Rio de Janeiro, 02 de Abril de 2020

Surdez também é problema de criança

No Dia das Crianças, é impossível não se alamar com os dados sobre deficiência auditiva infantil. A deficiência auditiva é uma das doenças que mais atingem os recém-nascidos, quando comparada a outras patologias. Para se ter uma idéia, enquanto a surdez ocorre em 30 de cada grupo de 10 mil crianças, a fenilcetonúria (diagnosticada pelo teste do pezinho) é encontrada em 1 em cada grupo de 10 mil. No Brasil, estima-se que, anualmente, 3 a 5 mil crianças nascem com problemas auditivos, que poderiam, entretanto, ser detectados com o chamado “teste da orelhinha”, o que ajudaria no diagnóstico precoce da surdez, na intervenção e na reabilitação da criança. Dados nacionais apontam que 50 a 75% dos casos são passíveis de serem diagnosticados no berçário, através da Triagem Auditiva Neonatal.

A deficiência auditiva é considerada um dos problemas físicos mais excludentes. Ela afeta a abstração do pensamento e dificulta a comunicação entre o indivíduo deficiente e as pessoas com audição perfeita. O resultado pode ser o isolamento e impactos negativos na formação intelectual e psicossocial daqueles que enfrentam o problema desde cedo. Nesse contexto, a falta de conhecimento da população sobre essa deficiência é uma das barreiras mais difíceis de superar quando o assunto é a re-inserção social, que influi tanto no diagnóstico precoce de doenças que causam a surdez até as formas de convivência com os deficientes e as técnicas médicas que podem trazer o indivíduo de volta ao convívio social.   

 Aproximadamente 0,1% do total de crianças nascidas têm deficiência auditiva severa profunda. Este tipo de deficiência auditiva é suficientemente brusco para impedir a aquisição normal da linguagem através do sentido da audição. Aproximadamente 90% das crianças deficientes auditivas de graus severo profundo são filhos de pais ouvintes, mas a falta de informação sobre a deficiência auditiva acontece desde o nascimento. A cada mil nascimentos, dois a seis bebês apresentam alguma alteração na audição.

Outra informação muitas vezes desconhecida pela população é referente aos tratamentos disponíveis para melhorar a audição de crianças deficientes com quadro considerado severo profundo bilateral - a mais descapacitante das deficiências auditivas -, que é o caso do implante coclear, uma cirurgia simples, onde é implantado um microchip que substitui o sentido da audição de pessoas com surdez severa profunda bilateral.

 De acordo com o IBGE, há 5 milhões de deficientes auditivos no Brasil. Deste total, 350 mil poderiam se beneficiar dessa técnica, entre elas, crianças. No entanto, existem pouco mais de 1.000 implantados no país.

O implante coclear é um estimulador elétrico que faz o papel de todo o ouvido: capta o som e o transforma em estímulo elétrico, o que instiga o nervo auditivo, substituindo as estruturas orgânicas da audição. O aparelho tem uma parte externa e outra interna, chamada processador de fala, implantada na cóclea por meio de uma simples cirurgia. Apesar de não devolver a condição de audição normal ao paciente, após o processo de reabilitação fonoaudiológica, a percepção dos sons é quase perfeita.

 Nessa corrida pelo tratamento precoce da surdez, o tempo é um fator fundamental. Por isso, quanto mais cedo acontecer o implante, mais se tem garantias de sucesso. Crianças a partir de 1 ano já podem passar por esse procedimento cirúrgico, o que garante que o aprendizado da fala ocorrerá no tempo normal e, assim, haverá maior capacidade de sociabilização e mais chances de independência do indivíduo.

 

 

Onde fazer o implante coclear no Brasil ?

 

 

 

Público

Particular

Rio Grande do Norte

 

Otocentro

Hospital do Coração

Rio Grande do Sul

 

Hospital das Clínicas de Porto Alegre

Clínica Lavinsky de Otorrinolaringologia

São Paulo (capital)

 

Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

 

Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo

 

Fundação Otorrino HCFMUSP
Sociedade Hospital Samaritano

Dr. Arthur M. Castilho

Dr. Luis Augusto Lima e Silva
Dr. Orozimbo Costa

Dr. Ricardo Bento
Dr. Rubens de Brito Neto

São Paulo (interior)

 

Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Riberão Preto


Hospital das Clínicas da UNICAMP – Campinas

Hospital de Reabilitação das Anomalias Crânio-Faciais – Bauru

Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Riberão Preto


Hospital das Clínicas da UNICAMP – Campinas

 

 

 

Dr. Domingos Lamônica Neto

Dr. Paulo Porto

 

 

 

Como funciona o implante coclear?

1.        O som é recebido através do processador no caso do ESPrit, ou por um microfone também retro-auricular no SPrint;

2.        O som é analisado e digitalizado em sinais por um chip interno no microprocessador;

3.        Os sinais codificados são enviados para a antena;

4.        A antena envia os sinais através da pele para o componente implantado, que converte esses sinais em impulsos elétricos.

5.        Esses impulsos elétricos são enviados por finíssimos fios para os eletrodos que se encontram dentro da cóclea;

Os impulsos viajam pelas fibras nervosas ao cérebro que reconhece o sinal como sons produzidos pelo sentido da audição.

 

 

Crédito:Elane Cortez

Autor:Elane Cortez

Fonte:Informare / Grupo CASA