Rio de Janeiro, 15 de Dezembro de 2018

Mentir: prejudicial ao outro ou a si mesmo?

Por Silvana Martani
 
A mentira é tão antiga quanto o homem.
 
 
Todos nós já mentimos de alguma maneira ou, como diz um amigo, brincamos com a realidade.
 
Da mais patológica a mais ingênua, a mentira sempre tem um uso específico para quem a utiliza.
 
Na tentativa de enganar ou adiar um problema, um confronto, tentamos quase sempre ganhar tempo e arranjar forças.
 
A mentira que atenta contra nós é normalmente uma mentira branca, na qual os únicos prejudicados somos nós mesmos e os únicos que realmente vão sofrer.
 
São muitas as maldades que fazemos contra nós: nos iludimos demais e confiamos em nós de menos. Sonhamos muito e fazemos pouco. Corremos muito e usufruímos mal do nosso tempo. Temos pouco direito e muitos deveres ou não assumidos os deveres e tão pouco temos noção dos direitos.
 
Quando está em pauta o relacionamento com a pessoa dentro de nós, a maioria das pessoas deixa a desejar. É interessante observar como conhecemos pouco de nós, como somos contaminados pela impressão das pessoas a nosso respeito, como parece que os outros conhecem mais de nós que nós mesmos e como isso não fica claro.
 
Em algum momento lá pela adolescência, nos esforçamos para definir posturas, conceitos, formas de viver e imagem. Montado o quadro, passamos anos colorindo as imagens sem muitas vezes questionar se era mesmo essa gravura que melhor nos agrada, ou ainda, colamos gravuras inteiras dos que nos representam e tentamos colorir com nossas cores, sem questionar muito se ela realmente nos satisfaz.
 
Conhecer a própria personalidade parece ser uma tarefa a que todos estão acostumados no dia-a-dia, mas, na prática, as coisas não são assim. A maioria das pessoas gasta muito pouco tempo pensando sobre si mesmas. O que fazemos de fato é gastar muito tempo realizando tarefas que nos representam, que nos identificam e isso é uma das partes do todo que é o autoconhecimento.
 
O autoconhecimento envolve mais que a representação envolve questionamento, transparência, coerência, objetividade, satisfação e prazer. Esse processo pode ser vivido de várias maneiras, em qualquer idade, com qualquer tempo e em qualquer lugar.
 
Quanto maior a distância entre o que somos e o que pensamos de nós maior será a insatisfação que nos acomete. Esse sentimento se reflete no corpo, nas atitudes, nas escolhas, nos objetivos, nas condutas e na forma como gozamos a nossa vida.
 
Não existe uma forma específica para encurtamos essa distância, mas várias. Muitos livros já foram escritos sobre esse tema, muitas palestras no mundo todo são proferidas sobre ele, grupos de ajuda, psicólogos, tudo é válido. O importante é ter coragem de pôr o pé na estrada e começar, mesmo que lentamente, mesmo que não se saiba direito nem como, nem quando vamos conhecer aquele amigo de todas as horas, que nunca estará ocupado quando precisarmos, que nos ouvirá com calma, que respeita nossos erros e privilegia nossos acertos que somos nós, sempre nós.
 
 
 
 
SOBRE A AUTORA E ORGANIZADORA: Silvana Martani
Formada pelo Instituto Unificado Paulista / Faculdade Objetivo 1978 – 1982.
Atua como Psicóloga da Clínica de Endocrinologia do Hospital Real Beneficência Portuguesa desde 1984. Ministra palestras aos pacientes obesos, com distúrbios glandulares e diabetes desde 1989, além de oferecer aulas aos residentes da Clínica de Endocrinologia do Hospital Beneficência Portuguesa. Autora do Livro – Uma Viagem pela Puberdade e Adolescência.
 

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Silvana Martani

Fonte:Universo da Mulher