Rio de Janeiro, 07 de Julho de 2020

Quer um filho bom? Gaste tempo com ele

*Pe. Paulo Ricardo
 
 
Que a sociedade está em crise, ninguém duvida. O mais triste é perceber que as famílias estão em crise.
 
Muito poucos homens assumem que querem ser pais enquanto muitos filhos deixam claro que não querem ser controlados.
 
Na disputa de forças entre pais e filhos estão as mães, sempre tentando intermediar a relação familiar.
 
Elas têm grande disponibilidade afetiva e estão quase sempre com os braços abertos, prontas para um gesto de compreensão e acolhimento.
 
Mas alguém precisa assumir o encargo de colocar limites.
 
Sabemos o quanto isso é necessário e saudável para a formação moral dos filhos.
 
São os pais que, na maioria das vezes, chamam para si essa responsabilidade.
 
Mesmo nos lares em que não há um pai biológico alguém precisa assumir o papel paterno, preferentemente alguém do sexo masculino.
 
Faz parte do desígnio de Deus que alguém assuma a realidade de pai.
 
Muitos se perguntam como impor limites que estimulem o respeito e o amor em família. Mas não basta começar a ditar regras. É importante compreender esse limite, que exige da figura paterna uma virtude fundamental: a magnanimidade.
 
Sim, o pai tem de ter uma “alma grande”.
 
Um excelente educador disse: “Não dê mais de uma ordem por mês nem explique muito”.
 
O pai não deve se preocupar com pequenos defeitos, mas com os grandes.
 
Você não deve encher a vida do seu filho de regrinhas, porque as regrinhas desgastam a autoridade paterna e a relação familiar.
 
Não mande demais, reservando energia somente para assuntos importantes. Reside aí uma grande sabedoria. 
 
Há momentos na vida que talvez pareçam ficar ainda mais conturbados com a notícia de que um bebê vem aí.
 
Os pais muitas vezes são surpreendidos por esses acontecimentos. Não Deus. O Senhor planejou essa chegada e, de agora em diante, a vida do casal está mudada.
 
Quer um filho bom?
 
Gaste tempo com ele.
 
Todo o mundo quer alcançar o sucesso, mas poucos estão realmente empenhados em suar a camisa para chegar lá.
 
Os pais têm de investir tempo na relação com os filhos.
 
Quem pensa que não tem tempo, então, é porque tem priorizado outros assuntos em detrimento da família.
 
A tendência dos filhos é seguir o mesmo caminho.
 
Se o pai não se fizer presente e não impor regras, a sociedade se incumbirá dessa tarefa – muitas vezes da pior forma possível.
 
O mesmo vale para a dualidade entre liberdade e responsabilidade.
 
É preciso atribuir, aos poucos, novas responsabilidades aos filhos.
 
Quando o filho quer desfrutar da liberdade de adulto, mas tem a responsabilidade de uma criança, algo está errado.
 
Quem vive hoje situação semelhante deve querer com todo o seu entusiasmo recuperar sua autoridade e os laços de amor em família.
 
O primeiro passo é vigiar suas atitudes e obedecer a Deus.
 
Quando os filhos perceberem que o pai é o primeiro a obedecer ao Senhor, então eles passam a respeitá-lo como autoridade dentro de um lar amoroso.
 
*Padre Paulo Ricardo é consultor da Congregação do Clero em assuntos de Catequese, autor de “Um olhar que cura” (Editora Canção Nova) e apresentador do programa “Oitavo Dia”, exibido sempre aos sábados, às 19h, na TV Canção Nova www.cancaonova.com
 

 

Crédito:Heloísa Paiva

Autor:Pe. Paulo Ricardo

Fonte:www.cancaonova.com