Rio de Janeiro, 18 de Julho de 2019

Conhecer as principais causas da infertilidade é o primeiro passo para realizar o sonho da gravidez

Quando um casal decide engravidar e não consegue, um turbilhão de dúvidas surgem: de quem é a culpa, o que fazer para facilitar o processo, como saber se temos um problema de fertilidade e o que fazer nesse caso?

Para ajudar nesse primeiro momento, uma ginecologista e um urologista do Centro de Fertilidade da Rede D’Or prepararam um manual que explica as principais causas da infertilidade de homens e mulheres.

Manual da infertilidade

Conhecer as principais causas da infertilidade é o primeiro passo para realizar o sonho da gravidez

Cerca de dois em cada 10 casais em todo o mundo são inférteis. Mulheres e homens dividem igualmente a responsabilidade quando se trata de dificuldades para engravidar.

Em 30% dos casos, as razões estão ligadas ao organismo feminino, em outros 30%, ao masculino e mais 30% resultam da combinação de fatores de ambos.

Os 10% restantes não conseguem ao menos chegar a um diagnóstico que explique a falta de concepção.

Uma mulher jovem que mantenha relações sexuais durante seu período fértil tem, em média, 25% de chance de engravidar em um mês.

Para os casais que desejam engravidar, porém, é normal a ansiedade pelo resultado positivo.

Apenas se a parceira está acima dos 30 anos e após um ano de vida sexual ativa permanece sem engravidar, ou, tem mais de 40 anos e seis meses de tentativas sem sucesso, é hora de procurar ajuda médica.

Mesmo assim, segundo a Dra. Maria Cecília Erthal, diretora médica do Centro de Fertilidade da Rede D’Or, no momento em que um casal começa a desconfiar que tenha esse tipo de dificuldade, o mais indicado é manter a tranquilidade e procurar entender melhor os prováveis motivos do problema.

A boa notícia é que estudos recentes indicam que mesmo nos episódios em que a questão é médica, cerca de 95% dos homens e mulheres que recorrem a tratamentos conseguem ter filhos.

Para esclarecer as dúvidas inicias, a ginecologista, juntamente com o urologista e especialista em infertilidade masculina, Dr. André Guilherme Cavalcanti, preparou um breve manual com as principais causas de infertilidade em homens e mulheres.

Na Mulher

Problemas ovulatórios e falência ovariana prematura

A disfunção ovulatória é  a principal causa de infertilidade nas mulheres. Normalmente, ocorre por uma falha na produção hormonal, problemas no ciclo menstrual, ou nos próprios ovários.

Ultimamente, os especialistas têm notado uma frequência cada vez maior de outro problema: a falência precoce da função dos ovários (em idade onde não é comum ocorrer a menopausa).

Não se conhece a causa do distúrbio, mas acredita-se que esteja relacionado à grande quantidade de substâncias tóxicas que consumimos e com as quais entramos em contato diariamente (inclusive nicotina e álcool), ao stress e a algumas formas de doenças autoimunes (quando o organismo produz substâncias agressoras contra ele próprio).

As mulheres com essa alteração ovariana menstruam normalmente e só vão descobrir que seus ovários estão falhando, quando fazem determinadas dosagens hormonais, ou quando passam pelo processo de estímulo da ovulação, com uso de medicamentos durante um tratamento para engravidar, e se deparam com uma resposta ovariana abaixo do esperado, ou até mesmo inexistente.

Síndrome dos ovários policísticos (SOP)

Causada por um desequilíbrio na produção de hormônios, a SOP pode provocar alterações no ciclo menstrual (desde longos intervalos entre uma menstruação e outra a até ausência de menstruação) levando a uma disfunção na ovulação e, consequentemente, à dificuldade em se obter a gestação.

Além disso, pode casuar o aparecimento de pelos em locais inconvenientes, aumento da oleosidade da pele, com surgimento de acne e acúmulo de gordura abdominal.

Endometriose

Doença complexa, cuja causa não se sabe ao certo até os dias de hoje. Ela se desenvolve no aparelho reprodutor feminino e atinge cerca de 15% das mulheres em idade fértil.

Ocorre quando o endométrio, que é a camada interna do útero eliminada durante a menstruação, atinge outros órgãos do corpo.

Ovários, trompas de Falópio e até mesmo intestino, bexiga, vagina e outros órgãos mais distantes podem ser comprometidos. 

Provoca dor pélvica crônica e fortes cólicas menstruais, além de dor durante o ato sexual. Causa aderência e inflamações na região pélvica, interferindo negativamente em todos os processos que envolvem a fertilização de forma espontânea. 

Obstrução tubárea

As trompas são o caminho por onde passam os óvulos em direção ao útero.

É ali que ocorre o encontro de óvulos e espermatozóides, após a relação sexual. É lá também que os embriões iniciam sua formação. Portanto, se alguma coisa entope esse pequeno tubo, fica impossibilitada a fertilização.

Os laboratórios de fertilização in vitro têm, na verdade, a missão de substituir o papel das trompas. Na maioria dos casos, a obstrução é causada por inflamações no aparelho genital feminino, sendo a clamídia um dos microrganismos mais frequentemente envolvidos nesse processo.

