Rio de Janeiro, 27 de Julho de 2017

Bariloche

Cidade argentina vai além da neve, há opções para quem busca sossego, esportes radicais, alta gastronomia, degustação de chocolates e cervejas artesanais, trilhas, passeios de barco com direito à pesca, cassinos e até campos de golfe

Existem algumas máximas que pregam o cumprimento de determinadas atividades que precisam ser realizadas ao longo da vida, como plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.

Se pudéssemos acrescentar mais itens à lista, um deles seria ver o mar, outro, sem dúvida, a neve e sua perfeição gelada. Esse “oásis” branco está logo ali em Bariloche.

Para nós, brasileiros, é um dos melhores lugares para experimentar o frio, além de belíssima e romântica, a cidade nos acolhe calorosamente e oferece uma série de facilidades.

Para começar, todo mundo entende português e “portunhol”.

O comércio local aceita a moeda brasileira, inclusive costuma oferecer descontos em transações em real. E, para a alegria de todos, um real equivale a cinco pesos argentinos.

Também não é necessário levar o passaporte ou ter visto para entrar no país, pelo acordo do Mercosul, basta o documento de identidade ou carteira de habilitação (CNH).

Outra comodidade é a praticidade para chegar lá, pelo menos três companhias aéreas (LATAM, Azul e Aerolíneas) fazem a rota, com voos diretos. De São Paulo até Bariloche, por exemplo, são quatro horas de viagem.

Ao contrário do que se pensa, esquiar é apenas uma das tantas atrações da Brasiloche – nome carinhoso dados pelos brasileiros, principais visitantes do local. Há opções para quem viaja em busca de alta gastronomia, para os apaixonados por golfe ou pesca, para os amantes dos esportes radicais, para os fãs de chocolate gourmet, degustadores de cerveja artesanais, crianças e adultos que só querem brincar na neve, entre outros perfis.

Para Diego Piquin, diretor-executivo do Ente Misto de Promoções Turísticas (EMPROTUR), organização de turismo que representa Bariloche, a cidade tem vida durante o dia e à noite também.

“Recebemos turistas de diferentes faixas etárias e lugares do mundo, e conseguimos deixar todos satisfeitos e felizes. Até quem viaja em busca de boas compras se encontra na cidade. Além das roupas de couro e de inverno, com preços atraentes, é possível comprar vinhos a preços muito bons, de safra altamente qualificada, por apenas R$ 30”, informa.

Localizada nos Andes Patagônicos, a 1.500 quilômetros de Buenos Aires, Bariloche abriga uma completa e excelente rede hoteleira, com capacidade para atender todos os orçamentos, inclusive existem bons hostels, para quem preferir economizar e ainda fazer novas amizades, já que o ambiente ajuda. São 650 hotéis, com 30 mil leitos.

Passar o inverno em Bariloche é uma experiência inesquecível. A estação mais fria vai de julho a setembro.

Segundo Piquin, a programação inclui aventuras na neve ou passeios de barco durante o dia, com direito a paisagens de tirar o fôlego, e à noite pode terminar num dos 200 restaurantes da cidade ou uma esticada para uma balada, especialmente para aqueles que buscam agito.

“Outra possibilidade é passar algumas horas no cassino, brincando com a sorte, outro diferencial que costuma atrair os brasileiros que não têm esta opção no país”, destaca o executivo.

Novidades da temporada de inverno 2017


Diferentemente de outros destinos turísticos, a cidade argentina está sempre se renovando, o que faz com que as pessoas sempre voltem.

Para esta temporada, o centro de Bariloche ganhou uma passarela com opções de comércio e serviços, como novas chocolaterias e cervejarias.

As confeitarias e as casas de chá também invadiram a cidade nos últimos anos – programa perfeito para o final de tarde.

E, quando o assunto é doce, o charmoso recanto argentino abriga uma das únicas confeitarias giratórias do mundo (foto ao lado). Localizada em Cerro Otto, muito próximo do centro da cidade, o espaço tem acesso via teleférico. Na dúvida na hora de escolher entre as delícias do cardápio, a dica é o Goulash com Spätzle, uma tábua de frios defumados, com salmão, truta, carne de cervo e javali, queijos, patês e pães. Ou quem sabe um fondue para esquentar.

