Rio de Janeiro, 29 de Março de 2017

Como deve ser a alimentação da gestante hipertensa?

 A orientação nutricional é um dos fatores que contribuem para uma gravidez bem sucedida. Uso de sal, suplementação de cálcio, quantas calorias ingerir por dia?

É necessário que a gestante hipertensa conheça muito bem estas respostas

 

A gravidez é um processo fisiológico normal e dela não esperamos complicações. Esperamos uma barriga linda (sem estrias) e um bebê saudável nascendo depois de nove meses. Idealmente, a gravidez deveria ser programada e não acidental, pois os problemas podem começar muito antes da concepção e podem expor a mãe e o bebê a riscos desnecessários.

 

São condições de risco gestacional o diabetes, a hipertensão arterial, a obesidade, a desnutrição, doenças renais crônicas (muitas vezes sem diagnóstico), o tabagismo, o uso de drogas ilícitas e o consumo exagerado de álcool.

 

Pressão alta

A hipertensão arterial na gestação pode ser detectada em todas essas condições patológicas ou anômalas citadas acima e agrava-se quando já ocorre antes da gestação. Pode ainda aparecer sem a menor evidência de patologias prévias por volta da 20ª semana de gestação, com inchaço de mãos e face, associada à perda de proteínas na urina e a possibilidade de complicações graves como a eclâmpsia.

 

“Os cuidados nutricionais da gestante hipertensa devem ser iniciados bem antes da concepção, no sentido de atingir e manter um peso ideal, evitando a obesidade” afirma a endocrinologista e nutróloga, Ellen Simone Paiva.

 

Se a hipertensão arterial já existe antes da gestação, ela deve ser cuidadosamente compensada, permitindo estabilidade hemodinâmica e metabólica para garantir o fluxo sanguíneo placentário e evitando a progressão de lesões que possam colocar em risco a gestante e o feto, bem como a saúde da mãe após o parto.

 

São fundamentais as consultas pré-natais quinzenais, com a orientação do médico obstetra, para acompanhamento da gestação, cuidando do desenvolvimento fetal e da saúde da mãe, uma vez que o agravamento das alterações metabólicas ocorre à medida que a gestação evolui. Segundo Ellen “o papel da equipe multidisciplinar é fundamental para o desfecho favorável da gestação. Integram esta equipe o ginecologista, o médico nutrólogo, o nutricionista e o psicólogo, todos com o objetivo de orientar a gestante em relação à terapia nutricional e assegurar as boas condições metabólicas da gestação e do parto”.

 

Orientação nutricional

 

A orientação nutricional da gestante hipertensa começa pelo cálculo das calorias a serem consumidas diariamente, que não diferem da gestante com pressão arterial normal. As necessidades calóricas variam de acordo com a idade, o peso pré-gestacional, o nível de atividade física e o estado nutricional.

 

A maioria das mulheres na idade adulta necessita ingerir entre 1800 e 2200 calorias/dia, mesmo sem estarem grávidas. Durante a gestação, esta média se mantém no primeiro trimestre. “Hoje, já sabemos que a gestante não precisa comer por dois porque isso pode levar a um ganho excessivo de peso, assim como não deve tentar perder peso durante a gestação, pois pode ficar desnutrida, comprometendo o desenvolvimento fetal” alerta a endocrinologista.

 

Durante a gestação, a partir do segundo trimestre, a mulher, em média, aumenta em 300 calorias por dia o que consome. No terceiro trimestre, o aumento é de 500 calorias/dia. Isso teoricamente produz um ganho de peso materno de 10-12kg até o término da gestação nas mulheres com peso pré-gestacional normal, 12-14kg naquelas abaixo do peso ideal e no máximo 9kg naquelas com sobrepeso ou obesas.

 

Pirâmide alimentar

 

 

A distribuição dos alimentos na dieta da gestante hipertensa segue as recomendações das gestações normais e tem como base a pirâmide alimentar, que é um guia que representa um dia alimentar. Trata-se de instrumento visual simples e prático, que oferece conceitos alimentares importantes como consumir grande variedade dos alimentos, alertando para a moderação com alguns deles (gorduras e açúcares) e obedecendo a uma proporcionalidade (consumindo mais os alimentos da base e menos os do ápice).

 

Hipertensas e o sal

 

O sal não deve ser liberado durante a gestação, pois dificulta o controle da hipertensão arterial, podendo mesmo agravá-la. Isso ocorre porque ele potencializa a retenção de água pelo organismo.

 

As recomendações ficam em torno de 2-3g de sal por dia e isso corresponde a menos de uma colher de chá de sal, incluindo o sal dos alimentos e aquele utilizado no preparo deles. Esse item da dieta é geralmente o mais difícil para ser seguido uma vez que alimentos industrializados são ricos em sal (2 fatias de presunto = 1,5g de sal; 6 bolachas de água e sal = 0,85g de sal).

Importância do cálcio

 

A suplementação de cálcio ainda causa muita discussão, mas precisamos nos assegurar do consumo alimentar mínimo de 3 porções de laticínios por dia (1 porção = 1 xícara de leite ou de iogurte desnatados ou 1 fatia de queijo branco magro) para garantir o consumo de cálcio adequado pela gestante hipertensa e por aquelas com história de déficit alimentar de cálcio. “A suplementação de 1-2g/dia pode ser realizada, pois têm embasamento científico” defende Ellen.

 

Outras recomendações

 

Outras medidas são também importantes como coadjuvantes da terapia nutricional da gestante hipertensa. A interrupção do tabagismo, a redução do consumo do álcool e a implementação de atividade física aeróbica monitorada são partes fundamentais do tratamento.

 

SERVIÇO:

CITEN - Centro Integrado de Terapia Nutricional

Endereço: Rua Vergueiro, 2564.

Conjuntos 63 e 64

Vila Mariana

São Paulo-SP

CEP: 04102-000

Atendimento: De segunda a sexta.

Horário: 08h30min às 18h30min horas.

Telefone: (11) 5579 1561/5904 3273.

 

Crédito:Fatima Nazareth

Autor:Márcia Wirth

Fonte:Universo da Mulher