Rio de Janeiro, 29 de Março de 2017

Especialista adverte: Fumo interfere na cicatrização

Especialista adverte: Fumo interfere na cicatrização
BELEZA E TABAGISMO NÃO COMBINAM
 
Certamente você já ouviu dizer que é preciso parar de fumar duas ou três semanas antes de se submeter a uma cirurgia plástica.
 
A médica Audrey Worthington, especialista em Cirurgia Plástica, recomenda aos pacientes que discutam o assunto com seus médicos antes de marcar o procedimento cirúrgico.
 
“A paciente deve relatar corretamente seu histórico de tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, uso de medicamentos, reações alérgicas e histórias de cicatrização difícil. Tudo tem que ser levado em conta para que o resultado seja o esperado.”
 
No caso do tabagismo, o risco é comprometer uma boa cicatrização pós-cirúrgica.
 
“O paciente fumante corre mais riscos, pois a nicotina  tem efeito vasoconstritor, que diminui o calibre dos vasos sangüíneos e restringe o aporte de sangue. Conseqüentemente, ocorre a diminuição do fornecimento de oxigênio  para a ferida operatória, podendo  causar necroses (morte do tecido) e infecções”, revela a cirurgiã plástica.
 
Segundo Audrey, há trabalhos científicos mostrando que apenas a inalação da fumaça de um cigarro prejudica  células formadoras de colágeno, os fibroblastos, fundamentais para a cicatrização.
 
“A fumaça contém substâncias como a acroleína e o acetaldeido  que  prejudicam a adesão entre as células”, explica.
 
Quando  há uma incisão (corte) ou qualquer traumatismo, todo o organismo se mobiliza para tentar resolver o problema por meio de um processo inflamatório.
 
“Este processo é  bom  e necessário para uma adequada cura do tecido lesado.  No entanto, o fumo inibe a migração (mobilização) das células que iniciam a inflamação, como os leucócitos, e isso  dificulta  ainda mais o processo cicatricial”, justifica.
 
O uso do tabaco também inibe a migração dos fibroblastos, que acabam ficando nas bordas da ferida e ela demora mais para fechar, além de aumentar as chances de uma cicatriz hipertrófica e até queloideana. O quelóide é uma espécie de tumor de cicatriz, ocorre quando há excesso da produção de fibras colágenas, o que dá aquele aspecto volumoso e endurecido, muitas vezes doloroso.
 
Pacientes fumantes têm maior predisposição à formação de pequenos coágulos que podem obstruir capilares e alterar a cura das feridas cirúrgicas. O fumo também afeta o sistema imunológico, diminui as defesas  do organismo e ocasiona o envelhecimento precoce.
 
Segundo a dra. Audrey, todos esses fatores se somam durante uma cirurgia e devem ser levados em conta pelo paciente e seu cirurgião, já que interferem diretamente no resultados e, principalmente na saúde como um todo.
 
Dicas da dra. Audrey para uma boa cicatrização:

• Uma boa cicatrização depende de uma boa técnica cirúrgica com adequada assepsia (limpeza), de material delicado para manipular os tecidos, de minimizar os microtraumas, de  minuciosa hemostasia (cauterização de todos os pontos sangrantes) para evitar a formação de hematomas.  
 
• Pacientes com hipertensão (pressão alta) devem ter cuidados redobrados, pois sangramentos no pós-operatório podem alterar a cicatrização.
 
• Cuidados com a nutrição, pois o organismo precisa  de vitamina C, aminoácidos adequados e proteínas para  formar tecidos novos.   Pacientes desnutridos não têm boa cicatrização.
 
• Pacientes diabéticos têm uma cicatrização mais lenta, que deve ser  adequadamente acompanhada.  Os bordos da ferida não devem sofrer tensão e os cuidados com feridas em pernas e pés devem ser maiores já que a circulação local é menor.
 
• Manter sempre a ferida limpa e seca, seguindo as orientações do cirurgião e retirar os pontos, caso seja necessário, na data correta, geralmente de 4 a 10 dias, dependendo do local do corpo. Em alguns casos indica-se o uso de fitas adesivas como o micropore por até dois meses depois da cirurgia para diminuir as tensões na cicatriz.
 
• Se o paciente tem tendência a cicatrizes hipertróficas ou quelóides, podem ser necessárias pomadas específicas e massagens, uso de placas de gel de silicone e até injeções locais de corticóide.
 
• Fazer o repouso necessário para que o organismo tenha tempo de formar tecidos novos que fecharão as feridas. Exercícios só depois da liberação médica.

 
 
DRA. AUDREY WORTHINGTON (CRM 75398) é cirurgiã-plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, pós-graduada em Medicina Estética pela Sociedade Brasileira de Medicina Estética. É também membro da Academia Brasileira de Medicina Antienvelhecimento, fellow do Serviço de Cirurgia Plástica da Free University de Amsterdã, na Holanda. Atualmente é diretora da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia e coordenadora do curso de pós-graduação em Medicina Estética da FAPES – Fundação de Apoio à Pesquisa e Estudo na Área de Saúde.
 
 

Crédito:Anna Beth

Autor:Clarice Pereira

Fonte:Multiletras