Rio de Janeiro, 10 de Julho de 2020

É Natal, o que ensinamos às crianças?

 

É Natal,

o que ensinamos às crianças?


* João Luís Almeida Machado

 


 

A verdadeira mensagem de Natal foi traduzida na existência de Cristo através do amor, da bondade, da caridade, da solidariedade e da paz.
 
Mas hoje, mesmo com a crise econômica, temos lojas lotadas, shopping centers e ruas de comércio popular onde as pessoas mal conseguem andar - comerciantes e consumidores em comunhão no sentido mais evidente do Natal, o consumismo.

Temos ceias fartas, mesas cheias com as guloseimas próprias dessa época do ano.
 
Peru assado, farofa, tender, lombo, salpicão, bacalhau, maionese, nozes, castanhas, panetones, rabanadas e tantos outros pratos se tornaram verdadeiras tradições na mesa de muitas famílias de brasileiros.
 
E aqueles que não têm o que comer?

E a publicidade na mídia?
 
Bonecas que falam, carrinhos controlados por controle remoto, novos modelos de autoramas, videogames com fantásticos efeitos, roupas de grife, tênis importados...
 
Tudo ali, diante dos olhos de nossas meninas e meninos, criando ilusões e estimulando a necessidade cada vez maior de comprar, comprar e comprar.

Mas, será que é esse o espírito de Natal que queremos que nossas crianças e adolescentes conheçam?
 
Por que será que nos envolvemos nessa agitação febril que toma conta do país e nos lançamos ferozmente às compras?
 
Quantas crianças sabem ao certo o que significa essa data que celebramos com a entrega de presentes e com a organização de uma grande ceia?
 
Que sentimentos estamos alimentando em relação aos motivos que nos levam a comemorar o nascimento de Jesus?

Árvores e presentes para todos devem ser mais do que propostas, muito mais que sonhos.
 
Não há demérito algum em comprar presentes para as crianças ou para amigos e parentes.
 
Não se sintam culpados por gastar o dinheiro que ganharam ao longo do ano com muito suor para dar um brinquedo ou uma roupa a pessoas pelas quais tenham carinho e afeição.
A questão não é essa.
 
Não estamos condenando uma prática que é repetida há milhares de anos.

Temos que relembrar, no entanto, e a todo o momento, que a festa de Natal está relacionada ao nascimento do menino Jesus.
 
Na prática, significa restabelecer um elo de ligação entre o nosso mundo, as nossas crenças, a nossa filosofia e ética e as idéias e pregações de Cristo e de seus apóstolos, bases que sedimentam a civilização ocidental e garantem a sua sobrevivência.

Natal é, verdadeiramente, tempo de paz e de amor. Época do ano em que devemos ir além daquilo que realizamos durante os outros meses em termos de solidariedade pelo próximo.
 
Temos que fazer mais, prestar mais auxílio àqueles que não têm a mesma sorte e oportunidades que tivemos em nossas vidas.

Reúna seus parentes e amigos. Celebre o Natal com as pessoas que você ama e respeita. Peça perdão pelos erros e desentendimentos.
 
O nascimento de Cristo é época de comunhão e entendimento. "Estender a mão" não é apenas uma metáfora.
"Dar a quem tem fome" não é somente um refrão.
 
Ajudar aos pobres e oprimidos não deve ser visto apenas como mais uma frase bonita que compõe os evangelhos e os ensinamentos de Cristo.

Temos que viver esses exemplos. Ir a asilos e casas que dão apoio a crianças órfãs. Disponibilizar tempo para visitar pessoas doentes que precisam de apoio e solidariedade.
 
Rever os amigos e parentes para celebrar a amizade, o respeito e o amor que sentimos uns pelos outros. Enterrar as desavenças e os desentendimentos em favor da tolerância e da união.
 
É o período do ano mais adequado para lavar a alma, levantar a poeira e dar a volta por cima.
 
É tempo de recomeçar!

Na última década e meia, tem surgido de forma espontânea no Brasil uma série de grupos que se prontificou a ajudar de forma concreta os setores menos favorecidos de suas comunidades.
 
São pessoas que se organizaram para coletar alimentos e distribuir cestas básicas, arrecadar e doar brinquedos, providenciar abrigo e roupas, dar atenção e distribuir bondade.
 
Não querem apenas dar algo material, pretendem alimentar o espírito de Natal a partir de ações em que não pedem nada em troca.

Presenteie com amor e alegria. Perceba que o Natal é uma época de compreensão, paz e união. Estimule a solidariedade.
 
Veja em todos os símbolos do Natal (como no caso do Papai Noel) a oportunidade de realizar as mensagens de Jesus Cristo.

A correria do dia a dia, os afazeres profissionais e domésticos, as preocupações com contas a pagar, compromissos dos filhos e tantas responsabilidades nos tiram, ao longo do ano, a possibilidade de ter esse momento de desfrutar da companhia de nossos pais, avós, tios, sobrinhos, irmãos.
 
Para os que ficaram preocupados com a questão da caprichada refeição da noite de Natal, vale lembrar que a comida, nesse caso, é um grande pretexto para unir, numa mesma mesa, parentes e amigos.
 
Essa prática remonta à própria idéia da Santa Ceia, em que Jesus se reuniu com seus apóstolos.

Felizmente há um grande contingente de pessoas mobilizadas articulando a realização de refeições coletivas para ajudar pessoas mais carentes. Existem tantas outras atuando em favor da coleta e entrega de cestas básicas.
 
E você, o que tem feito a esse respeito?
 
Tem ajudado com doações de alimentos?
 
Tem participado de mutirões?
 
Doado dinheiro para que essas festas comunitárias pudessem ser realizadas?

O espírito de Natal pede maior participação e atuação no âmbito social.
 
Não é só uma questão de imagem perante a sociedade. O mais importante é se sentir bem. Saber que, de alguma forma, você pôde ajudar alguém que realmente precisava do seu auxílio.
 
Fazer o bem faz muito bem para quem é ajudado e, também, para quem realizou a boa ação.
 
O Natal, data do nascimento de Cristo, é ocasião perfeita para nos lembrarmos disso e realizarmos isso na prática.
 
E que essa disposição permaneça ao longo de todos os outros meses, para que possamos fazer um amanhã melhor, mais justo e digno para muitas e muitas pessoas.
 

*João Luís Almeida Machado é Editor do Portal Planeta Educação (www.planetaeducação.com.br); Mestre em Educação, Arte e História da Cultura; Professor universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte - Aprendendo com o Cinema".

Crédito:Cris Padilha

Autor:Cristina Freitas

Fonte:Universo da Mulher