Rio de Janeiro, 13 de Julho de 2020

Como será o trabalho remoto no pós-pandemia?

O mundo nunca mais será o mesmo. Com a pandemia de Covid-19, tivemos que nos adaptar à distância, ao isolamento e à mudança completa de rotina. Quem estava acostumado a acordar cedo, tomar um rápido café da manhã e encarar longos minutos – às vezes, horas – no trânsito para chegar ao trabalho ficou com uma sensação estranha ao ouvir o despertador tocar mais tarde. Isso lá no começo da quarentena. As empresas, por outro lado, tiveram de criar mecanismos para que as atividades continuassem sendo cumpridas, com preocupação com os funcionários e a saúde financeira do negócio. Um verdadeiro caos.

Hoje, com todas as incertezas que ainda nos esperam, já aprendemos a lidar com este novo cenário. Reuniões virtuais, videoconferências e plataformas digitais de organização de tarefas integraram nosso dia a dia e, quanto mais tempo passa, mais nos perguntamos: saberemos voltar ao que era normal? Ou, melhor, vamos querer voltar ao que éramos antes?

De acordo com a FGV, 67,4% dos brasileiros com trabalho formal estão trabalhando remotamente. Além disso, uma pesquisa da ISE Business School mostra que o home office tem gerado experiências muito positivas para as empresas. Segundo o levantamento, 80% dos gestores disserem gostar da nova maneira de trabalhar. As equipes também elogiam o home office, como mostra o Instituto Renoma. Um levantamento recente aponta que 44% dos funcionários formais aprovam o trabalho a distância, enquanto apenas 16% dos empregados mostraram-se contrários.

Se, por um lado, a pandemia atrasou diversos planos, no âmbito do trabalho, ela acelerou muitas tendências. Agora, começam as dúvidas: como se preparar para o futuro iminente do trabalho remoto? Que habilidades são importantes para líderes e colaboradores? Que outras competências o home office exige, em relação ao trabalho presencial?

Em um mundo com predominância de home office, três habilidades são essenciais. A primeira é o planejamento. As relações de trabalho tendem a se tornar muito mais horizontais, pensando nos objetivos a serem cumpridos e destacando o papel fundamental de cada colaborador. Por isso, os gestores deverão ser verdadeiros líderes, dividindo as tarefas e fazendo um acompanhamento direto de tudo que acontece na empresa. Deve haver um crescimento da utilização de softwares e plataformas de acompanhamento de atividades, calendário e lista de pendências, inclusive com estabelecimento de prazos.

Em seguida, a organização. Para que tudo caminhe conforme os planos, todos devem estar alinhados ao propósito da organização. Outra coisa que deve mudar é a necessidade de todos cumprirem o mesmo horário de trabalho. Por exemplo: empresas que decidirem manter seus escritórios e permitirem o home office alguns dias por semana deverão ter suas equipes trabalhando em escalas, para evitar aglomerações. Isso exige comprometimento e colaboração de todos.

Por fim, manter uma boa comunicação talvez seja o mais importante dos itens. A quarentena está deixando todos mais vulneráveis ao estresse, à ansiedade e a doenças psicossomáticas, de modo geral. O trabalho não pode ser mais uma sobrecarga. O novo momento pede também novas relações entre empresas e colaboradores, buscando a compreensão e a flexibilização de jornadas, prazos e rotinas. Deve-se humanizar as relações de trabalho.

Apesar de ainda estarmos na parte turbulenta do voo com destino ao incerto, parte da tripulação já começa a aceitar a nova realidade e o que ainda está por vir. Devemos nos manter otimistas, afinal não é a primeira grande mudança que experimentamos como sociedade. Sairemos mais fortes de tudo isso e mais preparados para possíveis instabilidades.

Marcos Yabuno Guglielmi é coach empresarial certificado da ActionCOACH, empresa número 1 do mundo em coaching empresarial.

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Marcos Yabuno Guglielmi

Fonte:Redação