Rio de Janeiro, 30 de Abril de 2017

Puberdade, pior que ela só a adolescência

*Por Silvana Martani
 
Eles estão com 11, 12, 13 anos. São jovens no meio da puberdade que começa aos oito anos para as meninas e aos nove para os meninos.
 
Nessa fase são insuportáveis, questionam medem forças e reclamam por tudo: tomar banho, se pentear, almoçar, fazer tarefas, cuidar de suas coisas e estudar.
 
Tudo é motivo para o drama regado a muita cena, choro e gritos.
 
Estamos presenciando a puberdade e algumas de suas manifestações mais comuns.
 
Tudo nessa fase parece estranho, tanto para os pais como para os filhos.
 
Os filhos se sentem diferentes, com pavio curto e irritados com tudo.
 
Hora se sentem cansados, ora estão prontos para correr uma maratona. O que parecia certo agora parece errado, tornando a convivência muito difícil.
 
A puberdade é uma fase importante da vida dos jovens.
 
É ela que possibilita o rito de passagem entre a infância e a adolescência, é nela que o luto dessa despedida é intensamente vivenciado e elaborado, é nela que o mundo começa a mudar de cor é quando o menino ou menina vão começar a sentir toda gama de mudanças físicas e emocionais que se intensificarão mais tarde.
 
Os pais ficam tensos, começam a se preocupar mais com as coisas que ouvem dos filhos (não que antes não se preocupassem).
 
Seu palavreado, suas idéias,  manifestações, hábitos, vontades e toda gama de comportamentos que começa agora a mudar mais rápido do que é possível se adaptar.
 
Mais questionadores ainda, os jovens não tem noção de como organizar as idéias, as novas competências e recursos psicoemocionais, o que acaba normalmente gerando uma série de equívocos nas relações.
 
Quando um comportamento é instituído, se inauguram uma série de atuações inéditas que sempre serão acompanhadas de excessos pois, como sabemos, a ponderação não é um atributo nessas circunstâncias, ou seja, quando questionam, fazem isso muito pelo prazer de exercitar o novo recurso e para se certificarem de que estão agora concordando com a tal idéia ou padrão.
 
Permitir que o filho se expresse e orientar seus excessos, além de ajudá-lo a encontrar a medida certa para avaliar as situações, é uma boa conduta para sedimentar o terreno de entendimentos para quando a adolescência chegar.
 
Os pais de filhos na puberdade sabem que essas mudanças acontecem e tentam se preparar para elas, mas ninguém está pronto.
 
Mesmo aqueles que já passaram por isso com outros filhos podem se surpreender com às mudanças bruscas de humor, com a irritabilidade,  rebeldia, a oposição constante às idéias dos pais, o desdém dos valores da infância e dificuldade de se entreter, entre outras coisas. 
 
Com certeza, quando a puberdade se inicia os jovens estarão preparados para ela e seus muitos desdobramentos.
 
Aos pais restará uma eterna paciência aliada a crença de tudo que será vivido, todas as brigas, a medição de forças, os choros, as atormentações - como um grande laboratório para a construção da melhor medida para aquele indiviíuo, o filho.
 
 
 
SOBRE SILVANA MARTANI
Autora e organizadora do Livro Uma Viagem pela Puberdade e Adolescência, a psicóloga é formada pelo Instituto Unificado Paulista / Faculdade Objetivo 1978 – 1982. Atua na Clínica de Endocrinologia do Hospital Real Beneficência Portuguesa desde 1984. Ministra palestras aos pacientes obesos, com distúrbios glandulares e diabetes desde 1989, além de oferecer aulas aos residentes da Clínica de Endocrinologia do Hospital Beneficência Portuguesa.
 
 

Crédito:Eleonora Chagas Seidel

Autor:Silvana Martani

Fonte:Matéria Primma