Rio de Janeiro, 06 de Dezembro de 2021

Mulher de todos os dias

Mulher branca, negra, amarela, gorda, magra, alta, baixa, feliz, infeliz...

 

Mulher é sempre desafio, mistério, cheia de altos e baixos, de nuances e sentimentos, se valendo da emoção para entender o mundo e do corpo para mostrar o que vai na alma.

 

Para ser mais honesta, mulher é mistério para os homens, porque para elas tudo sempre está claro, desvendado.

 

Mulher reconhece a alma dos outros, sente os que eles sentem, fala a linguagem das crianças, dos bichos, das plantas, dos mudos.

 

Mulher ouve tudo, todas as dores, os choros, os lamentos, os gritos.

 

Mulher sabe tudo de dor, entende tudo de grito.

 

No seu currículo sobra discriminação, desigualdade, desrespeito e humilhação.

 

Submetida, levou anos para mostrar a voz, pois somente era permitido mostrar o corpo, muito bem vestido, e a cara.

 

 

Séculos de luta silenciosa fortaleceram os objetivos, criaram exércitos obstinados, determinados a lutar por condições mais humanas e justas de direitos, deveres e oportunidades.

 

O tempo passou e algumas vitórias fortaleceram a luta, abriu-se espaço em quase todas as frentes, no trabalho, nos direitos sociais e civis e nos deveres.

 

Dividindo a "farda" com os sonhos, tem filhos, casa, profissão e companheiro (quase sempre), não descuidando  de todos os detalhes que representam sua condição, afinal de contas, o universo feminino é cheio de mimos e acessórios, perfumes, batom, sapato de salto...

 

Objeto de desejo reconhece seu poderio e é capaz de tudo para conquistar o que lhe é importante.

 

 

Santo e demônio dividem a alma feminina, dominam e são dominados criando um balé de humor que se altera facilmente, que muda de cor e padrão, mas que não perde a sintonia, a coerência, a razão.

 

Dizem que mulher é complicada, está sempre pensando, que ouve demais, transforma questões simples em coisas complicadas, questiona tudo.

 

Mas a verdade é que mulher sente as coisas, percebe coisas, lê as palavras que não são escritas e quando da voz a todo isso, parece complicada. Pena daqueles que não usufruem a sabedoria feminina.

 

Quando ama não faz economia, se entrega, se transforma, esquece tudo e todos, se encharca de sentimento para se doar.

 

Para se manter amando precisa de atenção, carinho e respeito, muito pouco se for considerar o empenho.

 

É interessante como falar de mulher é muito e ainda sendo mulher, é tudo, que definindo fica pouco e contando, louco.

 

Parabéns MULHERES, guerreiras, mães, filhas, avós, irmãs e tantos outros papéis que são encenados todos os dias com afinco, paixão e amor.

 

 

 

 

Silvana Martani

  

    

 

 

Crédito:Eleonora Chagas

Autor:Silvana Martani

Fonte:Materia Prima