Rio de Janeiro, 11 de Dezembro de 2019

Maus hábitos são responsáveis pelo câncer de esôfago

Especialistas descobriram que a obesidade e sedentarismo são os maiores vilões da doença

Durante o último simpósio internacional sobre os cânceres gastrointestinais, realizado neste ano nos Estados Unidos, foram apresentados estudos que procuraram explicar um aumento inesperado na incidência do adenocarcinoma do esôfago (um dos tipos de câncer de esôfago). Entre 1975 e 2005 a incidência do adenocarcinoma de esôfago aumentou em cinco vezes no Estados Unidos. Já no Reino Unido, o aumento constatado é de 2% ao ano, com tendência deste aumento continuar pelos próximos 10 anos. Este aumento da incidência tem sido observado também na maioria dos países Europeus e nos países mais desenvolvidos da Ásia como Japão, Singapura e Hong Kong. Estes estudos, de grande importância para a ciência e para a evolução dos tratamentos de câncer, relacionam os hábitos de vida atuais da população com o aumento da incidência da doença.
 

 

Existem dois tipos de câncer de esôfago, o carcinoma epidermóide, responsável pela maioria dos casos no Brasil e é associado com o tabagismo e o etilismo, e o adenocarcinoma associado ao refluxo gastro esofágico, que vem ganhando proporções cada vez maiores. Agora, conclui-se que os hábitos de vida podem ajudar na prevenção, afinal, a obesidade e o sedentarismo estão aumentando o refluxo do líquido gástrico para o esôfago, causando a esofagite (inflamação da mucosa esofágica) e, em longo prazo, o câncer de esôfago.  

“A conclusão e subsequente validação destes estudos de prevenção podem permitir um procedimento integrado e que alerta para a mudança de hábitos para uma vida mais saudável. Mais do que nunca, a importância de monitorar e procurar um especialista quanto a sintomas como as queimações, mais conhecidas como azia. As orientações dos especialistas são necessárias para evitar que a esofagite evolua para um câncer”, explica a oncologista Mônica Stramare Pereira, diretora do Centro de Oncologia do Paraná, uma entre os dez brasileiros a participar do 7ª Simpósio de Câncer Gastrointestinal, em Orlando, na Flórida (EUA). 

Os estudos mostram que todas as formas de refluxo tendem a ocorrer com uma frequência levemente maior em pessoas com um padrão de vida superior. O sobrepeso e a obesidade contribuem para o aumento da pressão intra-abdominal, promovendo o refluxo gastro-esofágico, que compreende uma série de doenças relacionadas incluindo a hérnia hiatal, a doença do refluxo com seus sintomas associados, a esofagite erosiva, o estreitamento péptico do esôfago, o esôfago de Barrett e o adenocarcinoma esofagiano Estes dados levando a especulação de que a causa do recente aumento do refluxo gastro esofágico e do adenocarcinoma de esôfago tem sido em parte relacionada a obesidade epidêmica nos países do Oeste. 

Infecção de longo tempo pelo H. Pylori (bactéria que infecta o revestimento mucoso do estômago) pode resultar em atrofia gástrica com perda de glândulas gástricas e diminuição da secreção ácida. Em nível populacional, uma alta prevalência de infecção pelo H. Pylori, provavelmente, reduz os níveis de secreção ácida protegendo alguns portadores contra a doença do refluxo e sua associação com o adenocarcinoma de esôfago. A prevalência do H. Pylori se correlaciona com padrões de higiene e desenvolvimento econômico. Com isso, populações da África e da Ásia podem ter sido protegidas contra o adenocarcinoma de esôfago por sua alta prevalência de infecção. 

Para a especialista, um dos fatores mais importantes destacados pela pesquisa está na mudança de atitudes. “Os estudos alertam para a atenção a sintomas e hábitos de vida que podem ocasionar o câncer de esôfago. Como consequência, tem havido um direcionamento para investigar estratégias de prevenção contra este câncer, através de intervenções que podem ser realizadas enquanto as lesões são curáveis”, completa a Dra. Mônica. 

Existem três principais estratégias de prevenção para o câncer esofagiano e o câncer gastrintestinal em geral, que incluem: 

- minimização do risco- estilo de vida e quimio-prevenção (medicamentos utilizados que diminuem a chance da doença aparecer);

- vigilância endoscópica (realização de endoscopias periódicas nos pacientes com risco de desenvolver a doença);

- endoterapia.(ablação por radiofrequência e ressecção endoscópica da mucosa) para os pacientes que já apresentam as primeiras alterações nas células do tubo digestivo. 

 


Sobre o Centro de Oncologia do Paraná – Clínica especializada no tratamento do câncer, o Centro de Oncologia do Paraná conta com um corpo médico qualificado e equipe multidisciplinar. Realiza consultas, procedimentos diagnósticos, tratamento quimioterápico e cirúrgico. Com foco na qualidade do atendimento, o centro oferece apartamentos individuais para a realização de quimioterapia equipados com banheiros, ar condicionado, internet wireless e televisão. Estacionamento anexo. Em novembro de 2009 concluiu uma ampliação na sua sede de Curitiba visando, ainda mais, a excelência pelo atendimento. Além disso, implantou o Centro de Wellness, uma unidade de suporte ao paciente em tratamento oncológico com nutricionista, psicóloga, especialista no tratamento da dor e acupuntura. O Centro de Oncologia do PR conta com duas sedes, uma em Curitiba (Rua Saldanha Marinho, 2167) e outra em São José dos Pinhais (Rua Gal. Barreto Monclaro, 374). site: www.copr.com.br

 

 

Crédito:Cris Padilha

Autor:Alexandre Tsuneta

Fonte:Cris Padilha