Rio de Janeiro, 13 de Julho de 2020

Paternidade anônima é tema de discussão na tv

Paternidade anônima é tema de discussão na tv
Filhos gerados com a ajuda de bancos de sêmen nunca saberão a identidade do pai.
Você já pensou sobre esta questão?

Desde que a novela Negócio da China entrou no ar, a população vem tendo contato com a questão da paternidade anônima.
 
O personagem Diego, interpretado pelo ator Thiago Fragoso, logo no começo da trama, passou por um grande drama familiar. Ao perder o pai, descobriu que não era seu filho biológico e decidiu buscar suas origens. Após muita investigação, Diego descobriu que seu pai genético havia feito uma doação para um banco de sêmen, e, a partir daí, a trama novelesca se desenrola...

Fora das telas, no Brasil, a doação de sêmen obedece ao preceito do anonimato. “A possibilidade da quebra desse anonimato teria resultados negativos junto aos doadores de sêmen ou óvulo no Brasil, que não são remunerados e que fazem essa doação por altruísmo.

Quando as pessoas doam seu sêmen, o que elas pensam é que farão uma pessoa ou um casal feliz. As pessoas doam primordialmente porque o anonimato é garantido”,  defende o Prof° Dr. Joji Ueno, especialista em Reprodução Humana, diretor da Clínica Gera.

Nos Estados Unidos há um site em que a partir do nome da clínica e do número da amostra do sêmen é possível encontrar os chamados irmãos genéticos. O interessante é que não é possível achar o doador do sêmen, mas sim, as pessoas geradas por eles. Há casos de irmãos que se visitam. Mas, tanto lá, como no Brasil, a identidade do pai vai sempre continuar sendo um mistério.

A experiência mais recente de quebra de sigilo desta relação aconteceu na Grã-Bretanha e não repercutiu bem.

De acordo com dados da Sociedade de Fertilidade Britânica, a retirada do anonimato dos doadores, em 2005, pode ter contribuído para reduzir o número de voluntários, deixando o País em apuros para responder à demanda por doações de esperma. Anualmente, cerca de 400 pacientes precisam de doação de esperma e muitas clínicas têm longas listas de espera ou estão sendo forçadas a suspender o serviço.

Quando recorrer a bancos de sêmen

Segundo Joji Ueno, a adoção de sêmen é indicada para:

·        Homens que não têm nenhuma produção de espermatozóides;

·       Casais que optam por não correr riscos de transmitir doenças hereditárias aos filhos - pelo fato do marido apresentar algum tipo de alteração genética;

·       Homens e mulheres que esgotaram seus recursos - financeiros e emocionais - em diversas tentativas frustradas de fertilização in vitro, cujo fator de infertilidade seja o masculino;

·       Mulheres que desejam uma “produção independente” e casais homossexuais - casos permitidos sob consulta. De acordo com o corregedor do Conselho Federal de Medicina, Pedro Pablo Chacel, o médico que assiste estes pacientes deve fazer uma consulta prévia ao Conselho de Medicina de seu Estado;

Uma nova questão social

No Brasil, não há lei que regulamente a doação de sêmen: apenas a Resolução CFM N° 1.358/92 disciplina as normas éticas para utilização das técnicas de reprodução assistida. “Assim, o comércio de gametas é proibido e as doações não podem ser remuneradas”, destaca Joji Ueno. Há, evidentemente, os custos de preparação e conservação deste material.

Geralmente, os casais buscam um doador com características compatíveis com o pai social, pois desejam um filho parecido com eles. As clínicas de reprodução humana também mantêm bancos internos de sêmen de forma a tentar cobrir todas as etnias que os procuram.

A Resolução do CFM tem o anonimato como premissa básica para a doação de sêmen. Os doadores não podem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa - e isso vem garantindo o sucesso do sistema.

“A própria busca, da parte dos pais, de um perfil físico semelhante ao do pai social, demonstra a intenção de manter esse sigilo. As informações sobre um doador só poderão ser fornecidas por motivação médica e, mesmo assim, exclusivamente para médicos, resguardando-se sua identidade”, ressalta o diretor da Clínica Gera.

“A convivência futura entre filhos biológicos de um mesmo doador, embora improvável, a ponto de situar-se nos limites do imponderável, é possível. Por isso, o CFM orienta clínicas e bancos de sêmen a fazerem um acompanhamento rigoroso de forma a evitar que um mesmo doador tenha produzido mais do que duas gestações de sexos diferentes em uma área de um milhão de habitantes”, informa Joji Ueno.

Doação é voluntária

“No processo de doação e adoção de gametas, há que se destacar o altruísmo de maridos que concordam com a inseminação de suas esposas - e, com isso, abrem mão de sua carga genética pela de outro homem - para que elas possam vivenciar a gravidez”, diz Joji Ueno.

É preciso reconhecer também o desprendimento dos doadores.

É muito comum que os doadores sejam homens que passaram, em seus respectivos casamentos, pelo drama de sucessivas tentativas de inseminação por problemas de infertilidade do lado feminino. “Tendo boa contagem de espermatozóides, eles são chamados pelas clínicas de reprodução assistida a colaborar com outros casais - e fazem isto com gosto”, observa o médico.

Um acompanhamento psicológico é capaz de avaliar se o casal está preparado para iniciar o tratamento de doação ou adoção de gametas e suportar todas as conseqüências que poderão surgir com o passar dos anos.

“Entre as angústias há sempre o pensamento da perda da linhagem genética, a fantasia da terceira pessoa  - o doador anônimo - e de suas características, índole. Há também a questão do sigilo: a quem contar ou quando abordar o assunto. Existem as ambigüidades éticas, morais e legais que o casal deve pesquisar para que essas questões estejam definidas antes do tratamento”, recomenda Joji Ueno.


SERVIÇO:

Clínica GERA
Rua Peixoto de Gomide, 515
Conjuntos 11 e 12
São Paulo- SP
Telefone: (11) 3266 7974
Homepage: www.clinicagera.com.br
E-mail: atendimento@clinicagera.com.br
Blog: http://conversadecasal.zip.net/

Crédito:Cris Padilha

Autor:Márcia Wirth

Fonte:Universo da Mulher