Rio de Janeiro, 12 de Dezembro de 2019

Sedentarismo, cigarro e bebida alcoólica aumentam risco de câncer de mama

Sedentarismo, cigarro e bebida alcoólica aumentam risco de câncer de mama

Estudo comprova que mulheres brasileiras precisam mudar seus hábitos para que o cenário da doença mude

+ Acesso + Respeito. Este será o alerta da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) neste Outubro Rosa.

A ideia é chamar a atenção da população e do poder público de que a falta de acesso das mulheres brasileiras para o diagnóstico precoce e o tratamento do câncer de mama.

Cerca de 60% dos casos chegam aos consultórios em estágio avançado, principalmente nas pacientes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e isso deve-se, principalmente, às dificuldades para agendar consultas e a mamografia, além da demora para receber o diagnóstico e iniciar o tratamento.

O número de casos de câncer de mama aumenta a cada ano – em 2019 são esperados 59,7 mil casos – e alguns fatores de riscos colaboram para o seu desenvolvimento, sendo que muitos deles podem ser alterados com mudanças do dia a dia. E é justamente o estilo de vida das mulheres brasileiras que pode aumentar o risco da doença, considerando inclusive se a mulher está na pré ou na pós-menopausa.

Este foi o tema da pesquisa realizada por pesquisadores da Universidade Federal de Goiás em parceria com a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

Segundo o coordenador da pesquisa e presidente do Conselho Deliberativo da SBM, Dr Ruffo de Freitas Junior, no estudo realizado com 542 mulheres, sendo 197 com câncer de mama e 344 saudáveis, foram investigadas as principais diferenças que poderiam ser associadas à doença.

“A principal conclusão é que as mulheres com diagnóstico de câncer de mama, independente se estavam menstruando ou na pós-menopausa eram, em sua maioria, sedentárias, ou seja, não praticavam atividade física regular no momento de lazer. Também consumiam mais cigarros e bebidas alcóolicas do que as mulheres sem o diagnóstico”, explicou o médico.

O estudo mostrou ainda que na pré-menopausa a adiposidade abdominal elevada, ou seja, uma circunferência da cintura maior que 88 centímetros, triplicou o risco para o câncer de mama. “como sabemos que apenas 10% do câncer de mama são de causas hereditárias, então identificar os fatores que podem ser alterados é uma importante forma de prevenção primária da doença”, afirma DR Ruffo.

Para o médico, o resultado deixa clara a necessidade de focar os esforços para alterar esses comportamentos. “Precisamos ajudar aas mulheres brasileiras a melhorarem sua qualidade de vida incluindo no seu dia a dia hábitos saudáveis”, conclui.

DICAS de HÁBITOS IDEAIS PARA UMA ROTINA SAUDÁVEL:   

Alimente-se bem e não fique muito tempo sem comer, ou seja, prefira comer de três em três horas, em pequenas quantidades, sempre priorizando os alimentos naturais e evitando os alimentos industrializados. 

Evite o excesso de gorduras e carboidratos simples, como açúcar adicionado aos alimentos, doces, sucos de caixinha ou saquinho, refrigerantes, pão branco, macarrão, sempre preferindo as opções integrais.

Procure ingerir proteínas de boa qualidade, principalmente frutas, legumes e verduras por serem fontes de vitaminas e minerais essenciais e ricas em fibras que ajudam na saciedade e no funcionamento adequado do intestino.

Faça exercícios físicos durante a semana. O ideal são 150 minutos de exercícios físicos moderados divididos entre os cinco dias ou 75 minutos de exercícios vigorosos divididos entre os cinco dias.

Planeje o seu dia alimentar e tente segui-lo.

Além da situação caótica da falta de acesso ao diagnóstico e tratamento do câncer de mama, a Sociedade Brasileira de Mastologia sugere 4 temas que podem ser abordados:

•             DIAGNÓSTICO PRECOCE

A melhor maneira de enfrentar o câncer de mama é através do diagnóstico precoce, isso porque quanto mais cedo identificar tumores menores e sem comprometimento da axila, maiores são as chances de cura. Daí a importância do rastreamento mamográfico, que possibilita identificar pequenos cânceres em mulheres assintomáticas (sem sintomas), que realizam mamografia de rotina. O tratamento também se apresenta mais eficaz e menos mutilador.

