Rio de Janeiro, 13 de Novembro de 2019

Eles lutam para emagrecer

Quando bebês, eles foram rechonchudos, cheios de dobrinhas nas pernas e nos
braços, para alegria da família. Só que, com o tempo, toda essa "saúde" começou, literalmente, a pesar demais, expondo esses meninos e meninas a uma série de problemas, com reflexos na sua auto-estima e interferiram no seu relacionamento social.
Lucas e Bianca que contaram como venceram a luta travada contra a balança, são apenas um exemplo do contingente cada vez mais numeroso de crianças e jovens brasileiros que estão em briga com a balança. De acordo com o Fábio Ancona Lopez, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, a obesidade infantil cresce assustadoramente. "Hoje, 10% de nossas crianças estão com peso excessivo. Na década de 80, não passavam de 3%", lembra o médico.

Principais causas
O aumento do consumo de alimentos industrializados com teores elevados de sal, açúcar e gordura - como salgadinhos em pacote e bolachas recheadas - além de lanches altamente calóricos (hambúrgueres e cachorro-quentes lambuzados de maionese e acompanhados de batatas fritas) são apontados pelos especialistas como as principais causas da obesidade infantil. "Para completar, a vida moderna impôs um freio na atividade física das nossas crianças e jovens, que passam, hoje, muitas horas em frente à TV ou brincando com jogos eletrônicos", constata Lopez. Como conseqüência, a garotada está tendo de enfrentar não apenas o desafio da estética, mas também o da saúde, porque aumentaram - e muito - os casos de crianças e adolescentes com níveis altos de colesterol, hipertensão e tendência ao desenvolvimento do diabetes tipo 2, que só aparecia em adultos.

O quadro é desanimador, é verdade, mas é possível revertê-lo. Orientação médica e nutricional e uma boa dose de força de vontade estão afastando as crianças do caminho das guloseimas, salgadinhos e refrigerantes, como provam os depoimentos dessa nossa turminha.
"Até o começo do ano, meu café da manhã era um prato fundo de flocos de milho com açúcar e leite. No almoço, comia bastante arroz e feijão, sem salada nem carne. Depois da escola, à tarde, ficava em casa assistindo TV e me empanturrava com bolacha recheada, salgadinhos, doces, chocolate, danoninho e às vezes mais sucrilhos. De uns tempos para cá, comecei a ficar aborrecida com o meu corpo e minha avó resolveu me levar ao Peso Ideal, um lugar onde estou aprendendo a me alimentar direito. Agora coloco menos comida no prato e descobri que verdura também é gostosa. Estou me sentindo superbem: deixei a preguiça de lado e pratico capoeira e vôlei. Nos fins de semana, minha diversão preferida é o futebol. Já posso pôr biquíni para ir à praia ou à piscina."
Bianca Serafim Martins de Almeida, 11 anos, começou o regime em março e já está 7 quilos mais magra.

"De todas as coisas ruins de ser gordo, o que mais me incomodava era o apelido de Bola 8. Nem ter pouco fôlego para jogar futebol me deixava tão chateado. Também não gostava de sair em fotos e escondia a barriga embaixo de camisetas bem largas. Com 6 anos minha mãe me levou a um médico de regimes e ele me passou uma dieta horrível, que eu não agüentei seguir por muito tempo. Daí achei que era melhor ficar gordo do que só comer coisa ruim. Até que um dia, no começo deste ano, fui almoçar na casa do meu pai e tinha uma comida diferente, sem frituras, muito boa. A Rosana (segunda esposa do pai) me explicou que era um cardápio do Vigilantes do Peso. Pensei comigo: se isso é dieta, então dá pra fazer. Pedi para ela me levar em uma reunião, continuei indo lá por mais três semanas e depois me matriculei no programa. Hoje como verduras e legumes com gosto, jogo bola, faço natação."
Lucas Cesar Menezes, 11 anos, perdeu 20 quilos em um ano e meio mudando seus hábitos alimentares.

Aposta na prevenção

A prevenção da obesidade deve ser feita desde o nascimento e uma das ferramentas mais eficazes é a amamentação. "Bebês amamentados no peito têm menos chance de se tornarem adultos gordos porque, no esforço de sugar o seio, desenvolvem a percepção da saciedade, ou seja, sentem que a fome acaba e param de mamar", afirma o médico pediatra Fábio Ancona Lopez. Já o leite oferecido na mamadeira, além de chegar à boca com mais facilidade, o que faz o bebê receber mais alimento do que necessita, costuma ser muito calórico, principalmente se for engrossado com farinhas e adoçado. Para saber se o bebê caminha para ser um adulto com peso normal ou um obeso, basta ficar de olho na balança. De acordo com o padrão internacional de pediatria, no primeiro ano de vida é normal que ele triplique o peso que tinha ao nascer. A partir do segundo aniversário e até a adolescência, a criança pode ganhar em média de 2 a 3 quilos, por ano.

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Leila Greco

Fonte:Crescer