Seja feliz na neve


Bariloche possui cinco grandes estações de neve. Além de Cerro Catedral, há os centros Piedras Blancas, o Espaço Neumeyer, o Centro de Ski Nórdico e o Teleférico Co. Otto.

Esses locais contam com infraestrutura de serviços, como restaurantes e bares, além de aulas de esqui para adultos de crianças, aluguel de equipamentos, vendas de roupas, espaço para os pequenos passarem o dia, entre outras opções.

Além do esqui tradicional, existem trenós para as crianças, uma versão do conhecido “skibunda” brasileiro, só que na neve. Também existem trilhas, passeios de quadriciclo e cavalgadas na neve.

A diária para quem deseja esquiar é de R$ 1.500, no máximo. Porém, lembra Diego Piquin, há opções de pacotes com acesso a três dias, uma semana, além de meio dia para as crianças, caso desejarem.

O mesmo acontece com os equipamentos para esquiar ou para praticar o snowboard. Há opções para quem quer um dia completo ou passes para três ou mais dias. O custo médio desta diária é de R$ 100. Aulas em grupo saem R$ 200 por pessoa. Já as aulas diárias para as crianças custam, em média, R$ 300.

Para os fãs de água


Composta por lagos de águas cristalinas, a região é ideal para passeios de barco e para pesca. Entre esses passeios, os mais populares e imperdíveis são os de Isla Victoria e Bosque Arrayanes, o de Puerto Blest e o Cascara de Los Cántaros.

Outra dica e começar o roteiro pelo Circuito Chico, que percorre as margens do Lago Nahuel Huapi.

O visual é um espetáculo por si só. O turista faz paradas nos mirantes para fotos e observação, inclusive é possível fazer uma selfie com um cachorro São Bernardo, raça robusta e popular na cidade. Um passeio de barco, por exemplo, que dura o dia todo custa em média por pessoa R$ 120.

Adrenalina e competição

Para os fãs do esporte, Bariloche tem um atrativo a mais neste ano. Sediará pela primeira vez em sua história o FIS Snowboard Cross World Cup, entre os dias 6 e 10 de setembro.

A competição irá reunir mais de 200 atletas de 100 países confederados em Cerro Catedral, maior estação de esqui da cidade. Como as provas são classificatórias para os jogos olímpicos de inverno da Coreia, em 2018, o evento promete um clima competitivo.

Na modalidade, de quatro a seis atletas descem simultaneamente uma superfície inclinada, vence quem completar a prova primeiro.

Por conta do evento, Cerro Catedral passou por algumas reformas. Vale lembrar que o local não é uma ótima opção de passeio só para os adultos apaixonados por esqui.

Há um espaço de recreação para as crianças, onde é possível deixá-las na companhia de monitores para que tenham aulas de esqui, entre outras atividades recreativas. Nesta temporada, inclusive, indico um passeio na pista de trenó. Há ainda o esquibunda, onde se escorrega na neve – uma diversão que rende gargalhadas.

Com uma infraestrutura completa, Cerro Catedral possui 53 pistas de esqui, que vão desde a mais planas para os principiantes até as mais radicais. E, quando a fome apertar, a dificuldade é escolher entre os 20 restaurantes do complexo.

Estando na Argentina, as tradicionais parriladas são ótimas pedidas para quem gosta de carne. Há ainda prato com truta, peixe pescado dos lagos de Bariloche, entre outros pratos da culinária local e internacional. Para as crianças, também rola um fast food. 

Para fechar, uma sobremesa na doceria giratória da estação. Combinação de paisagem gelada dos sonhos e o irresistível doce de leite argentino.

Na verdade, Bariloche é um daqueles destinos do qual se vai embora com gosto de quero mais.

É uma viagem que vale para casais, família, grupos ou viajantes sozinhos. Quem conhece essa charmosa cidade à Cordilheira dos Andes não se cansa de voltar. O que acontece por lá é algo mágico, talvez pelo cenário de conto de fadas, mas cada viagem à cidade sempre é uma experiência diferente.

 

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Thaís Germano

Fonte:MAPA