Rio de Janeiro, 04 de Abril de 2020

Síndrome do edifício doente aumenta casos de alergia

Síndrome do edifício doente aumenta casos de alergia
As alergias respiratórias estão afetando cada vez mais pessoas que trabalham em escritórios e ambientes fechados.
 
Um estudo publicado na revista científica Environmental Health Perspectives demonstrou que até 60% das pessoas que trabalham em locais com má qualidade do ar sofrem com sintomas respiratórios, tais como ressecamento da mucosa nasal, por vezes com sangramento, piora dos sintomas de rinite e/ou asma, manifestações oculares, como lacrimejamento e congestão, rouquidão e outros sintomas como cefaléia, tonturas, náuseas e fadiga em geral.
 
Esse fenômeno tornou-se tão comum no Brasil e no mundo que a Organização Mundial da Saúde o denominou de Síndrome do Edifício Doente.
 
Segundo especialistas, um dos problemas mais freqüentes dos edifícios “doentes” é o sistema de ar condicionado, que apresenta alto grau de contaminação por microorganismos, proporcionando, assim, o desenvolvimento de alergias. A Dra. Mônica Aidar Menon Miyake, otorrinolaringologista e alergista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, explica que a Síndrome do Edifício Doente é observada em pessoas que passam grande parte do seu tempo dentro de ambientes impróprios, mal ventilados e mal construídos, sendo freqüente o desencadeamento ou piora dos sintomas de rinite alérgica e não alérgica, além da rinite ocupacional. “Isto pode ocorrer por deficiência de insolação (luz solar) e de ventilação do ambiente, bem como acúmulo de alérgenos (substâncias ou microorganismos que desencadeiam a alergia) e irritantes respiratórios, sem contar a falta de manutenção adequada dos aparelhos de ar condicionado”, afirma a médica.
 
Os microorganismos mais facilmente encontrados em ambientes onde há má qualidade do ar são os ácaros, organismos que habitam e se proliferam onde há matéria orgânica de qualquer natureza (animal, alimentar, fibras vegetais, têxteis). Os fungos, que aproveitam a umidade e a falta de limpeza dos aparelhos de ar condicionado, de aparelhos isolados e, principalmente, no ar condicionado central de grandes edifícios, também são comuns. Muitas bactérias, como a Legionella pneumophila, são resistentes para se disseminar a partir dos condutos de ar condicionado. Esses microrganismos podem aproveitar a umidades de encanamentos e causar problemas em comunidades, tais como escolas, empresas, hospitais e hotéis, por exemplo.
 
Outros poluentes atmosféricos internos, como fumaça de cigarros, produtos químicos para higiene e limpeza também podem levar a respostas alérgicas ou infecciosas. “Além disso, diversos profissionais podem ficar mais suscetíveis ao aparecimento de rinite ocupacional, como cabeleireiros, pintores, marceneiros, entre outros, pois ficam expostos a substâncias irritantes por longos períodos”, aponta a Dra. Mônica Menon.
 
Para quem trabalha em locais com má qualidade do ar, os sintomas causados pela síndrome do edifício doente podem ser amenizados com alguns recursos. Segundo a Dra. Renata Rodrigues Cocco, alergista e consultora científica da Libbs Farmacêutica, “na tentativa de se manter as vias aéreas livres de impurezas, recomenda-se limpeza nasal, cerca de 4 vezes ao dia, com solução fisiológica, para impedir a entrada dos agentes indesejáveis ao trato respiratório. Além disso, em especial em ambientes em que o ar condicionado provoca ressecamento da mucosa, a hidratação nasal é recomendada com objetivo de umidificar e conferir aos microcílios nasais seu pleno poder de defesa”, diz ela.
 
A Libbs Farmacêutica lançou recentemente o Maxidrate, o primeiro medicamento específico para o alívio do ressecamento nasal no Brasil. “O Maxidrate é um gel nasal que possui a capacidade de hidratar a mucosa por período prolongado (uma aplicação ao dia). Dessa forma, atenua os efeitos dos agentes agressores que danificam a mucosa devido ao ressecamento do muco e paralisação dos cílios nasais”, afirma a Dra. Renata Cocco.
 
Como surgiu a Síndrome do Edifício Doente
 
Segundo informações do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), a tendência de se construir prédios fechados, com poucas aberturas para ventilação, começou a ser observada depois da década de 70, quando ocorreu a crise do petróleo, que culminou em uma crise energética em nível mundial. A mudança nos projetos de construção de novos edifícios tinha como objetivo gastar menos energia para a manutenção da circulação e da refrigeração do ar.
 
A construção de prédios "hermeticamente" fechados solucionou o problema do consumo de energia, porém, a redução drástica da captação do ar externo, passou a ser responsável pelo aumento da concentração de poluentes químicos e biológicos na atmosfera interna, pois a taxa de renovação do ar era insuficiente. São encontrados nesses ambientes poluentes químicos produzidos no interior dos estabelecimentos a partir de materiais de construção, materiais de limpeza, fumaça de cigarro, fotocopiadoras e pelo próprio metabolismo humano, e os poluentes biológicos, como fungos, algas, protozoários, bactérias e ácaros, cuja proliferação era favorecida pela limpeza inadequada de carpetes, tapetes e cortinas. A presença constante dessas substâncias nas edificações foi a causa do que se convencionou chamar de "Síndrome do Edifício Doente" (Sick Building Syndrome – SBS).
 
 

Crédito:Ana Carolina Prieto

Autor:Ana Carolina Prieto

Fonte:Segmento Comunicação Integrada