Rio de Janeiro, 15 de Novembro de 2019

A estabilidade na relação acaba com a paixão?

Por Kátia Horpaczky
 
 
A expressão estabilidade está associada à idéia de permanência em um determinado estado por um determinado tempo. 
 
Explicar o amor não é tarefa fácil, porque nós o definimos por sua manifestação e cada pessoa expressa de maneira diferente.
 
 
Mas na tentativa de conceituá-lo, os estudiosos estão inclinados a concordar com Robert Heinhein: "amor é a condição na qual a felicidade de outra pessoa é essencial para a sua própria felicidade".
 
Mas na verdade o que se quer, é que o amor aconteça e permaneça pronto por toda a vida, de maneira incondicional e eterna – como nos contos de fadas.
 
Deseja-se que o ser amado seja capaz de realizar todos os nosso desejos e que seja o nosso porto seguro para onde possamos fugir do mundo.
 
Acredita-se que o amor seja capaz de tudo transformar pelo próprio poder.
 
Este é o amor romântico
 
O amor e a paixão são sentimentos que podem ser negligenciados, pois não tem o selo da garantia eterna.
 
Quando trocamos paixão por estabilidade não estamos simplesmente trocando uma fantasia por outra?
 
Desejamos nas relações constância, trabalhamos para tê-la, mas ela nunca está garantida.
 
Quando amamos, nos relacionamos e sempre estaremos correndo o risco da perda, independente do esforço que se faça.
 
Entendo que a diminuição da paixão está mais relacionada com os limites da familiaridade, da intimidade, do peso da realidade e da rotina do que com o medo.
 
Afinal de contas amor e sexo e amor e desejo, nem sempre andam juntos.
 
O medo da perda faz com que busquemos o familiar, a rotina, a segurança do aconchego da estabilidade, do sexo confortável, dos aspectos cotidianos da vida que nos mantêm amarrados à realidade e seguros.
 
Por maior que seja o amor afetivo entre os casais é necessário que haja instinto, impulso natural para que o prazer sexual aconteça.
 
A sensualidade adormecida pelo excesso de preocupação, atividades, ressentimentos, mágoas e lembranças não favorece o aparecimento de fantasias e desejos e isso leva o casal a entender que o amor acabou ou que existe alguma disfunção erétil ou de frigidez, restando apenas ao casal as cansativas atividades diárias e cotidianas com a casa, os filhos, despesas e contas ...
 
E esquecemos que o erotismo gosta do imprevisível.
 
O desejo entra em conflito com o hábito e a repetição!
 
Então o que fazer?
 
Como reacender ou mesmo manter a chama?
 
Quebrar a rotina, surpreender, realizar fantasias, permitir-se ao novo!
 
Fantasiar sobre sexo nada mais é do que um recurso natural para alcançar o prazer sexual combinando, corpo, mente e sentimentos.
 
 
 
 
 
 
 
 
(*) Kátia Horpaczky
Psicóloga Clinica, Psicoterapeuta Sexual, Família e Casal
 
 
 

Crédito:Sueli dos Santos

Autor:Kátia Horpaczky

Fonte:www.rodadavida.com.br