Rio de Janeiro, 24 de Outubro de 2017

O que fazer?

Meu filho não é a sensação do pedaço. E agora?

 
* Por Antoniele Fagundes

 

Muitas mamães devem se perguntar como seu filho se comporta e é visto dentro da escola.

Como este é um espaço só da criança, nós mamães nos remoemos de curiosidade e nos pegamos espionando através do minúsculo buraquinho do portão ou então entrando com o pescoço pra dentro quando o mesmo é aberto e nosso filho nos é entregue.

Imagino que essa dúvida é maior entre as mamães de crianças abaixo de 03 anos, como é o meu caso, pois ainda nos perdemos nas explicações que os pimpolhos nos dão depois de serem submetidos ao nosso interrogatório materno/policial.

 

Recentemente, fui a uma festinha na escola do meu filhote.

Todos felizes, um dia lindo de sol. 

Como boa mamãe detetive, eu me deleitava por estar dentro do único espaço que meu pequeno não compartilha comigo. Eu entrei em todos os ambientes e fiquei atenta a todas as conversas ao nosso redor. 

Tentava imaginar como é o dia do meu filho dentro da escola. Mais que isso, tentava descobrir quem é o meu filho dentro daquele ambiente.  

A oportunidade era ótima!

Estavam presentes todos os amiguinhos, os papais dos amiguinhos e as professoras.

 

Tudo bem quando as pistas levam a crer que nosso filho é admirado e amado, tal como em casa. Mas, e quando algo aponta para uma realidade que desagrada a nós, mamães?

 

Voltando a tal festa, estávamos quase indo embora quando uma das professoras, em euforia, comunica a uma colega sua: Sabe quem chegou? O “Joãozinho”!

Em seguida, ambas correram em direção à criança e a cobriram de chamegos.

 

Na saída encontrei a mãe do “Joãozinho”, o próprio menininho e a tal professora. Então comentei que havíamos descoberto que o “Joãozinho” era o preferido da turma.  A mamãe, super simpática, sorriu e continuou falando alguma coisa sobre o filhote. E a tal professora completou: “Viu só, eu não falei, ele é a sensação!”.

 

Eu e meu marido voltamos para casa comentando o ocorrido. Eu avaliei e julguei como inapropriado o comportamento da moça de eleger e pronunciar o seu preferido em público. Afinal, nenhuma mamãe quer saber que o seu filho, aquele fofucho lindo e cheio de graça não é a “sensação” do pedaço.

 

No entanto, precisamos deixar de lado a postura de críticos ferozes e adotar aquela de educadores para a vida. Nossos filhos, mais cedo ou mais tarde irão perceber que  o não favoritismo estará presente em muitos momentos e grupos durante toda a vida. É duro, mas é condição de crescimento descobrir que não somos o umbigo do mundo.  

 

As crianças lidam com isso de forma bem mais tranqüila e resolvida do que os pais. Elas percebem e se incomodam claro, contudo, não tentam encontrar forças em discursos  teóricos sobre o comportamento do outro. Elas sentem a dor e ponto! Essa dor faz parte do amadurecimento emocional.

 

Quem primeiro contribui para a formação da autoconfiança infantil, diretamente influenciando, é o núcleo familiar da criança. É dentro de casa que a criança vai aprender que ela tem que ser mais ela, respeitar seus amigos e o favoritismo dos adultos. Até porque as crianças também elegem seus adultos preferidos.   

 

Por isso, o conselho que dei a mim mesma foi: “Seu filho está bem e feliz. Ele não é a sensação da escola, mas é a sensação da sua vida. E o meu amor e o da nossa família darão a ele forças para nutrir sua autoconfiança e seguir feliz!”.

 

 


* Antoniele Fagundes é Consultora Familiar e criadora da empresa Babá Ideal.

 

 

 

Crédito:Cris Padilha

Autor:Lucky Assessoria

Fonte:Universo da Mulher