Rio de Janeiro, 25 de Maio de 2017

Mídia pode influenciar opinião dos telespectadores - Por Suzy Zveibil Cortoni

A percepção negativa dos cidadãos em relação ao meio político é um fato há muito tempo. Em períodos pré-eleitorais criam expectativas favoráveis de mudanças e novos ventos, mas ao longo do tempo, a velha sensação de que seu voto foi em vão retoma seu lugar. Porém, nada é mais frustrante do que a constatação da corrupção de seus representantes e do governo de forma geral. O atual retrato político do país  desperta nos cidadãos a dualidade: “posso mudar isso tudo” (indignação) x “não dá para acreditar em mais nada” (desânimo).
 
 
Um estudo sobre a percepção dos telespectadores frente ao escândalo político na prefeitura de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, em 2002, no qual foram desviados R$ 52 milhões, foi um pequeno olhar para o futuro. Na pesquisa qualitativa, realizada pela ComSenso - Agência de Estudos do Comportamento e a empresa FPJ Fato, avaliou a opinião de homens e mulheres de 25 a 55 anos, de classe sócio-econômica B e C que acompanham diariamente os telejornais noturnos.
 
 
Embora tenha sido realizado há três anos e não tenha ligação com os escândalos atuais, as reações das pessoas continuam as mesmas. No estudo percebemos que a mídia, em especial a informação jornalística da televisão, tem papel fundamental na formação de opinião e nas atitudes dos cidadãos, e em especial do eleitor frente a candidatos e partidos. 
 
 
A população utiliza a mídia, e principalmente a TV, para saber o que está acontecendo no país e formar sua opinião sobre a situação política vigente. A primeira reação da grande maioria ao se deparar com o noticiário é a indignação pelo fato. Sentimentos como repúdio, raiva e revolta se voltam contra os envolvidos. Depois de chocados, mas não surpresos, eles se mostram céticos e envergonhados em relação aos políticos, concluindo que o fato não é isolado, mas algo que sempre acontece. Os eleitores enxergam a corrupção como parte da política brasileira, que atinge até mesmo os políticos com imagem ‘séria’ e ‘honesta’.
 
 
Ou seja, os sentimentos de descrença são ampliados para todos os políticos e governantes, pois as pessoas acreditam que os cargos públicos são usados apenas para atender interesses pessoais.
 
 
A conclusão do estudo aponta a forma como os cidadãos brasileiros lidam com a corrupção: é uma notícia que choca, mas não é uma notícia que surpreende. Os cargos públicos são ambicionados para obtenção de benefícios pessoais e não para o bem público ou da população. Mesmo os políticos com alguma credibilidade ficam absorvidos e emaranhados por uma rede de interesses próprios, a ponto de não favorecerem a explicitação dos fatos corruptos de seus parceiros políticos.
 
 
A decepção nas escolhas deixa os cidadãos ‘órfãos’ e com sentimento de abandono e traição. Passam então, a desacreditar nas instituições e nas autoridades, uma situação perigosa para a democracia. Com os atuais escândalos políticos as próximas eleições serão influenciadas, seja pela cautela com que as pessoas irão escolher seus candidatos ou pelo radicalismo do descrédito total e a tendência de, por exemplo, anular votos.
 
 
Outras conclusões da pesquisa indicam a importância da mídia para favorecer a percepção da população diante de uma dimensão geralmente pouco transparente:
 
 
A cumplicidade entre os políticos para neutralizar as informações sobre corrupção; governos e autoridades em condições de agir sobre este tipo de mazela só o fazem a partir de denúncias na mídia, e em especial na televisão; a notícia jornalística tem forte conteúdo informativo, com credibilidade e capacidade de “abrir a cabeça do povo”. E, finalmente, o cidadão percebe que as informações reveladas pela mídia não costumam ser acessíveis pelos mecanismos regulares das instâncias políticas e, muito menos, disponibilizadas diretamente por instituições e autoridades que teriam legitimidade em investigar e denunciar, ambos bloqueados por uma rede perversa de imobilismo e ocultação deliberada.
 
 
 
 
* Suzy Zveibil Cortoni é psicóloga e diretora da ComSenso Agência de Estudos do Comportamento
 
 
 
Sobre a ComSenso Agência de Estudos do Comportamento Humano
 
A ComSenso Agência de Estudos do Comportamento Humano desenvolve pesquisas qualitativas para avaliar tendências de comportamento de grupos sociais, projetos educacionais, avaliação de projetos de qualidade e conhecimento sobre clientes internos e externos de empresas. Desde 1992 no mercado, a empresa já desenvolveu trabalhos para TV Globo, Globosat, Record, Band, Claro, Esso, BSH, Unibanco, entre outros. Em parceria com o Instituto Datafolha, a empresa também realizou estudos e análises qualitativas (algumas publicadas no jornal Folha de S. Paulo) sobre a percepção da população em relação a campanhas e personalidades políticas. A empresa é dirigida pela psicóloga Suzy Zveibil Cortoni que trabalha com pesquisas qualitativas e quantitativas desde 1984 e também é co-autora do livro “As Herdeiras” (Editora Nobel), que faz uma reflexão sobre as mulheres líderes empresariais, por meio do depoimento de seis executivas (Ana Maria Diniz, Elizabeth Beaman, Fátine Chamon, Genny Serber e Regina Yazbek), que não foram educadas para assumir os negócios de suas famílias, mas por decorrência de fatores não previstos antecipadamente, assumiram postos de destaque nas empresas herdeiras.
 
 
Para mais informações , consulte o site www.comsensopesquisa.com.br
 
 
 
 
 

Crédito:Paloma Oliveira

Autor:Suzy Zveibil Cortoni

Fonte:Versátil Comunicação