Rio de Janeiro, 17 de Outubro de 2019

Medicamentos para doenças crônicas alteram a visão

Medicamentos para doenças crônicas alteram a visão
 
Aumento do consumo de antidepressivos e de medicamentos para doenças cardíacas no Brasil pode provocar graves doenças nos olhos.

O alerta da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para o crescimento de 48% do consumo de antidepressivos no Brasil nos últimos quatro anos, chama a atenção para um problema desconhecido pela maior parte da população – os efeitos adversos dos medicamentos na visão.  Isso porque, o País hoje soma 17 milhões de pessoas com depressão, dos quais 11 milhões são mulheres, e por aqui os antidepressivos mais utilizados são os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS). Um recente estudo realizado na Universidade de British Columbia (Canadá) aponta que esta classe de antidepressivos pode aumentar em 15% o risco de surgir catarata por causa dos receptores de serotonina do cristalino.

A catarata é a maior causa de cegueira no mundo provocada pelo turvamento do cristalino, lente natural do olho responsável pelo foco das imagens. Apesar de o estudo não ser conclusivo, o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, acredita que a correlação entre antidepressivos e catarata faz sentido. “Há evidências de que alguns medicamentos têm ação tóxica sobre o cristalino. Este é o caso dos corticóides para doenças inflamatórias e dos beta bloqueadores para hipertensão arterial que comprovadamente induzem à catarata quando usados por mais de 1 e 5 anos respectivamente”, afirma. Infelizmente doenças como a depressão e a hipertensão arterial são crônicas e exigem uso contínuo de medicamentos. Por isso, a dica é passar por consulta com um oftalmologista periodicamente.

 

Catarata Subcapsular pode surgir a qualquer idade

Queiroz Neto explica que a catarata senil difere da estimulada por substâncias tóxicas. A senil geralmente surge a partir dos 65 anos, é do tipo nuclear e tem como único tratamento o implante de uma lente que substitui o cristalino opaco, preservando sua cápsula posterior.

Já a catarata induzida pela toxidade dos medicamentos pode surgir a qualquer idade e é do tipo subcapsular, ou seja, atinge a camada posterior do cristalino. Por ser a área do cristalino onde ocorre a refração da luz, o médico diz que este tipo de catarata causa uma diminuição importante da visão, principalmente nos ambientes bem iluminados. O tratamento é feito através do implante de lente intraocular, podendo ser necessário um segundo procedimento em que é feita  a aplicação de laser através de uma abertura na cápsula posterior.

 

Risco da combinação de medicamentos é maior

O uso de beta-bloqueadores para controlar a hipertensão arterial aumenta predispõe à depressão. Por isso, é comum o emprego simultâneo de remédios para combater cada uma das doenças. A combinação dos dois medicamentos aumenta para 45% o risco de surgir catarata subcapsular porque os beta-bloqueadores representam predisposição 30% maior de opacificação do cristalino , alerta Queiroz Neto. “Para a mulher o perigo é ainda maior. Isso porque, as flutuações hormonais femininas facilitam a formação de radicais livres que esgotam nutrientes essenciais para visão e aceleram o envelhecimento dos olhos”, afirma. Para combater este efeito, ele recomenda o consumo de alimentos ricos em luteína que filtra a luz azul, responsável pela oxidação do cristalino. As principais fontes naturais de luteína são: folhas verdes escuro (espinafre, brócolis), gema de ovo e ervilha.

 

Outras doenças oculares induzidas por medicamentos

O especialista diz que além da catarata outras doenças podem ser contraídas pelo uso de medicamentos. As principais são:

 

 

Princípio ativo

Doença que combate

Riscos

 Sildenafil (Viagra)  Disfunção erétil Neuropatia óptica isquêmica

(diminuição da circulação de

sangue nos olhos) em pacientes

portadores de doenças vasculares.

Anticoagulante e

Antiagregante plaquetário

(Aspirina)

Resfriado, coronariopatia,

hipercolesterolemia e pós-

cirurgia cardíaca

Hemorragia subconjuntival

(mais freqüente) ou interna.

Difosfato de cloroquina Reumatismo, principalmente

em mulheres

Perda da visão central e, no longo

prazo, cegueira central irreversível.

Clorpromazina Calmante Pode provocar glaucoma de ângulo

fechado, pigmentação nas pálpebras.

Isotretinoina  (Roacutan) Acne Síndrome do olho seco severa,

podendo ocorrer descamações

de todas as mucosas e conjuntivas.

Amiodarona Cardiopatias, principalmente

hipertensão arterial

Neuropatia óptica e depósitos

na córnea

Loratadina Antialérgico muito usado

no inverno

Visão embaçada,  síndrome do olho

seco,  úlcera na córnea

Penicilina e outros

antibióticos

Gripe e infecções Uso indiscriminado reduz a resistência

e predispõe à conjuntivite viral

e bacteriana.

Estrogênio Anticoncepção e TRH

(terapia de reposição hormonal).

Síndrome do olho seco

 

Todos estes tratamentos devem ser feitos com o acompanhamento de um oftalmologista.

 

 

Crédito:Cris Padilha

Autor:Eutrópia Turazzi

Fonte:Universo da Mulher