Rio de Janeiro, 15 de Novembro de 2019

Exames mais eficazes

Exames mais eficazes, tratamentos modernos e equipe multidisciplinar ajudam a identificar doenças na criança quando ela ainda está no útero da mãe.
Cerca de 85% das malformações congênitas são diagnosticadas por meio dos recursos da Medicina Fetal
 
 
 
A descoberta precoce de algumas doenças durante a gravidez aumenta substancialmente as chances de sobrevivência do bebê, além de ajudar no planejamento das intervenções logo após o parto, reduzindo assim os riscos para a mãe e para a criança. Para tanto, a medicina fetal aparece como fator determinante para prevenir problemas e garantir a qualidade de vida da mãe e do bebê.
        
O aprimoramento tecnológico que os aparelhos de ultra-som receberam na última década, aliado ao conhecimento dos profissionais médicos, acumulado nas últimas três décadas, acerca do desenvolvimento normal e  anormal da gestação permitem que atualmente seja possível avaliar, de forma não-invasiva, o adequado desenvolvimento da gestação.
 
Nos casos em que há a detecção de algum problema com o bebê ainda no útero da mãe, é à medicina fetal que os pais podem recorrer. “A medicina fetal tem um papel extremamente importante para assegurar a integração psicológica entre mãe e feto, garantindo que tudo está transcorrendo bem durante a gestação”, avalia dr. Victor Bunduki, um dos responsáveis pelo Serviço de Medicina Fetal do Hospital e Maternidade São Luiz e professor livre docente da Universidade de São Paulo - USP.
        
O exame de ultra-som é o equipamento mais utilizado nas investigações. Atualmente, são realizados 800 exames por mês no Serviço de Medicina Fetal do Hospital São Luiz. “O exame morfológico, por exemplo, quando realizado por profissionais bem treinados e no período apropriado, de 18 a 24 semanas de gestação, identifica aproximadamente 85% das malformações fetais. Malformações fetais são encontradas em até 3% das crianças que nascem com vida e, a grande maioria dos casos (95%), nasce de casais que não possuem fatores de risco aparentes.
 
Por este motivo, é fundamental que toda grávida realize este exame. Já o exame de translucência nucal, identifica até 80% das gestações em que o feto tem Síndrome de Down, além de detectar também casos com risco aumentado de problemas cardíacos”, explica dr. Adolfo Liao, ginecologista e obstetra coordenador do Serviço de Medicina Fetal do Hospital e Maternidade São Luiz.
        
De acordo com o médico, quando o especialista em medicina fetal acompanha um caso complicado, é fundamental ter à sua volta uma equipe multidisciplinar composta por profissionais diversos, cada um com sua área específica de atuação. “Desta forma, é possível assessorar os pais da forma mais completa e global possível”, declara Liao.
        
Vale destacar também, dentre os importantes recursos da medicina fetal, o tratamento da anemia fetal, que já pode ser feito de maneira bastante eficaz. Nomeado “cordocentese”, o procedimento é complexo e envolve a punção do cordão umbilical, guiada pelo ultra-som, para permitir que sangue seja transfundido ao feto antes de seu nascimento e, assim, tratar a anemia.
Por meio desta punção, em alguns casos especiais também é possível administrar medicação diretamente ao feto. “Distúrbios como a obstrução urinária também já têm solução na medicina fetal. Por meio de um catéter introduzido nos rins ou na bexiga do bebê, consegue-se desviar o fluxo da urina”, explica dr. Bunduki.
 
Medicina Fetal no Hospital São Luiz
        
        
O Serviço de Medicina Fetal do São Luiz possui equipamentos modernos e de última geração, que permitem a realização de exames com a mais alta definição de imagens.
 
Possui ainda uma equipe multidisciplinar de profissionais altamente capacitados, com larga experiência em casos de alta complexidade, e que se mantém atualizada constantemente com tudo o que há de mais atual em relação a esta especialidade.
 
O fato de o Serviço especializado estar inserido no contexto hospitalar permite o contato próximo com outros especialistas, de diversas áreas (neonatologia, cirurgia pediátrica, plástica, cardiologia, entre outras), além de contar com o facilitador de um berçário de alto risco, que possibilita o atendimento multidisciplinar adequado aos recém-nascidos graves.
 
Principais exames para uma gravidez tranqüila
 
Ultra-sonagrafia endovaginal precoce -
realizada no início da gestação serve para confirmar que a gravidez está localizada corretamente no interior do útero, o número de embriões e também certificar a presença dos batimentos cardíacos, além da data provável do parto.
 
Ultra-sonografia para medida da translucência nucal -
investiga o risco da criança apresentar defeito cromossômico, como a Síndrome de Down, entre outras anomalias.
 
Exame morfológico -
 indicado para avaliação detalhada da estrutura do feto e para detectar a presença de malformações congênitas. Anencefalia, dimensões de órgãos, estômago e intestino, o sexo do bebê e a formação adequada da genitália, além do formato e tamanho dos ossos também são verificados com este exame.
 
Ultra-sonografia obstétrica com doppler -
 por meio da estimativa do peso fetal, permite avaliar se o bebê está crescendo de forma adequada, se a quantidade de líquido amniótico está normal, confirmar a localização da placenta e o fluxo do sangue que é conduzido através de vasos para o útero da mãe e da placenta para o bebê. Nas gestações de alto risco, por vezes, é necessário um acompanhamento mais intensivo da gestação e este exame deve ser realizado com mais freqüência.
   
 
Sobre Silvana Martani
 
Formação:
Instituto Unificado Paulista / Faculdade Objetivo 1978 – 1982.
 
Atuação:
Psicóloga da Clínica de endocrinologia do Hospital Real Beneficência Portuguesa; desde 1984.
 
Extra-curricular:
* Palestras ministradas aos pacientes obesos, com distúrbios glandulares e diabetes, desde 1989.
Aulas Ministradas aos residentes da clínica de endocrinologia do Hospital Beneficiência Portuguesa.

 

Crédito:Anna Beth

Autor:Elis Forgerini

Fonte:Ketchum Estratégia