Rio de Janeiro, 19 de Junho de 2024

O perigo dos cigarros eletrônicos

Mesmo com a comercialização proibida, cigarros eletrônicos ainda são encontrados no Brasil. Conheça os riscos

Determinação recente do Ministério da Justiça busca dificultar o acesso ao produto que é proibido desde 2009. Seu consumo está associado a várias doenças e tem crescido entre jovens

Mesmo com a comercialização, importação e propaganda proibidas pela Anvisa no Brasil desde 2009, os cigarros eletrônicos – também conhecidos como vapes, pods, e-cigarettes, e-pipes, e-ciggys, entre outros nomes – seguiram sendo encontrados à venda sem maiores problemas no País.

De olho neste comércio irregular, no último mês de julho o Ministério da Justiça endureceu a postura e determinou que 33 empresas suspendessem imediatamente a venda dos produtos em território nacional.

A medida visa tentar pôr fim ao consumo destes itens que, ao contrário do que muitos pensam, podem causar danos gravíssimos à saúde.

De acordo com o pneumologista credenciado da Paraná Clínicas, empresa do Grupo SulAmérica, Dr. Rafael Klas da Rocha Leal (CRM-PR: 37.291, RQE 21.635) as teorias espalhadas por muitos defensores do cigarro eletrônico de que o hábito é menos nocivo à saúde do que o fumo tradicional, não são verdadeiras: “Eles são tão prejudiciais quanto, talvez até mais. Os vapes também possuem em sua composição diversas substâncias que são danosas ao organismo, várias delas cancerígenas. Não existe dose segura para o seu consumo e, por possuírem nicotina, eles também levam à dependência química”, explica.

O consumo dos cigarros eletrônicos está associado ao desenvolvimento de uma série de doenças, principalmente alterações neurológicas, cardiovasculares – como infarto, por exemplo – e doenças respiratórias como enfisema e câncer de pulmão.

Os casos têm sido tão comuns que a comunidade médica, inclusive, criou um termo específico para classificar enfermidades associadas ao uso deste tipo de produto: EVALI, sigla em inglês para “Doença pulmonar associada ao uso de produtos de cigarro eletrônico ou vaping”.

Rocha Leal explica como o cenário é desafiador: “É difícil combater o cigarro eletrônico porque ele é muito fácil de usar. Ele é mais tolerado em diversos ambientes por não ter cheiro, o que geralmente torna seu consumo mais simples em comparação com o tabaco tradicional. A tragada do cigarro eletrônico também costuma ser mais longa, o que leva maior quantidade de partículas nocivas para os pulmões e facilitam sua absorção pela corrente sanguínea”, detalha.

Mesmo teoricamente banido, o consumo deste tipo de produto é comum no Brasil e tem se intensificado perigosamente, principalmente, entre os jovens. Dados de 2019 da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de 2019 (PeNSE) mostraram que 13,6% de estudantes adolescentes entre 13 a 15 anos já haviam experimentado o cigarro eletrônico.

Essa porcentagem salta para 22,7% entre os jovens de 16 e 17 anos. Segundo Rocha Leal, tal crescimento não é aleatório:

“Os vapes possuem um grande apelo entre os jovens. Mesmo que as vendas estivessem proibidas por aqui há anos, a indústria do cigarro criou dispositivos eletrônicos que procuram conquistar o público mais jovem a partir da tecnologia e inovação. Essa estratégia e a facilidade de encontrar estes produtos, principalmente na internet, fizeram com que seu consumo crescesse entre jovens”, afirma.

Com a nova determinação do Ministério da Justiça, a expectativa é que o acesso a este tipo de produto seja efetivamente proibido no Brasil, tal como prevê a determinação da Anvisa de 2009.

Impactos à saúde

O consumo de tabaco e derivados tem caído no Brasil ao longo dos últimos anos, mas este ainda é um grave problema de saúde pública. Dados mais recentes da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) mostram que o percentual de usuários de derivados do tabaco foi de 12,8% em 2019.

Em 2013, a prevalência de tabagismo foi de 14,9%. Embora estes números sugiram uma sistemática queda no número de fumantes no País, o impacto que pacientes com doenças relacionadas ao consumo de tabaco ainda é alto para o sistema de saúde brasileiro: uma pesquisa de 2020 do Instituto de Efetividade Clínica e Sanitária (IECS) estimou que doenças causadas pelo tabagismo custam aproximadamente R$ 125 bilhões ao ano ao País.

Embora fumar seja um hábito secular, a preocupação está longe de ser injustificável: os cigarros possuem em sua composição mais de 4.700 substâncias, muitas delas nocivas à saúde, além da nicotina que causa dependência.

Dentre os elementos químicos nocivos encontram-se o monóxido de carbono, mesma substância expelida pelo escapamento dos carros, além de plutônio, formol, pesticidas e metais pesados como arsênio, chumbo e cádmio.

O Dr. Rafael Klas da Rocha Leal explica a importância de campanhas de conscientização sobre o tema: 

“Não existem produtos ou versões do fumo que sejam seguras. Todas, sem exceção, são prejudiciais à saúde: cigarros tradicionais, eletrônicos, cigarros de palha, fumo de rolo, charuto, cachimbo, narguilé, entre outras. Não existe dose segura para consumo de nenhum desses produtos e todos estão associados a dependência e desenvolvimento de doenças”, finaliza.

 

Crédito:Luiz Affonso

Autor:José Luiz Sykacz

Fonte:Grupo Excom