não segura sua onda. Mas esvoaça, vem até você que nem beija-flor, não canta porque de belo já basta as asas em contínuo movimento. Mas não é correspondida. Por isso, constrói um muro em torno de sua casa, alegando medo de assaltantes. Quer distância, sobretudo de mulheres que só se fascinam com amor bandido. No lugar, sentir-se querida, abraçada em laços de ternura que se comprimem numa aliança para fazer história. Mas o que mais teme é terminar sua vida sozinha. Isso a deprime, tortura e dilacera sua alma. O que provoca surtos irrelevantes, alergias desalmadas e doenças que sinalizam um caminho sem volta. O de não ter dado conta da vida.
 
       
A outra personalidade, leonina. O mundo gira em torno do seu umbigo, tal o narcisismo que faz seu ego se multiplicar em mil faces. A estratégia na arte da guerra a salva pelo gongo, mas põe tudo a perder quando a sutileza na sedução transparece arrogância, supor-se melhor e mais bonita. Por querer ver os holofotes projetados no seu foco. Com forte tendência de regredir ao departamento infanto-juvenil ou ao estágio de menina-moça. Incapaz de se questionar, por  ver na sua imagem refletida no espelho a leoa soberana no reino do leão. Se brilha o tempo todo é porque não há nada de errado, ao contrário, tem o poder até de ofuscar. É o momento do anticlímax, em que é agradável de conversar até a página 7. Virada a folha, namora a frivolidade, marca bobeira, torna-se um tanto autista, ao não mais fazer contato com o outro. Tem que destoar brilhando, pois se sabe de bem com a vida, de alegria borbulhante e com o orgulho de ser o que é. Imersa na feliz ignorância de que o planeta Terra oferece um montão de atrações independente do que tem a proporcionar.
 
       
Personas que brigam contra o alucinante avanço das horas no relógio do tempo, apavoradas com as badaladas da meia-noite, virar abóbora nem pensar, não está no seu programa. Desdenham de príncipes encantados - ou seria descrer? Se esgoelam, puxam o cabelo e unham o seu próprio eu, numa disputa infernal em que o homem tem o seu lugar de honra reservado. Para assistir e não se meter.

Crédito:Antonio Carlos Gaio

Autor:Antonio Carlos Gaio

Fonte:Universo da Mulher