Rio de Janeiro, 19 de Agosto de 2017

Você anda esquecida?

Especialistas alertam sobre a doença

O Alzheimer é uma doença degenerativa que acomete no Brasil cerca de 1.2 milhão de pessoas causando a morte gradual dos neurônios.

Segundo o geriatra Espedito Carvalho, Membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia-RJ, a doença provoca perda de memória e de outras funções cognitivas, como raciocínio, juízo crítico, orientação temporal e espacial e outras.

De acordo com o médico, o fator de risco mais importante é a idade. Mas existem outros fatores relacionados como gênero feminino (após os 80 anos), baixa escolaridade, níveis elevados de colesterol e de pressão arterial na meia idade, diabetes, tabagismo, entre outros.

“A doença, que na maioria das vezes se manifesta a partir dos 60 anos, não tem cura conhecida. É progressiva e faz com que a pessoa perca gradualmente a memória, a capacidade de orientar-se no tempo e no espaço, além de trazer dificuldades de comunicação, raciocínio lógico e alterações comportamentais. O importante é diagnosticar o Alzheimer o mais cedo possível para tratar a doença e combater esta falta de informação e preconceito que existe em volta do assunto”.

O geriatra explica que no início, a pessoa apresenta pequenos lapsos de memória, alterações de comportamento (ansiedade), desorientação espacial e dificuldades em realizar tarefas corriqueiras como pagar as contas domésticas, esquecer de compromissos, entre outros.

Nos estágios mais avançados evolui com dificuldade de se alimentar, se vestir, não reconhece os familiares e acaba restrito ao leito no estágio final da doença.

Para Espedito Carvalho, que possui ampla experiência no Serviço de Atendimento Domiciliar, inicialmente as pessoas devem consultar um geriatra, pois é ele que realiza as consultas visando sempre o envelhecimento de forma mais saudável, buscando manter a autonomia e independência com o envelhecimento. Outros especialistas que também podem fazer o diagnóstico são o neurologista e o psiquiatra.

“A velhice inicia-se de forma individual, mas padronizamos após aos 60 anos e desde então os cuidados tornam-se mais específicos. Alguns terão queixas mais cedo e outros bem mais tarde, pois existe muito de individualidade no envelhecimento. O importante é a prevenção. Poderá ser iniciada aos 20 anos quando já conhecemos as enfermidades dos nossos avós e dos nossos pais e, entendendo que nossa tendência é seguir seus passos, poderemos fazer um planejamento a longo prazo. A grande maioria das pessoas nos procura em torno dos 45 anos, mas os jovens têm surpreendido com seu interesse na prevenção”, comenta Carvalho.

De acordo com a neurologista Carla Slater o processo de diagnóstico da demência da Doença de Alzheimer está fundamentado em critérios clínicos, exames laboratoriais e radiológicos.

“O médico especialista deve ser consultado assim que a própria pessoa ou quem convive com ela percebam alguma anormalidade na memória. Baseado na história clínica (anamnese), o médico progride a investigação com testes para avaliar a cognição e exames laboratoriais e de imagem pertinentes. Depois de tudo isto, temos o diagnóstico clínico de demência. Lembrando que o diagnóstico de certeza se faz apenas por biopsia cerebral, o que é impraticável no dia a dia clínico”, explica a especialista.

Nas fases iniciais e intermediárias predominam as técnicas de reabilitação, as táticas de readaptação e os psicofármacos.

Na fase avançada, o tratamento é voltado as comorbidade comuns em pacientes com afecções crônicas debilitantes e aos Cuidados Paliativos.

Com relação aos cuidados com a pessoa com demência, deve-se sempre garantir a segurança dela, pois esta não pode realizar atos da vida civil com total independência e precisão.

“É necessário auxílio, seja na tomada de decisões, seja no controle de medicamentos que utilizam, nos deslocamentos que realizam fora de casa, manipulação de dinheiro, compras, cuidados de higiene/vestuário, alimentação, entre outros. Neste cenário surge a figura do cuidador”, orienta o geriatra, alertando que um cuidador responsável e dedicado é o que todo paciente precisaria para ser bem conduzido.

 Sintomas

Os especialistas recomendam prestar atenção a sinais da doença. A pessoa com Alzheimer passa a ter comprometimento de atividades recentes. O paciente fica repetitivo, não sabe onde guardou objetos, esquece compromissos e atrapalha-se em trajetos que antes lhe eram familiares.

"Se comprometer a função cotidiana de uma pessoa que sempre foi organizada para pagar suas contas e, de repente, começa a se desorganizar frequentemente ou começa a esquecer compromissos, repete histórias como não tivesse contado antes, isso merece atenção", diz. "O mais importante é comparar o indivíduo com ele mesmo. Se isso for um padrão frequente, merece uma avaliação por um neurologista ou geriatra", orienta o geriatra.

Para ele, tanto a família quanto o cuidador precisam conhecer a doença para saber como lidar com o paciente.

“É necessário que aprendam a fazer estímulo neuropsicológico, proporcionar uma alimentação equilibrada, estimulá-los a manter uma higiene adequada; que criem laços de afetividade e confiança; que o mantenham próximo de pessoas que estejam dispostas a ajudar e que seja ponderado ao uso de medicamentos”.

Carla Slater também acha importante que tenha um profissional médico e, se possível, uma equipe multidisciplinar que traga suporte e confiança e recomenda que os familiares e os cuidadores contratados procurem se informar ao máximo possível sobre a doença.

Atualmente, não há cura para a Doença de Alzheimer, os medicamentos abreviam a velocidade de progressão da doença, diminuindo o sofrimento tanto do paciente quanto da família. Mas, segundo Espedito Carvalho, existem estudos em fases adiantadas de novos medicamentos que teriam ação mais direta na doença.

Acredita-se que possam estar disponíveis comercialmente em até cinco anos.

Doença cara

Segundo o médico, de 1950 a 2050, o número de idosos na população vai quadruplicar.

"Estatísticas claras dão conta que hoje a doença custa US$ 800 bilhões por ano em todo o mundo. Em 2018, o prejuízo passará de US$ 1 trilhão por ano. Se o Alzheimer fosse uma empresa, valeria mais que Google e Apple, atualmente as companhias mais valiosas do mundo", compara o geriatra, ressaltando a importância do diagnóstico precoce.

Prevenção

Os especialistas alegam que tudo o que faz bem para o coração, faz bem para o cérebro.

“Controlar pressão alta, diabetes, colesterol, tratar a obesidade, praticar regularmente atividade física, ter alimentação balanceada e saudável podem ser fatores de proteção ou de risco, nos casos de quem não faz nada disso", observa o médico Geriatra Espedito Carvalho que recomenda prestar atenção aos sintomas como esquecimentos frequentes.

 

Serviços:

. Espedito Carvalho

 Copacabana-   Rua Constante Ramos 44/1001 - Tel: 2547-5692

 Icaraí - Niterói  - Rua Lopes Trovão 52/501 Tel: 2714-3773
 
. Carla Slater

Copacabana- Rua Santa Clara, 70, sala 901

 

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Mirian Barbosa

Fonte:DMC21 COMUNICAÇÃO E MARKETING