Rio de Janeiro, 22 de Janeiro de 2020

Você faria uma cirurgia plástica paga por meio de consórcio?

"Se sua carta de credito dá direito a uma cirurgia no valor de R$ 20 mil, mas por uma fatalidade, você precisou ser encaminhado a UTI por uma semana. Quem se responsabiliza por esta conta?", questiona Dr. Fernando Fernandes, cirurgião plástico.

 
"O paciente seria induzido a escolher seu médico não pela confiança e capacidade do profissional, mas pelo fato de aceitar ou não receber pelo consórcio. Por que o consórcio não troca a carta de crédito pelo valor em dinheiro para seu cliente ter a liberdade de fazer uso como quiser? E ainda, se um cliente é sorteado num consórcio logo no início do grupo, ele pode tirar o seu carro, mas se por algum motivo ele não puder mais pagar as parcelas o bem está alienado ao consórcio, como se faz no caso da cirurgia?", essas são as indagações do cirurgião plástico da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica), Fernando Fernandes, e de muitas pessoas que pensam em adquirir uma carta de crédito.
  
Administradoras de consórcio entraram no comércio de serviços.
 
Isso tem causado polêmica, pois as cirurgias plásticas estão inclusas nesses benefícios.
 
Dr. Fernandes acredita que "esse processo se interpõe na relação médico-paciente e trata a cirurgia plástica como se fosse um bem de consumo, sem levar em consideração que o "objeto" dessa relação é o ser humano".
 
Ainda na opinião do cirurgião, antes de poder ser usado na prática, o consórcio tem que ser melhor normatizado e tem que estar em acordo com o CFM (Conselho essa nova forma de financiamento tem que estar melhor normatizada e tem que entrar em acordo com o CFM (Conselho Federal de Medicina) e AMB (Associação Médica Brasileira).
  
O CFM proibiu a participação de mediadores na relação médico paciente. O médico poderá perder o diploma, se aceitar as cartas de crédito.
 
Outro ponto de vista contrário é o da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, que não quer que essas empresas indiquem os médicos para os pacientes. 
  
As administradoras não podem garantir que as cartas de crédito sejam aceitas pelos doutores, pois elas não vendem um serviço específico e sim o valor do crédito.
 
Elas se defendem dizendo que não terão vínculos com médicos, e que o cliente terá livre arbítrio para escolher. 
  
O Brasil, como segundo país no ranking das cirurgias plásticas, cerca de 630 mil cirurgias por ano, - fica só atrás dos EUA, tem um consumidor que está mais preocupado com o bolso e aparência e pensa na possibilidade de intervenções mais baratas e facilitadas.
 
O número de 1200 cirurgias feitas por dia, registrado no ano passado, pode aumentar com a nova possibilidade de parcelamento.
 
Por isso, o Dr. Fernandes ainda levanta outra questão: "se sua carta de credito dá direito a uma cirurgia no valor de R$ 20 mil, mas por uma fatalidade, você precisou ser encaminhado a UTI por uma semana. Quem se responsabiliza por esta conta?"
 
Ele lembra que " a medicina não é uma ciência exata, complicações estão descritas e acontecem todos os dias. Por isso, é tão importante que o médico esclareça ao paciente a p ossibilidade delas ocorrerem, e assumam juntos esse risco, buscando se precaver das evitáveis e estar preparado da melhor forma possível para os imprevistos. Ter à disposição recursos humanos e materiais adequados, mesmo que não sejam utilizados, tem seu custo e não se pode abrir mão deles", alerta o cirurgião.
  
A lei que permite os consórcios nessa nova área entrou em vigor dia 6 de fevereiro, mas ainda está em ajuste e causando polêmica. 
  
A cirurgia plástica envolve riscos e todo cuidado, como exames, consultas médicas e conversas com seu cirurgião para tirar todas as dúvidas, é pouco.
 

Alguns Dados:

• Cerca de 630 mil cirurgias por ano.
• Média de 1.200 cirurgias registradas por dia no ano passado.
• 33% das cirurgias são de mama; 20% lipo; 15% abdômen; 9% pálpebras; 7% nariz; 10% outros.
Mama ultrapassou lipoaspiração nos últimos quatro anos.
• 88% das pessoas que fazem cirurgias plásticas estéticas são mulheres e 12% homens.

 
 
 

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Renata Cintra

Fonte:Sintonia Comunicação Empresarial