Miomas

Os miomas podem afetar a função do útero, que recebe o embrião proveniente das trompas. Contudo, raramente são causa de infertilidade, somente quando crescem para dentro do útero ou quando estão posicionados em locais que comprimem a passagem dos embriões. Na maioria das vezes, são tratados cirurgicamente, hoje já com opções minimamente ou nada invasivas.


Idade avançada

Com a mudança de comportamento social feminino, entrada no mercado de trabalho e acúmulo de funções, é comum o adiamento da decisão pela gravidez.

Porém, o ovário entra em franco processo de envelhecimento a partir dos 35 anos, diminuindo não só a quantidade de óvulos da sua reserva, como sua qualidade.

Por esses motivos, a queda na fertilidade e na chance de engravidar é observada a partir dessa idade, sendo considerada uma das causas de infertilidade no mundo atual. Orientações e aconselhamentos devem ser feitos, para que os casais  adquiram a consciência de que o pico da fertilidade feminina ocorre entre 20 e 30 anos.

Alterações da tireóide

Existem vários distúrbios da tireóide, mas os mais comuns são o hipotireoidismo (baixa ou nenhuma produção de hormônios) e o hipertireoidismo (produção exagerada de hormônios).

O desequilíbrio hormonal causado pelas alterações pode se refletir no funcionamento dos ovários.

Aumento da prolactina

A alteração deste hormônio, responsável pelo estímulo das glândulas mamárias para a produção de leite, pode levar a alterações no ciclo menstrual e prejudicar o funcionamento dos ovários, interferindo produção de óvulos.

No Homem

Varicocele

A doença consiste na dilatação anormal de veias dos testículos e está presente em cerca de 10 a 20% dos homens (de adolescentes a adultos).

Sua incidência pode chegar a dobrar dentro da população masculina com infertilidade.

Apesar de a maioria dos portadores de varicocele ser fértil, a presença dessas dilatações nas veias dos testículos parece ocasionar alterações funcionais das gônadas e comprometer diretamente a qualidade seminal, por um mecanismo ainda pouco esclarecido.

O diagnóstico pode se feito por palpação e/ou exames de imagem e o tratamento é cirúrgico. Aproximadamente 60 a 70% dos pacientes operados apresentam melhoria da qualidade do sêmen entre três e 12 meses após o procedimento.

É importante lembrar que quando a mulher possui idade superior a 30 anos esperar a melhora da qualidade seminal do parceiro pode não ser a melhor opção, devido ao envelhecimento dos óvulos. 

Infecções

As infecções que comprometem mais diretamente o sistema reprodutivo dos homens são a clamídia e a gonorréia. Ambas são sexualmente transmitidas e acometem geralmente a uretra, porém podem envolver estruturas próximas, como epidídimos, testículos e próstata, e inclusive levar à infertilidade. O tratamento é feito com uso de antibióticos, devendo envolver o paciente e sua parceira.

Profissões que oferecem risco à qualidade seminal:

Algumas atividades são realizadas em ambientes adversos à saúde reprodutiva. Dentre os fatores que comprometem a qualidade seminal, destacamos: calor excessivo; metais pesados; solventes orgânicos (presentes em tintas); radiação; atividade física excessiva; e estresse.

Na identificação de um dos fatores, o acompanhamento da qualidade do sêmen é recomendado. No caso em que é verificada a piora progressiva dos parâmetros analisados, pode ser interessante o congelamento do sêmen.

Hábitos de vida

O tabagismo pode comprometer a motilidade dos espermatozóides.

O álcool em excesso também produz alterações na esteroidogênese, o que pode levar à diminuição da concentração de espermatozóides.

Drogas ilícitas como maconha e cocaína também podem ter ação deletéria sobre a espermatogênese.

Além disso, o uso frequente de laptop no colo pode provocar o aumento da temperatura dos testículos e produzir efeito negativo sobre os parâmetros seminais.

Traumas

Traumas, sejam acidentais, sejam decorrentes de procedimentos cirúrgicos envolvendo os testículos e a via seminal, podem gerar a presença de anticorpos antiespermatozóides, levando à aglutinação dos espermatozóides e uma possível alteração do comportamento do sêmen no trato reprodutivo feminino.

Azoospermia

Essa é a ausência total de espermatozóide no sêmen ejaculado.

As possíveis causas incluem falência dos testículos em produzir espermatozóides ou obstrução/ ausência de algum dos vasos que levam os espermatozóides para o meio externo. Aproximadamente, de 15% a 20% dos homens inférteis são azoospérmicos.

Quando a causa é obstrutiva, é possível coletar espermatozóides através da biópsia testicular.

Ejaculação retrógrada

Em pacientes com esse problema, durante o orgasmo, o conteúdo seminal é levado para a bexiga.

Neste caso, a obtenção de espermatozóides pode ser feita na urina pós-ejaculação.

 

Crédito:LuizAffonso

Autor:Mario Camelo

Fonte:Universo da Mulher