Rio de Janeiro, 05 de Junho de 2020

Separar-se... e os filhos? Um grande dilema!

Entre todos os problemas e dificuldades do processo de separação, sem dúvida nenhuma a questão mais angustiante e mais delicada diz respeito aos filhos. A responsabilidade da vida e do futuro, o medo de errar, de causar traumas ou interromper o desenvolvimento sadio são fatores que levam a pensar se a separação deve ou não acontecer.
 
 
 
A decisão de separar-se é muito difícil, mas engana-se quem acredita que é melhor para a criança  ter os pais morando juntos, independente do tipo e da qualidade de relação.
 
 
Na verdade, tem sido sugerido que os problemas permanentes resultantes da infância de filhos de pais separados, não é determinado pela separação em si, mas por toda situação de conflito e tensão no período pré-separação. Sem sombra de dúvida, os filhos vivem e crescem melhor com apenas um dos pais em um ambiente tranqüilo do que com ambos em conflito constante , separar-se pode ser a única solução sensata para toda família.
 
 
 
Hoje em dia, filhos de pais divorciados não são mais uma minoria nas escolas, entretanto a dor experimentada não é menor por conhecerem outros filhos de pais divorciados, qualquer que seja a idade da criança a separação dos pais representa um período difícil para ela.
 
 
 
Não existe uma fórmula que possa ser válida para todos, mas uma forma de ajudar os filhos é dar a eles a oportunidade de falar sobre a separação, de fazer perguntas, dizer o que sentem e de expressar suas angústias. A maneira de falar e os detalhes explicados dependem da idade e do grau de maturidade da criança, mas jamais esconda a verdade, pois tira-lhe a opção de refletir sobre os fatos e conviver com sua realidade, além de quebrar a confiança em vocês. Algumas crianças ficam com receio de fazer perguntas diretas.
 
 
 
Neste caso, você pode introduzir o assunto e passar a ela a idéia de que não se trata de um segredo terrível e que pode ser discutido abertamente. Os filhos, quando não convenientemente tranqüilizados, julgam-se responsáveis pelo que acontece com seus pais. Para que isso não aconteça comuniquem juntos o divórcio com transparência e evitem frases como "mamãe e papai não se amam mais". Isso pode levar as crianças a achar que o amor de vocês por elas também é instável. Deixem claro que vocês sempre serão os pais dela e que ambos continuarão a amá-la e a se preocupar com ela, isso ajudará a trazer  serenidade esegurança.
 
 
 
Quando os arranjos de custódia são bem feitos, eles permitem que os filhos continuem se sentindo amados e importantes para ambos os pais. Isso ajuda os filhos a ganharem confiança sobre serem amados e valorizados. A partir de 11 de janeiro de 2003, entrou em vigor o novo Código Civil - "Na separação consensual, os cônjuges determinam livremente o modo pela qual a guarda dos filhos seria exercida. Na falta de acordo entre os cônjuges, na separação ou no divórcio, a guarda será atribuída a quem revelar melhores condições para exercê-la.".
 
 
 
Entretanto a melhor alternativa à disposição dos casais hoje perante o juiz é a guarda compartilhada. Adotado em vários países da Europa e nos Estados Unidos, esse regime ainda é apenas um projeto de lei no Brasil. O modelo prevê que pai e mãe mantenham os mesmos direitos e obrigações na formação e desenvolvimento das crianças. Escolhe-se uma moradia principal, mas os pais têm flexibilidade para combinar dias e horários de encontros. A falta de lei, no entanto, não impede que esses arranjos já comecem a ocorrer informalmente. O que só traz benefícios a todos.
 
 
 
O ajustamento dos filhos após o divórcio é paralelo ao dos pais, isto é, se vocês conseguirem enfrentar bem a situação, o mesmo acontecerá com os filhos. Evite passar para a criança os problemas que estão vivendo, o ideal é distanciá-la do conflito conjugal, de forma que a rotina dela seja mantida, isso auxilia a criança a se sentir protegida.
 
 
É da maior importância que os pais não envolvam os filhos em disputas sobre custódia ou em partilha, pois escolher um dos pais significa não escolher o outro e força a criança a violar seu próprio sentimento de lealdade a ambos, o que pode trazer culpa e ansiedade. Os filhos precisam de ambos os pais, para eles não existe o mais e o menos importante. Quem fica com a criança pode cair na ambigüidade "somos amigos", tendendo fazer do filho um companheiro-confidente, o que produz sobre a criança o efeito de privá-la da necessária figura paterna (ou materna) enquanto ponto de referência respeitável e obriga-a a amadurecer mais depressa e de maneira não natural.
 
 
 
É importante ainda observar as reações que podem surgir decorrentes deste momento. Nas crianças pode surgir medo, consciente ou inconsciente, de que o outro também decida ir embora, já nos adolescentes e jovens é comum que desaprovem o comportamento de um ou de ambos os pais na época da separação e que passem a ter reações mais hostis. A incapacidade para se distanciar, em qualquer idade, reflete-se em diminuição da capacidade de aprendizado, piores notas na escola e comportamento agressivo. Também podem surgir sinais de depressão, indecisão e uma  sensação de estar dividido. Vale ficar atento também para as crianças que passam a dedicar-se demais aos estudos, sendo uma forma de fugir da realidade. Normalmente o bom desempenho escolar da criança é interpretado como tendo significado de que ela não está tendo dificuldade, o que diminui a culpa dos pais, muitas vezes um erro.
 
 
 
No caso de a criança manifestar, em extremo, alguns desses comportamentos e sentimentos mencionados, deve-se solicitar a orientação de um psicólogo infantil, que será capaz de avaliar a real situação emocional da criança e propor a melhor forma de auxiliá-la.
 
 
 
Lembre-se, é possível ser bom pai ou boa mãe mesmo separados e fundamental pensar que existem ex-maridos e ex-esposas, mas nunca ex-pais. 
 
 
 
 
 
 
Tire suas dúvidas... Escreva-me!.
 
 
Cintya Lopes
Psicóloga Infantil
CRP: 06/61869-2
e-mail:
cintya_lopes@hotmail.com

Crédito:Cintya Lopes

Autor:Cintya Lopes

Fonte:Universo da Mulher