Rio de Janeiro, 18 de Julho de 2019

Os economistas

Os economistas
Os economistas já constituem uma raça à parte a caminho de estabelecerem uma dinastia que governará os destinos econômicos do planeta, tal a sintonia com que ludibriam e desbaratam algo tão elementar como receita e despesa, lucro e prejuízo, se sobra ou falta, o que dá pra viver.
 
Sua reputação gira em torno da dureza no combate à inflação, em favor da estabilidade econômica, às custas de elevar os juros e impor sacrifícios à população. Equação que implica no menor custo possível para o país, pois demonstra amadurecimento e aprofunda as políticas macroeconômica, fiscal e monetária, em virtude de realizar um ajuste vigoroso em conta corrente e normalizar o fluxo de capitais. Entenderam?
 
Consideram o FMI como seguro-saúde, confiscam poupanças, incineram contratos de trabalho com aposentados, desaceleram a economia e reclassificam o empregado como mercado informal.
Intervêm na cotação do dólar para garantir reeleição ao elevar o PIB do Brasil à 8ª posição. E vê-lo agora na 15ª, abaixo da Índia.
 
São obcecados em aumentar as exigências e o tempo trabalhado para se aposentar, ao nos examinar como irracionais criados em viveiros e constatar o aumento da vida útil.
Estabelecendo a Quarta Idade ao cair na compulsória elevada para 75 anos, ao sabor do desafio de descobrir prazeres inusitados em linhas e curvas que declinam inexoravelmente, graças à sapiência acumulada na labuta incansável em cortar cana, fazer continência, bater ponto e contar dinheiro dos outros.
Com pouca ou nenhuma flexibilidade, guardam um horror à flacidez, rijo é o estado preferencial em que melhor se assentam e com que se animam.
 
São totalmente insanos ao prescrever a absorção a graves choques, tratando o ser humano como um mentecapto que teima em não se adaptar às regras do mercado. Impõem severos castigos, que lembram chibatadas, ao demonstrarmos incúria em contrair dívidas, vidrados que somos em sinais exteriores de riqueza. Quando o sonho de consumo dos economistas se concentra em criar um banco para clientela fina, presidir um banco estrangeiro ou viver da aplicação na Bolsa de Valores.
 
Só pensam em dinheiro, como os analistas de banco internacionais que fizeram mea-culpa e aprovaram o Brasil petista, ao aliarem o pragmatismo à preocupação social e às reformas.
O mercado está com uma liquidez inacreditável, os investidores procuram alta rentabilidade e o Brasil é realmente a melhor economia para se investir, constatam entusiasmados com uma das maiores mudanças no quadro econômico da América Latina.
 
Pregam a austeridade fiscal como pastores do nosso bolso e incorrem no crime de lesa-pátria, não previsto, evidentemente, no Código Penal do primeiro ao terceiro mundo. Baseado na mesma filosofia do sistema bancário cobrar do bom pagador o que perde do mau pagador. Caindo no vazio as previsões de vulnerabilidade da economia brasileira, à testa Lula, que, na campanha eleitoral, aumentaram seu risco, dispararam o dólar e a dívida externa, e incitaram a inflação a devorar o patrimônio público.
 
          
Operam com projeções, manipulam expectativas e escravizam a matemática a serviço da rentabilidade.
Se dirigentes esportivos, que representam nações de torcedores, começam a ser presos, a voz do povo é a voz de Deus: “a-e-i-o-u, algema eles e manda pra Bangu”.

Crédito:Antonio Gaio

Autor:Antonio Gaio

Fonte:Universo da Mulher