Um dos maiores problemas no Brasil hoje é o alto número de mulheres diagnosticadas com tumores maiores (em média 2,6 cm) do que os achados no rastreamento mamográfico (em média 1,5 cm), além de serem mais propensos a mostrar metástases axilares (entre 18% e 45% dos casos) do que os detectados no rastreamento (entre 18% e 25%). Dessa forma, ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento poderá aumentar a chance de sobrevida das pacientes com câncer de mama metastático que são tratadas via sistema público de saúde.

•             RASTREAMENTO MAMOGRÁFICO

Pesquisa realizada por médicos da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa em Mastologia mostra que o percentual de cobertura mamográfica de 2017 nas mulheres na faixa etária entre 50 e 69 anos atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é o menor dos últimos cinco anos. Eram esperadas 11,5 milhões de mamografias, mas só foram realizadas apenas 2,7 milhões – uma cobertura de 24,1%, bem abaixo dos 70% recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Os três piores estados foram Amapá, que realizou apenas 260 exames em detrimento dos 24 mil esperados, seguido do Distrito Federal, com 5 mil realizados quando eram esperados 158,7 mil, e Rondônia, cuja expectativa era de realizar 76,9 mil, mas somente 5,7 mil foram realizados. A dificuldade para agendar e realizar a mamografia, equipamentos quebrados e falta de técnicos qualificados são os principais motivos para o baixo número de exames.

•             RECONSTRUÇÃO MAMÁRIA

Ainda é alto o número de mulheres que não tiveram a mama reconstruída. Muitas mulheres perdem a mama todos os dias no Brasil vítimas de câncer. Isso mostra a necessidade de cirurgias de reconstrução mamária como parte do tratamento do câncer de mama, já que esse procedimento colabora para o aumento da autoestima e a melhora da qualidade de vida. A lei n. 12.802 garante às mulheres que fizeram mastectomia o direito de ter suas mamas reconstruídas no mesmo ato cirúrgico, no entanto apenas 29,3% de cirurgias foram realizadas pelo SUS, entre 2008 e 2014, comparado ao número de mastectomias realizadas. Isso mostra que as reconstruções ainda são insuficientes para atender todas as pacientes que necessitam deste procedimento, principalmente as que estão sem as mamas há muitos anos.

Sobre a reconstrução:

- A mulher precisa conversar com seu mastologista para orientação sobre a cirurgia;

- O tempo da reconstrução depende de cada caso. Quanto mais precoce o diagnóstico, menor será a mutilação e menor a reconstrução. Depende de cada caso;

- Geralmente é preciso mais de uma cirurgia para deixar uma mama similar a outra;

- A reposição da mama pode ser com prótese ou gordura da barriga/abdômen da própria paciente.

•             SEDENTARISMO

Recente estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Goiás em parceria com a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) com 542 mulheres, sendo 197 com câncer de mama e 344 saudáveis, aponta que as mulheres com diagnóstico de câncer de mama, independente se estavam menstruando ou na pós-menopausa, eram em sua maioria sedentárias, ou seja, não praticavam atividade física regular no momento de lazer. Também consumiam mais cigarros e bebidas alcóolicas do que as mulheres sem o diagnóstico. O estudo mostrou ainda que na pré-menopausa a adiposidade abdominal elevada, ou seja, uma circunferência da cintura maior que 88 centímetros, triplica o risco para o câncer de mama. “Isso mostra que precisamos ajudar as mulheres brasileiras a melhorarem sua qualidade de vida incluindo no seu dia a dia hábitos saudáveis”, disse Dr Ruffo de Freitas Junior, coordenador da pesquisa e presidente do Conselho Deliberativo da SBM.

 

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Carine Nascimento

Fonte:Universo da Mulher