Rio de Janeiro, 10 de Agosto de 2020

Quem foi Clarice Lispector?

A escritora Clarice Lispector amava olhar para sua máquina de escrever enquanto fumava um cigarro, (foto da década de 1950, supostamente, de Alice Denham mas há indícios de ser de Maria Callas).

Nasceu na cidade de Chechelnyk em 10 de dezembro de 1920 — morreu no Rio de Janeiro em  9 de dezembro de 1977.

Foi uma escritora e jornalista ucraniana naturalizada brasileira. Autora de romances, contos e ensaios, é considerada uma das escritoras brasileiras mais importantes do século XX e a maior escritora judia desde Franz Kafka. Sua obra está repleta de cenas cotidianas simples e tramas psicológicas, reputando-se como uma de suas principais características a epifania de personagens comuns em momentos do cotidiano.

Chegou ao Brasil, ainda pequena, em 1922, com seus pais e duas irmãs. Clarice dizia não ter nenhuma ligação com a Ucrânia -

"Naquela terra eu literalmente nunca pisei: fui carregada de colo" - e que sua verdadeira pátria era o Brasil. Inicialmente, a família passou um breve período em Maceió, até se mudar para o Recife, onde Clarice cresceu e onde, aos oito anos, perdeu a mãe. Aos quatorze anos de idade transferiu-se com o pai e as irmãs para o Rio de Janeiro, local em que a família se estabilizou e onde o seu pai viria a falecer, em 1940.

Estudou Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro, conhecida como Universidade do Brasil, apesar de, na época, ter demonstrado mais interesse pelo meio literário, no qual ingressou precocemente como tradutora, logo se consagrando como escritora, jornalista, contista e ensaísta, tornando-se uma das figuras mais influentes da Literatura brasileira e do Modernismo, sendo considerada uma das principais influências da nova geração de escritores brasileiros. É incluída pela crítica especializada entre os principais autores brasileiros do século XX.

Suas principais obras marcam cada período de sua carreira. Perto do Coração Selvagem foi seu livro de estreia, publicado quando Clarice tinha 24 anos de idade; Laços de Família, A Paixão segundo G.H., A Hora da Estrela e Um Sopro de Vida são seus últimos livros publicados. Faleceu em 1977, um dia antes de completar 57 anos, em decorrência de um câncer de ovário. Deixou dois filhos e uma vasta obra literária composta de romances, novelas, contos, crônicas, literatura infantil e entrevistas.

Passou a primeira semana no Rio de Janeiro na residência de um casal judaico no bairro do Flamengo e depois morou em uma casa antiga perto do Campo de São Cristóvão. Estabilizou-se na cidade logo em seguida, ocupando parte da casa 341 da rua Mariz e Barros, no bairro da Tijuca. Clarice então cursava o quarto ano do ginásio no Colégio Sílvio Leite, na mesma rua de sua casa.

Em 1936, terminou o ginásio e ingressou, em 2 de março de 1937, em uma escola preparatória, a Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, então chamada de Universidade do Brasil. A decisão causou estranhamento na época, tanto por Clarice ser mulher quanto por não pertencer à elite carioca, mas era justificada por seus desejos de mudanças sociais: “o que eu via [no Recife] me fazia como me prometer que não deixaria aquilo continuar”.

De acordo com ela, “como eu não tinha orientação de nenhuma espécie sobre o que estudar, fui estudar advocacia”. Apesar da relutância do pai, que temia mudanças estressantes na filha, ela seguiu com seus planos e tinha um objetivo: “Minha ideia ... era estudar advocacia para reformar as penitenciárias”.
 

Em 1938, mudou de escola preparatória, passando para o Colégio Andrews, na Praia de Botafogo, onde declarou-se nascida em Pernambuco. Por essa ocasião, voltou a dar aulas, desta vez visando ajudar a aumentar a renda familiar através de aulas particulares de Matemática e Português, além de aprender datilografia e Língua inglesa.
 

No Rio de Janeiro, os negócios de Pedro não obtiveram grande avanço, apesar de ele ter conseguido, com dificuldade, um emprego de representante comercial. Seu desejo de casar as filhas, entretanto, logrou êxito através de Tania, que se casou no início de 1938 com William Kaufmann, um judeu comerciante de móveis e decorador.
 

Por essa época ocorreu no Brasil o advento do Estado Novo, liderado por Getúlio Vargas, bem como o avanço da Segunda Guerra Mundia e a intensificação informal das relações do Brasil com a Alemanha nazista e outros regimes ditatoriais, que fizeram com que o antissemitismo penetrasse no Brasil e novamente interferisse na vida da família Lispector, cujo pai, sionista, inclusive arrecadava fundos para os judeus na Palestina, apesar dos riscos.
 

Em 12 de janeiro de 1943, obteve a naturalização e, em 23 de janeiro, em cerimônia civil, casou-se com Maury Gurgel Valente. Os dois mudam-se temporariamente para a casa dos sogros, Mozart e Maria José Gurgel Valente, no bairro da Glória, e depois para a rua São Clemente, em Botafogo.
 

Em 1959, Clarice separa-se do marido, devido ao fato de ele estar sempre viajando a trabalho, exigindo que ela o acompanhasse todo o tempo. Não querendo abrir mão de sua carreira e querendo cuidar do filho esquizofrênico em um local fixo, sem as constantes viagens, que deixavam o menino mais nervoso, sem as constantes mudanças de escola do outro filho, que não estava fazendo amizades, e cansada das desconfianças e ciúmes do marido, Clarice deu um fim na relação.

O ex-marido fica na Europa, e ela volta a viver permanentemente no Rio de Janeiro com seus filhos, indo morar com eles em um apartamento no Leme.

No mesmo ano assina a coluna Correio feminino - Feira de Utilidades, no jornal carioca Correio da Manhã, sob o pseudônimo de Helen Palmer. No ano seguinte, assume a coluna Só para mulheres, do Diário da Noite, como ghost-writer da atriz Ilka Soares.
 

Em 14 de setembro de 1966, provoca, involuntariamente, um incêndio ao dormir deixando seu cigarro aceso. O quarto fica destruído e a escritora é hospitalizada, ficando entre a vida e a morte por três dias. Sua mão direita é quase amputada devido aos ferimentos. Mesmo depois de passado o risco de morte, fica hospitalizada por dois meses. Clarice começara a fumar e beber ainda na adolescência, enquanto compunha seus poemas.
 

Pouco tempo depois da publicação do romance A Hora da Estrela, Clarice é hospitalizada, com um câncer de ovário detectado tarde demais e inoperável. A doença se espalhara por todo o seu organismo.

Clarice faleceu em 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57° aniversário.

Seu corpo foi sepultado no Cemitério Israelita do Caju, no Rio de Janeiro, no dia 11 de dezembro. Até a manhã de seu falecimento, mesmo sob sedativos, Clarice ainda ditava frases para sua melhor amiga, Olga Borelli, que sempre estivera ao lado da amiga em seus últimos anos.
 

Durante toda a sua vida, Clarice foi amiga de grandes escritores, como Fernando Sabino, Lúcio Cardoso, Rubem Braga, San Tiago Dantas entre outros.

 

 

 

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Redação

Fonte:Universo da Mulher