Rio de Janeiro, 30 de Abril de 2017

Bundalelê

Bundalelê

Quer gravar um cd e vender milhões?

Bote lá uma bunda.

Quer fazer um programa de tv dar audiência? A bunda!

Quer vender cerveja? Chame a bunda!

Sucesso no rádio? Fale de bunda!

Quer manter seu emprego seguro? Proteja a bunda!

Fez besteira? Faça cara de bunda.

Não gosta do sujeito? Chame-o de bunda.

 

O Brasil é o país da bunda

 

E quer saber? Eu adoro bunda. Bundas bonitas, femininas evidentemente, são uma delícia de olhar. Elas têm um balanço, um equilíbrio no vai-e-vem que é insuperável... São gordinhas. Lisinhas.

Têm linhas arredondadas, proporcionais. Da bunda o olhar sobe, ansioso para verificar se o rosto está à altura. E quando está, a beleza abunda!

Viva a bunda!

 

Mas esta semana fiquei meio desbundado. O Lula apelou pra bunda.

A frase já entrou para a história: "O brasileiro não levanta o traseiro do banco, ou da cadeira, para buscar um banco mais barato. Reclama toda noite dos juros pagos e no dia seguinte não faz nada para mudar".

É claro que o presidente disse "traseiro" mas vai dizer que ele não estava pensando em bunda? Se tivesse dito, de boca cheia, "bunda", seria o caos.

E como é que fica essa história do Severino falando de supositório e o Lula de bunda? Essa combinação é, no mínimo, desconfortável...

Pois quer saber? O Lula está certo. Somos uns bundões. Só reclamamos, não mexemos o traseiro, ficamos esperando que resolvam por nós.

Pois vou lançar o MDB do B: Movimento Dos Bundões do Brasil.

Milhares tirarão as bundas das cadeiras e irão às ruas. Pintarão os rostos e as bundas. Levarão faixas. Gritarão palavras de ordem: "Bundas. Unidas. Jamais serão vencidas!". Farão tanta pressão que certas bundas poderosas do Banco Central serão obrigadas a se mexer. E reduzirão as taxas a um patamar aceitável. E vamos perceber a força das bundas e começar a corrigir outras coisas...

Portugal não fez a Revolução dos Cravos? Pois nós faremos a Revolução das Bundas. Milhares e milhares de bundas, bundinhas e bundonas marchando de costas na Esplanada!

Bunda branca, bunda preta, bunda amarela.

Bunda dura, bunda mole, bunda dele e dela.

Bunda rica, bunda pobre e bunda remediada.

Bunda do pai, da mãe, avós, filhos e empregada.

Quero ver se a tv vai resistir às bundas da Juliana Paes, Kelly Key e Luma de Oliveira. A marcha das bundas pela moralização do Brasil!

Mas aí vem a secretária de estado norte-americana, Condoleezza Rice, exortando os países latino-americanos a persistir no caminho da democracia: "Não percam as esperanças, não desanimem e, sobretudo, não dêem marcha à ré", disse ela em Brasília.

Pronto. Lá vem a desmancha-prazer.

Como assim, "não dar marcha à ré?" E a bunda?

Só podia ser norte americana.

Essa raça não tem bunda.

 

 

* Luciano Pires é jornalista, escritor, conferencista e cartunista.

 

 

Crédito:Carina Eguía

Autor:Luciano Pires

Fonte:Café Brasil